O câncer de pâncreas é um tumor maligno que apresenta alta taxa de mortalidade (FreePik) Quando o câncer no pâncreas começa a se desenvolver, na maioria das vezes ele não causa sinais, nem sintomas. A pessoa pode estar doente e não sentir nada diferente no início. Por isso, muitos casos só são descobertos quando a doença já está em fase avançada. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Entre os sinais e sintomas que podem aparecer do câncer de pâncreas estão fraqueza, perda de peso, falta de apetite, dor abdominal, urina escura, olhos e pele amarelados, náuseas e dores nas costas. O problema é que esses sintomas são comuns a várias outras doenças e não são específicos do câncer de pâncreas. Isso faz com que a suspeita demore a surgir e contribui para o diagnóstico tardio do tumor. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pâncreas é um tumor maligno que apresenta alta taxa de mortalidade exatamente porque costuma ser descoberto tarde. Nos estágios iniciais, normalmente não há sinais claros que indiquem a presença da doença. O que pode levar ao câncer de pâncreas Segundo o Inca, existem fatores de risco hereditários e não hereditários. Apenas cerca de 10% a 15% dos casos estão ligados a fatores hereditários. Eles envolvem síndromes genéticas de predisposição ao câncer, como os cânceres hereditários de mama e ovário, a síndrome de Peutz-Jeghers e a síndrome de pancreatite hereditária. A maior parte dos casos está relacionada a fatores não hereditários. Entre eles estão o tabagismo, o excesso de gordura corporal (sobrepeso e obesidade), o diabetes mellitus e a pancreatite crônica não hereditária. O próprio Inca destaca que esses fatores são passíveis de modificação, pois estão ligados principalmente ao estilo de vida. Além disso, a exposição a solventes, tetracloroetileno, estireno, cloreto de vinila, epicloridrina, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA) e agrotóxicos também apresenta associação com o câncer de pâncreas. Por isso, agricultores, trabalhadores de manutenção predial e profissionais da indústria do petróleo são grupos que costumam ter maior exposição a essas substâncias e, consequentemente, risco aumentado de desenvolver a doença. Detecção precoce A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar tumores ainda em fase inicial e aumentar as chances de sucesso no tratamento. No caso do câncer de pâncreas, segundo o Inca, ela pode ser feita por meio de exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou radiológicos em pessoas que apresentam sinais e sintomas sugestivos da doença. Também pode ocorrer em pessoas sem sintomas, mas que pertencem a grupos com maior chance de ter a doença. O Inca ressalta que não há evidência científica de que o rastreamento do câncer de pâncreas em pessoas sem sintomas traga mais benefícios do que riscos. Por isso, até o momento, esse tipo de rastreamento não é recomendado. O diagnóstico precoce só é possível em parte dos casos, já que a maioria dos pacientes só passa a apresentar sinais e sintomas em fases mais avançadas da doença. Como a doença é confirmada Segundo o Inca, não existem sinais ou sintomas específicos que, sozinhos, confirmem o diagnóstico de câncer de pâncreas. Para investigar a doença, são utilizados exames de imagem, como ultrassonografia (convencional ou endoscópica), tomografia computadorizada e ressonância magnética. Exames de sangue também podem auxiliar nesse processo. Mesmo assim, o diagnóstico definitivo só é fechado com o laudo histopatológico, que é obtido após a realização de biópsia do material retirado do tumor ou após a análise da peça cirúrgica. Tratamento e prevenção O tratamento depende do tipo de tumor indicado no laudo histopatológico, da avaliação clínica do paciente e dos resultados dos exames. O estado geral de saúde da pessoa no momento do diagnóstico é considerado fundamental para a definição da melhor conduta terapêutica. A cirurgia é o único método capaz de oferecer chance de cura, mas ela é possível apenas em uma minoria dos casos, justamente porque a maior parte dos diagnósticos acontece quando a doença já está avançada. Quando a cirurgia não é indicada, as formas de tratamento são a radioterapia e a quimioterapia. Na prevenção, duas orientações são essenciais. A primeira é evitar a exposição ao tabaco, tanto de forma ativa quanto passiva. A segunda é manter o peso corporal adequado, pois o excesso de gordura corporal aumenta o risco de desenvolver diabetes, que por sua vez eleva o risco de câncer de pâncreas.