Desde 2016, o projeto MRSC leva atendimento gratuito nas áreas urbanas. (Luigi Bongiovanni / AT) Um abrigo veterinário itinerante vem percorrendo as ruas de diversas capitais brasileiras para prestar cuidados essenciais a pets de pessoas em situação de rua. A ação, idealizada por organizações como a OSCIP Moradores de Rua e Seus Cães (MRSC), nasceu do reconhecimento de que a população de rua muitas vezes divide seus poucos recursos com seus animais e precisa de apoio para garantir a saúde desses companheiros fiéis. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Desde 2016, o projeto MRSC leva atendimento gratuito nas áreas urbanas. Em cada parada, são oferecidos banho, vacinas antirrábica e múltipla, vermifugação, castração e orientação veterinária – além de kits de ração e cuidados básicos para os humanos. Já são mais de 120 cães e gatos atendidos em uma única ação, segundo publicação da própria organização Por que o abrigo itinerante é importante? Vínculo afetivo: muitos moradores sem lar constroem relações profundas com seus pets. Proteger esses vínculos reforça a saúde mental e dignidade dos dois. Saúde pública: ao vacinar e castrar animais de rua, o projeto combate zoonoses e controla a reprodução descontrolada. Inclusão social: tratá-los como beneficiários de campanhas humanitárias quebra estigmas e promove cidadania animal urbana. Como funciona na prática Mapeamento de bairros e pontos de acolhida — o MRSC define locais frequentados por moradores de rua e seus animais. Montagem de tenda móvel — com suporte de parceiros como clínicas, pet shops e empresas de insumos veterinários. Atendimento completo — as equipes realizam vacinação (antirrábica e múltipla), vermifugação, castração (quando possível), banho e tosa. Distribuição de kits — contendo ração, coleiras, produtos de higiene e orientações sobre cuidados contínuos. Registro e monitoramento — cada pet é cadastrado, garantindo histórico de vacinação e controle de saúde, o que permite ações mais eficientes em futuras visitas. O impacto do projeto O MRSC já atua em sete estados mais o Distrito Federal, com cerca de cinco mil castrações realizadas ao longo de sua história. A iniciativa também inspirou ativos comunitários e ONGs menores a replicarem o modelo em cidades como Curitiba, Porto Alegre e Salvador. O projeto surgiu após um dos autores fotografar famílias em situação de rua com seus pets e perceber que, mesmo sem condições, as pessoas faziam questão de cuidar de seus animais. Essa conexão emocional motivou repensar o papel social do cuidado veterinário imediato.