Dueto Caiçara: casquinha de siri, que ganhou o toque do chef, e a receita familiar de arroz lambe-lambe (Alexsander Ferraz/AT) O Gaudio sempre foi mais do que um restaurante. Para muitos vicentinos e turistas, é cenário de infância, de almoços e happy hours demorados depois da praia, de encontros que viraram tradição. Para o chef Hélio Marques, agora sócio ao lado de Carlos Lopes e comandante da cozinha da casa, o Gaudio é também um sonho antigo, daqueles que nascem pequenos, mas nunca se apagam. Vicentino apaixonado pela cidade, Hélio frequentava o restaurante ainda criança, levado pelo pai, somente nos dias em que ele “conseguia um dinheirinho extra”. Eram ocasiões raras, quase solenes. O menino observava tudo: o movimento das mesas, o aroma que vinha da cozinha, os pratos clássicos que atravessavam gerações. Anos depois, a vida deu voltas, o tempo passou e o sonho encontrou morada. O Gaudio caminha para completar 77 anos como um dos maiores símbolos gastronômicos de São Vicente. E Hélio faz planos simples e cheios de afeto: deixar o pai pescando na Praia do Gonzaguinha, logo em frente, enquanto atende às comandas do clássico à beira-mar. As mudanças no cardápio seguem essa mesma lógica: respeito absoluto à tradição, com toques sutis de novidade. “A gente vai mudando aos poucos, mas os clássicos continuam. Não vamos tirar nada do cardápio. Só colocar algumas coisas que são bem de praia, bem caiçaras”, explica o chef. Entre as novidades está o Dueto Caiçara: casquinha de siri do Gaudio, que ganhou um toque do chef e a receita familiar de arroz lambe-lambe, cheia de sabor e memória (R\$ 59,90) e ainda o arroz cremoso de shimeji com medalhão de coração de alcatra (R\$ 44,90). Eu provei a casquinha e o lambe-lambe e posso afirmar sem exageros: estão primorosos. Daqueles pratos que fazem sentido exatamente onde estão. Perfeitos para um dia de verão, acompanhados de um chope estupidamente gelado e da paisagem aberta da Baía de São Vicente, com a Ponte Pênsil emoldurando o horizonte. Hélio Marques e Carlos Lopes, à frente da casa que ruma aos 77 anos (Alexsander Ferraz/AT) Fundado em 1949, quando São Vicente vivia um período de transformação urbana e a Ponte Pênsil simbolizava modernidade, o Gaudio nasceu no primeiro prédio da Cidade e rapidamente se tornou ponto de encontro para refeições fartas, boas conversas e celebrações à beira-mar. Desde 1995 sob o comando do lisboeta Carlos Lopes, a casa mantém viva a tradição, sempre com espaço para evoluir. Com capacidade para 350 pessoas, o restaurante segue distribuído entre o deck externo com vista privilegiada, o salão interno e o subsolo onde já funcionou um abrigo nuclear durante a 2ª Guerra, mas hoje é um videokê. O cardápio segue sendo um atlas de sabores, com clássicos como o salmão à belle meunière (R\$ 299), a porção de isca de peixe (R\$ 79,50), a caldeirada (R\$ 285) ou feijoada (R\$ 75,90, individual e R\$ 165,90 para 3 ou 4 pessoas) de sábado, além de carnes, massas e opções veganas. Agora, ganha o tempero emocional de quem cresceu olhando esse lugar com admiração. Serviço: Gaudio (Rua Frei Gaspar, 1, Gonzaguinha, São Vicente. Abre todos os dias, das 11h à 0h)