“Se o outro treinador tivesse ficado, eu teria mais oportunidades”, diz Bryan Ruiz, do Santos

Em entrevista exclusiva para A Tribuna, o atleta fala sobre o início na Vila Belmiro, as dificuldades e o futuro

Por: Bruno Lima  -  05/11/18  -  11:39
Bryan Ruiz chegou ao Santos após disputar a Copa do Mundo pela Costa Rica
Bryan Ruiz chegou ao Santos após disputar a Copa do Mundo pela Costa Rica   Foto: Irandy Ribas/AT

Contratado após o término do vínculo com o Sporting, de Portugal, em julho, para suprir a carência de um jogador cerebral no meio-campo do Santos, após a saída de Lucas Lima para o Palmeiras, o costarriquenho Bryan Ruiz, de 33 anos, ainda não atendeu às expectativas. Além disso, recentemente ele foi pivô de uma divergência entre o técnico Cuca e o presidente José Carlos Peres. Em entrevista exclusiva para A Tribuna, Ruiz fala sobre o início na Vila Belmiro, as dificuldades e, entre outras coisas, sobre as poucas oportunidades recebidas: “Se o outro treinador (Jair Ventura) tivesse ficado, eu teria mais chances de jogar”, afirma.


Vocês está há quatro meses no Santos. Como tem sido a adaptação e quais as maiores dificuldades enfrentadas no futebol brasileiro?


O início foi complicado, porque vim da disputa da Copa do Mundo e estava saindo das férias. Quando cheguei, já estávamos na metade do Campeonato Brasileiro. Além disso, no Brasil existem jogadores muito bons, mas que correm demais. Na Europa, eu disputava um jogo mais tático. Aqui é mais velocidade, com muitos contra-ataques. Foram essas questões que precisei entender no início.


Você começou como titular em apenas duas partidas (Sport e Paraná) desde que chegou. Hoje você já está bem fisicamente para jogar os 90 minutos ou ainda se vê abaixo dos companheiros de elenco?


Fisicamente me sinto muito bem. Quero jogar mais, mas temos jogadores que estão atuando muito bem. Estamos chegando no final do Campeonato Brasileiro e é importante que o time que está vencendo continue jogando, pois, assim, se ganha confiança (a entrevista foi feita na quinta-feira, antes da derrota por 3 a 2 para o Palmeiras, no sábado). O restante do elenco está dando o melhor nos treinamentos para ter chances e ajudar o time a terminar na melhor posição.


Existia muita expectativa da torcida quando o Santos anunciou a sua contratação. Quatro meses se passaram e você não conseguiu uma sequência de jogos. Você tem se decepcionado com a falta de chances?


Eu esperava jogar mais desde o princípio, mas aconteceu do treinador (Jair Ventura) que me trouxe não ser o treinador com quem comecei a treinar. O Cuca é um técnico que taticamente trabalha bem, maneja bem o grupo, mas não foi o treinador que me pediu. Talvez com o outro técnico eu tivesse a oportunidade de jogar dois ou três jogos consecutivos para ganhar condições. Com o Cuca isso não aconteceu, mas é normal. Ele é um técnico com muita experiência no Brasil e eu sou um jogador novo no País, que tinha que me adaptar a certas circunstâncias. Como falei, se o outro treinador tivesse ficado, eu teria mais oportunidades de jogar.


Recentemente, o presidente José Carlos Peres disse que você não vinha rendendo o esperado porque estava sendo escalado na posição errada. Isso causou um mal-estar entre ele e o técnico Cuca. Como você viu essa situação?


Não sabia disso. Não posso opinar sobre isso, porque eu realmente não sei o que ocorreu.


Mas você acha que está sendo escalado na posição errada?


O Cuca me vê todos os dias no treino e tem conhecimento do que eu posso e não posso fazer nos jogos. Se ele me colocar de goleiro, vou jogar de goleiro e fazer o melhor para que o Santos ganhe os jogos. Penso que o Cuca me coloca na posição que acha melhor para o time.


O presidente também disse que já havia recebido sondagens de clubes do exterior interessados na sua contratação. Você pensa em sair do Santos em 2019, caso permaneça no banco de reservas?


O futebol é dinâmico, mas tenho contrato com o Santos. Ainda não cumpri as coisas que quero cumprir aqui. Para mim, vou ficar no Santos no próximo campeonato. Mas lembro que, no futebol, tudo pode mudar de maneira muito rápida. Ainda assim, hoje te digo que vou ficar.


Quando você diz que ainda não cumpriu as coisas que quer, a que se refere exatamente?


Quero jogar mais vezes. Isso é o que queria desde o princípio, mas o treinador é quem decide. Vou trabalhar para ter mais chances. Até o fim do Campeonato Brasileiro, quero jogar tudo que posso para depois, em janeiro, fazer uma pré-temporada com o time e tentar um lugar como titular.


Ter recebido poucas oportunidades criou algum mal-estar entre você e o Cuca?


Não vejo problemas em ser reserva. Somos muitos jogadores no elenco. O Santos tem jogadores de muita qualidade técnica, rápidos. Imagino que, para o Cuca, seja difícil decidir o time, porque tem muita qualidade. Da minha parte, penso que sou mais um jogador e vou esperar a minha oportunidade para jogar mais vezes.


Bryan Ruiz chegou ao Santos após disputar a Copa do Mundo pela Costa Rica
Bryan Ruiz chegou ao Santos após disputar a Copa do Mundo pela Costa Rica   Foto: Irandy Ribas/AT

Você estava no Sporting e integrava o elenco que foi agredido pela torcida no vestiário. Como foi esse episódio e como tem convivido com a pressão da torcida do Santos?


Não tenho recebido nenhuma pressão da torcida. Na verdade, tenho recebido um tratamento muito bom e espero retornar esse tratamento ao Santos fazendo gols, dando assistências e muitas alegrias ao time. No Sporting foi difícil para nós, jogadores, tudo aquilo, mas isso já está no passado e só olho para o futuro.


Teve medo?


Tive! Tive porque entrou bastante gente com os rostos cobertos, pessoas agressivas. Não sabíamos o que poderia nos acontecer.


A invasão da torcida foi determinante para que você saísse do Sporting?


Não foi determinante. Já estava em final de contrato, mas se o Sporting tentasse a minha permanência, eu teria analisado.


Como tem sido a vida em Santos? Já tem algum lugar que você e sua família mais gostam na Cidade?


Santos é uma cidade pequena, mas tem muita coisa interessante e eu e minha família estamos muito felizes aqui. É uma cidade de praia, mas estamos no inverno. Sei que, em breve, o clima vai esquentar muito e vamos aproveitar mais as belezas da Cidade. Gostamos de ir a São Paulo também, que é uma cidade maior, tem mais restaurantes. Gostamos de ir ao cinema, meus filhos já estão na escola e estão gostando de tudo.


O que você vislumbra em relação à seleção da Costa Rica? Pense em disputar mais uma Copa do Mundo?


A minha ideia é disputar mais uma edição da Copa Ouro, que será em junho e julho de 2019, e depois vamos ver. Está chegando um treinador novo na seleção e vamos conversar com ele para saber quais são as suas ideias. A partir daí, quero ajudar em tudo que venha a ser possível.


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