Arena do Santos Futebol Clube terá capacidade para mais de 30 mil torcedores (Divulgação) Uma audiência pública acontece nesta segunda-feira (14), às 18h, no Salão de Mármore do Estádio Urbano Caldeira, na Rua Princesa Isabel, s/nº, na Vila Belmiro. Nela, será apresentado o projeto da nova arena do Santos Futebol Clube e o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) para a sua construção, que deverá durar três anos. A população poderá se manifestar no evento, aberto ao público. Gilberto Coelho, presidente da Sociedade Melhoramentos da Vila Belmiro, afirma que a entidade apresentará um dossiê, elaborado junto aos moradores e comércio local. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo ele, "não é que a entidade seja contra a construção da arena", a Sociedade somente se propôs a ouvir quem mora na Vila Belmiro e reuniu de forma conjunta as questões para apresentar em um documento unificado. Ele diz que há um clima de apreensão no bairro, um dos mais tradicionais de Santos. Em uma reunião recente, e também através de um grupo de WhatsApp, as pessoas se manifestaram. "A Vila Belmiro tem cerca de 8.700 moradores. Ao redor do estádio, as casas são antigas e há poucos prédios", lembra. Gilberto aponta um questionamento recorrente. Atualmente, com a capacidade do estádio em torno de 15 mil lugares, é comum a chegada de veículos - inclusive de ambulantes - no dia anterior, a fim de garantir vaga já que não podem entrar no dia das partidas, pois o acesso é restrito a moradores. Essa prática, alerta, irá se multiplicar. Fluxo maior de pessoas, carros e barulho Além disso, há um fluxo de pessoas muito acima do normal em dias de jogos. "Se já é intenso hoje, com a capacidade atual do estádio, imagine com 30 mil pessoas e um estacionamento subterrâneo gigante embaixo da arena. Estou só imaginando o fluxo de carros para entrar e sair de lá. O trânsito parado e a polícia ou até uma ambulância precisando passar para uma ocorrência. As nossas ruas são estreitas, e não comportam tantos veículos assim", diz um morador, que preferiu não ser identificado. Hamilton Mota, de 63 anos, é comerciante do bairro. Ele diz que, durante a reunião com moradores, foi lembrado que há flanelinhas, brigas de torcida, comércio irregular de ambulantes e que, se atualmente já não há um controle efetivo de acesso, tudo isso deverá dobrar ou triplicar com o novo estádio. Um outro morador também se preocupa com o silêncio característico do bairro. "Estão falando em poder trazer shows para a arena. Atualmente, só com as transmissões de jogos, os caminhões ficam até 3h ou 4h da manhã fazendo muito barulho para desmontar equipamentos e grades, imagine em shows de grande porte. Isso acabará com o nosso sossego não só pela altura do som como, depois, na desmontagem", aponta. Há também dúvidas quanto à própria construção do novo estádio em relação a 'bate-estacas' e trânsito de veículos pesados, e qual impacto isso poderá gerar em imóveis antigos do entorno, além de interrupções no tráfego local. Grupo de gestão Por isso, caso seja aprovada a demolicação do Estádio Urbano Caldeira e a construção da nova arena do Santos no mesmo local, os moradores irão montar um grupo de gestão, que pretende acompanhar todo o processo, desde o início das obras até o funcionamento, quando deverá ser comprovada a garantia de segurança e organização de todo o entorno. O projeto da Nova Vila Belmiro prevê uma arena moderna (Divulgação) A audiência A audiência desta segunda-feira será conduzida pela Comissão Municipal de Análise de Impacto de Vizinhança (Comaiv). Na ocasião, a Sociedade de Melhoramentos entregará um conjunto de reivindicações. Será apresentado pelo Santos o processo de construção da arena, e a Prefeitura levará à população o EIV. O estudo completo está disponível neste link. O projeto da nova arena Orçada em cerca de R\$ 700 milhões e executada pela WTorre, a obra ainda depende da aprovação do estudo pelo Município e da arrecadação via pré-venda de espaços no estádio. O projeto prevê a ampliação da capacidade atual – hoje de 16.068 torcedores – para 30.040 lugares. A nova arena será dividida em quatro setores: Arquibancada, com 20.484 assentos; Arquibancada superior, com 2.655; Deck premium, com 5.306; Camarotes, com 1.595 lugares. Haverá ainda dois andares de estacionamento subterrâneo com capacidade para 265 veículos. É a última etapa O EIV será analisado pela Comaiv, que deve emitir um parecer técnico com base nas contribuições da população e dos órgãos envolvidos. A partir desse parecer, a Prefeitura de Santos decidirá se autoriza ou não a realização do empreendimento. Se aprovado, o projeto segue para nova fase, de licenciamento, incluindo a emissão do alvará de construção, o que libera oficialmente o início das obras. A audiência pública desta segunda-feira é a última etapa de consulta antes da decisão final da Prefeitura pela aprovação ou não da construção da nova arena do Santos.