Pilhado, Neymar reclamou dos companheiros e do árbitro, levou amarelo e chiou ao ser substituído (Thiago Ribeiro/AGIF Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo) Pode soar clichê, mas o Santos tem seis finais pela frente no Brasileirão. Abrindo a zona de rebaixamento, em 17º lugar, com 33 pontos, dois abaixo do Vitória, o Peixe não tem mais margem de erro para escapar do descenso. O time tem a chance de, neste sábado (15), às 21 horas, contra o Palmeiras na Vila Belmiro, em duelo atrasado da 13ª rodada, igualar o número de jogos do time baiano (33) e superá-lo na pontuação, caso vença o clássico. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com 18 pontos em jogo nas seis rodadas que restam, o Alvinegro precisaria, teoricamente, de mais 12 para chegar ao “número mágico” de 45, que até hoje, desde que o Brasileirão passou a ser disputado por 20 equipes, em 2005, só rebaixou um time. O Coritiba, em 2009. Mas diante da briga de foice que virou a parte de baixo da tabela, com aproveitamentos ruins das equipes, é provável que algum time se safe da Série B fazendo menos do que 45 pontos. Independentemente disso, resta ao Santos encarar o clássico como decisão e aproveitar os desfalques do rival (Gustavo Gómez, Sosa, Vitor Roque e Flaco López, convocados para suas seleções, e Andres Pereira, suspenso) para chegar à nona vitória, sair da zona da degola e respirar. Os uruguaios Piquerez, Facundo Torres e Emiliano Martínez ainda podem ser convocados e aumentar as baixas. Mais pedreira pela frente Um triunfo sobre o rival amenizaria a situação do Alvinegro, mas não por muito tempo. No dia 19, também no Alçapão, o Peixe recebe a sensação do campeonato, o Mirassol, que neste domingo (9) derrotou o Palmeiras no Interior, por 2 a 1. Com o Verdão atuando, à exceção do goleiro Weverton, com todos os titulares. Depois, o Santos ainda enfrenta Internacional, no Beira-Rio; Sport, em casa; Juventude, em Caxias do Sul, e Cruzeiro, na Vila Belmiro, na última rodada. Para o clássico contra o Verdão, o técnico Juan Pablo Vojvoda terá o lateral-direito Mayke novamente à disposição. Ele cumpriu suspensão na derrota para o Flamengo e pode retornar ao time, em lugar de Igor Vinícius, que falhou no terceiro gol rubro-negro, ao atrasar uma bola na fogueira. Bruno Henrique aproveitou a bobeira e marcou. Pendurado, Neymar precisa dar exemplo Neymar vai jogar o clássico pendurado. O camisa 10, que voltou ao time titular contra o Flamengo, mostrou destempero durante o jogo no Maracanã. Nervoso, reclamou dos companheiros e do árbitro, sendo punido com o cartão amarelo, o segundo. No intervalo do jogo, falou em arrogância do árbitro Savio Pereira Sampaio, em entrevista ao Premiere. "O árbitro é muito ruim. Com todo respeito, além de ser ruim, é arrogante. Todas as vezes que vamos ao vestiário, falam que com isso aqui (mostrando a braçadeira de capitão) é o único que pode falar com o árbitro. Você vai falar, e ele te dá as costas e sai correndo. Vai, e ele te ameaça", disse. O camisa 10 disse ter sido ameaçado por Sampaio e o ironizou, dizendo que nem sabia o seu nome. "Eu tomei amarelo porque ele me ameaçou. Ele falou: 'Se você chegar perto de mim, eu te dou amarelo'. 'Eu não posso falar com você?'. Porque eu achei que foi falta no Brazão (no lance do primeiro gol do Flamengo)", apontou. "São erros que vêm acontecendo, tem de rever. Mas a arrogância do árbitro de hoje, que eu nem sei o nome, é horrível". Sem ritmo de jogo e pilhado Longe de estar em sua melhor forma física, após 48 dias fora do time por causa da lesão muscular na coxa direita, Neymar não fez um bom jogo. Lento, perdeu divididas, errou passes e se perdeu ao tentar ficar muito tempo com a bola. Mas não deixou de cobrar, até acintosamente, erros de companheiros. E ainda saiu, aos 40 minutos da etapa final, reclamando da substituição. O técnico Juan Pablo Vojvoda minimizou. Curioso que Neymar disse, também na entrevista do intervalo, quando o time perdia por 1 a 0, que para a equipe reagir, era preciso que os jogadores fizessem a bola chegar a ele. Os dois gols santistas, porém, saíram depois que o camisa 10 já havia deixado o campo. Contratado para ser a estrela do time, Neymar vive a pressão de conviver com lesões ao longo da temporada (foram três, que o afastaram mais de 100 dias dos gramados). Sem jogar bem, ele corre sério risco de ficar fora da seleção na Copa 2006. O momento ruim, no entanto, não dá ao astro o direito de agir de forma irresponsável e presunçosa, num dos momentos mais delicados da história alvinegra, à beira de outro amargo rebaixamento. Como capitão e grande jogador que já foi, Neymar precisa dar exemplo. E lembrar que o Santos está acima dele.