Santos e Neymar discutem renovação de contrato, mas o futuro da parceria ainda é incerto (Vanessa Rodrigues/AT) O balanço da segunda passagem de Neymar pelo Santos, que pode terminar no dia 30, quando encerra o vínculo de cinco meses, divide opiniões, gera debates e envolve muitos números. Se no marketing o Peixe ampliou a visibilidade no mercado, com o aumento de seguidores, sócios e mais verbas de patrocínio, esportivamente, o projeto é um fracasso. Além de eliminações em duas competições, cada jogo com o camisa 10 em campo custou R\$ 1,7 milhão ao Alvinegro, levando-se em conta apenas o que Neymar recebe de salário. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os que consideram os ganhos fora de campo mais importantes do que os conquistados dentro das quatro linhas se apoiam em números e cifras. No marketing, o retorno do ídolo rendeu manchetes mundo afora, fazendo o Santos capitalizar milhões de seguidores nas redes sociais e milhares de novos adeptos ao programa Sócio Rei. Os contratos publicitários também ficaram mais robustos. A maior parte do dinheiro, porém, vai para a NR Sports, empresa do pai do camisa 10, que embolsa 75% da verba publicitária dos contratos firmados ou refeitos a partir da volta do astro. O Peixe fica com 25%. Comparado ao ano passado, o Santos teve um aumento de R\$ 66 milhões em patrocínios nesta temporada. Na divisão dos ganhos, o Alvinegro fica com R\$ 16,5 milhões e a NR Sports, com R\$ 49,5 milhões. Nas redes sociais, o Alvinegro saltou de 14 milhões para 24 milhões de seguidores, ficando atrás apenas de Flamengo e Corinthians. O programa Sócio Rei passou de R\$ 2,5 milhões mensais de arrecadação para R\$ 4,2 milhões. No contrato firmado com a NR Sports, o Santos se comprometeu a pagar R\$ 85 milhões à empresa pelos cinco meses de vínculo até o dia 30 de julho. O prazo foi prorrogado até o final do ano e há otimismo no clube para atingir a meta, que pode ser alcançada com a inclusão de outros produtos, como um documentário da Netflix sobre o retorno de Neymar. Em campo, desempenho frustrante. E caro Em campo, no entanto, o desempenho de Neymar ficou muito aquém da expectativa. Era certo que o camisa 10 teria dificuldades para emendar uma sequência no time, em razão do longo tempo de inatividade após as lesões. Mas o que Neymar entregou em campo foi decepcionante. O craque entrou em campo em apenas 12 das 27 partidas oficiais que o Peixe fez até aqui na temporada. Foram sete jogos no Paulistão, um na Copa do Brasil e quatro no Brasileirão. No total, 718 minutos em campo, média de quase 60 minutos por jogo. Os números de gols e assistências também são frustrantes. Três em cada quesito, todos no Estadual, campeonato de menor relevância. Gols contra times modestos, como Água Santa e Internacional de Limeira, ambos rebaixados no Paulistão. E outro diante do Red Bull Bragantino, nas quartas de final do Estadual, quando ele sofreu a primeira lesão muscular na coxa esquerda. Neymar não disputou o primeiro jogo da terceira fase da Copa do Brasil contra o CRB, na Vila Belmiro. Mas atuou durante 29 minutos na partida de volta, na vexatória eliminação para o time alagoano, nos pênaltis, em jogo disputado, ironicamente, no Estádio Rei Pelé, em Maceió. No Brasileirão, Neymar não deu o ar da graça. Foram apenas quatro aparições, contra Fluminense, Atlético-MG, quando teve a segunda lesão muscular na coxa esquerda, Vitória e Botafogo. Sem assistência, nem gol, o ídolo ainda protagonizou expulsão bizarra contra o alvinegro carioca, no segundo tempo do jogo de domingo (1), na Vila. Ao invés de tentar o cabeceio dentro da área, quando poderia ter sofrido pênalti, meteu a mão na bola, levando o segundo cartão amarelo. Neymar poderia ter saído como herói, numa vitória que tiraria o Peixe da zona de rebaixamento, mas posou de vilão. Naquele que pode ter sido o último jogo com a camisa santista, num final de passagem melancólico pela Vila. E caro. Levando-se em conta apenas o salário mensal de R\$ 4,1 milhões pago pelo Santos, Neymar vai receber R\$ 20,5 milhões pelos cinco meses de contrato. Dividindo o montante pelos 12 jogos em que esteve em campo, o Alvinegro desembolsou R\$ 1,7 milhão por partida. Muito dinheiro para pouca bola.