Na grande final de 1995 do Campeonato Brasileiro, o Santos enfrentou o Botafogo (Estadão Conteúdo) Em 1995, o VAR sequer era pensado, mas se houvesse o uso da tecnologia naquele ano, a final do Campeonato Brasileiro, entre Santos x Botafogo poderia ter um desfecho completamente diferente. No último dia 17 de dezembro, a decisão do campeonato completou 30 anos e ainda está presente na memória do torcedor santista que tem um sentimento de orgulho pela campanha do time, mas de tristeza por conta da derrota na final. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na metade da década de 90, o Santos já vivia um tabu de 11 anos sem títulos, a última conquista havia sido o Campeonato Paulista de 1984. O título do Campeonato Brasileiro de 1995 parecia algo distante, mas tudo mudou com a chegada do técnico Cabralzinho ainda na quarta rodada da competição. Ele deu um padrão ofensivo para a equipe que conseguiu a classificação para o mata-mata com a melhor campanha do campeonato. Ao todo, foram 23 jogos com 14 vitórias, 4 empates e 5 derrotas. Semifinal O Santos enfrentou o Fluminense na semifinal e no primeiro jogo realizado no Maracanã, o Tricolor conseguiu aplicar uma goleada por 4 x 1. Parecia ser o fim para o Santos, mas no jogo da volta, no Pacaembu, o time conseguiu uma virada história pelo placar de 5 x 2. A partida teve uma apresentação de gala de Giovanni que marcou dois gols e deu três assistências. Além disso, o time não desceu para o vestiário no intervalo, ficando no centro do campo, recebendo o apoio da torcida, em um dos momentos mais marcantes da história do clube. O atacante Jamelli, que havia sido expulso no primeiro jogo, viu a partida das cadeiras e destacou a entrega do time que não desistiu da classificação em nenhum momento. “A gente jogava para frente. Apesar do resultado adverso no Rio de Janeiro, todos acreditavam. A torcida que lotou o Pacaembu também teve papel fundamental nesta virada”, salienta Jamelli. Decisão Na grande final, o Santos enfrentou o Botafogo. No jogo de ida no Maracanã, o time carioca venceu pelo placar de 2 x 1. Como o Santos já havia conseguido reverter uma desvantagem na semifinal, o clima era de confiança entre os torcedores. No jogo da volta, o Santos foi a campo com os seguintes jogadores: Edinho, Marquinhos Capixaba, Ronaldo, Narciso e Marcos Adriano; Carlinhos, Marcelo Passos, Jamelli e Robert; Giovanni e Camanducaia. Aos 24 minutos, Túlio Maravilha em posição irregular abriu o placar para o Botafogo e o resultado permaneceu assim durante todo o primeiro tempo. O Santos conseguiu o empate logo no início da etapa complementar também com um gol irregular: Marquinhos Capixaba ajeitou a bola com mão e Marcelo Passos aproveitou a sobra para balançar a rede do goleiro Wagner. Como o Peixe tinha a melhor campanha, faltava apenas um gol para o título e a partida ganhou contornos dramáticos. Aos 34 minutos do segundo tempo, Camanducaia aproveitou o cruzamento e subiu de cabeça para marcar o gol. No entanto, o árbitro Márcio Rezende de Freitas contrariou a decisão do bandeirinha e assinalou impedimento de forma equivocada. Após o lance, o Botafogo conseguiu segurar o Santos nos minutos finais e ficou com o título. Três décadas depois da decisão, Jamelli ainda lamenta os erros do árbitro e diz que o time deixou tudo em campo naquele dia do Pacaembu. “Além dos erros do árbitro, o Botafogo também fez uma grande partida. O goleiro deles conseguiu fazer grandes defesas. Teve uma falta no segundo tempo que ele com a mão trocada fez uma ponte e evitou o nosso gol”, cita Jamelli. Legado Jamelli salienta o legado que a geração de 1995 deixou para o Santos, afinal mesmo sem o título, o time marcou história. “É muito bom ver o carinho do torcedor com a gente, três décadas depois, as pessoas continuam nos agradecendo pela nossa entrega e dedicação ao clube”. O ex-jogador também diz que a campanha de 1995 contribuiu para o retorno do Santos ao protagonismo do futebol brasileiro. Nos anos seguintes, o time conseguiu investir em infraestrutura, com a modernização da Vila Belmiro, o CT Rei Pelé e ainda conquistou dois títulos: Torneio Rio-São Paulo, em 1997, e Copa Conmebol no ano de 1998.