Aos 10 anos, Gabigol (no centro) era ainda apenas Gabriel ou Gabriel Barbosa, mas já era apontado como um dos jogadores de futuro promissor no Santos (Walter Mello/Arquivo AT) O futebol costuma ser guiado por ciclos de retorno, e, no Santos, essa lógica é ainda mais evidente diante da histórica força e da constante cobrança sobre as categorias de base. Há exatos 20 anos, em 2006, o Peixe, então presidido por Marcelo Teixeira, apostava em um trio ofensivo que simbolizava o futuro do clube. Dois deles voltam a dividir os holofotes agora: Neymar e Gabigol (na época conhecido como Gabriel ou Gabriel Barbosa). O terceiro era Jean Carlos Chera, que acabou deixando o clube ainda jovem e se aposentou precocemente do futebol. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em agosto daquele ano, A Tribuna acompanhou um encontro que entrou para a história e que o tempo tratou de tornar ainda mais emblemático. “Vi os três meninos no futsal e no campo e posso dizer que são ferinhas mesmo. São joias que o Santos tem a esperança que se tornem grandes estrelas”, afirmou à época José Ely de Miranda, o Zito, então gerente de futebol do Alvinegro e eterno capitão do time histórico dos anos 1960. Gabigol era o mais novo do trio, com apenas 10 anos. Recém-chegado ao Santos, após passagens pelo futsal de clubes de São Bernardo do Campo, sua cidade natal, e pelo São Paulo, já atuava de forma precoce no sub-12 do futebol de campo. “Sou santista desde que comecei a jogar. É um sonho estar no Santos”, disse na época. Sonhava, como muitos jovens, em defender Barcelona e Real Madrid. Na Europa, passou por Internazionale, da Itália, e Benfica, de Portugal, sem grande destaque. No Brasil, porém, construiu carreira sólida, virou ídolo no Santos, brilhou no Flamengo e, antes do segundo retorno à Vila Belmiro, defendeu o Cruzeiro. Neymar, o mais velho, tinha 14 anos e já estava havia dois anos e meio no clube. Mesmo com interesse do Real Madrid, permaneceu no Santos e construiu uma das trajetórias mais vitoriosas da história recente do Peixe. Entre 2010 e 2012, conquistou seis títulos, incluindo três Campeonatos Paulistas, uma Copa do Brasil, uma Libertadores e uma Recopa Sul-Americana. “Sonho em ser o melhor jogador do mundo”, projetava em 2006. O auge veio no Barcelona, ao lado de Messi, e depois no Paris Saint-Germain. Após passagem frustrada pelo Al-Hilal, da Arábia Saudita, Neymar retornou ao Santos em 2025 e renovou contrato até o fim de 2026. Já Jean Carlos Chera, então com 11 anos, era tratado como uma das maiores promessas do clube, mas deixou o Santos aos 16 antes de se profissionalizar. Após idas e vindas no futebol, encerrou a carreira aos 23 anos, tornando-se símbolo de como nem todas as apostas da base conseguem se consolidar no cenário profissional.