Após 24 anos de parceria como auxiliar de Tite, Cleber Xavier chega ao Santos para o primeiro trabalho como técnico (Vanessa Rodrigues/AT) Em seu primeiro trabalho como técnico, depois de uma parceria de 24 anos como auxiliar de Tite em vários clubes e na seleção brasileira, Cleber Xavier foi apresentado no Santos na tarde desta quarta (30), na Vila Belmiro. No primeiro desafio da carreira solo, o gaúcho terá a missão de fazer o Peixe sair da incômoda zona de rebaixamento do Brasileirão, desvencilhando-se da imagem de fiel escudeiro do ex-técnico da seleção, e ajudar na recuperação de Neymar, que ele conhece bem, dos quase sete anos que trabalhou com o craque no time nacional. Xavier, que deve estrear no comando do Alvinegro nesta quinta (1º), às 18h, contra o CRB, no jogo de ida da terceira fase da Copa do Brasil, na Vila Belmiro, refutou as especulações de que ele, que chegou com dois ex-membros da comissão da seleção, o auxiliar Matheus Bachi, filho de Tite, e o preparador físico Fábio Mahseredjian, poderia dar lugar ao ex-parceiro futuramente, caso Tite decidisse voltar a trabalhar. “Minha decisão é seguir carreira solo. Tite iria ao Corinthians e eu não iria com ele.Sou profissional de 24 anos de parceria com ele, poderia ter tomado a decisão antes. Mas pela relação, espaço e confiança, continuei fazendo a função por me sentir bem. Mas a partir do momento que tomo a decisão (em outubro), não tem como voltar atrás. Fui acolhido pelo presidente Marcelo (Teixeira), Pedro (Martins, diretor-executivo), para começar o trabalho num clube gigante. O (César) Sampaio, Serginho (Chulapa), tenho relação muito forte com o Clodoaldo, outro fenômeno, viajou conosco na seleção. É uma decisão minha, começo num grande clube, cheguei para ficar. Espero renovar meu contrato”, cravou Xavier, que tem, junto com sua comissão, contrato até dezembro. Comparações com Tite O longo tempo de trabalho com Tite fez com que o novo comandante santista falasse sobre o peso das comparações em relação ao seu trabalho solo. “É inevitável que vá acontecer. São 24 anos de parceria. Um cara que tenho relação muito forte, me deu espaço para comandar equipes grandes e seleção brasileira. Não tenho como temer. Ficarei contente se eu, nessa carreira, conquistar metade dos títulos que conquistamos, apresentando futebol como apresentamos. Espero conseguir isso, me proponho a isso. Nos últimos 17 anos trabalhamos em quatro lugares. Inter, Corinthians, seleção e Flamengo. Não é cultura do Brasil, permanecemos pelo trabalho bom, conquistando e, principalmente, com boa gestão dos atletas e estafe. Uma unidade que quero pregar no Santos. Se eu conseguir isso, a comparação com ele vai ser inevitável pelo lado positivo. E é isso que eu espero”. Apesar da relação profissional e pessoal de longa data, Cleber Xavier disse que a última vez que falou com Tite foi na Páscoa. Hoje, no entanto, ele recebeu mensagem do amigo. “Tomei a decisão em outubro de seguir a carreira solo. Conversei em novembro com o Tite. Falamos muito pouco desde então, a última vez na Páscoa, antes do problema de saúde (o técnico revelou ter crise de ansiedade). Recebi uma mensagem hoje (quarta) de manhã e fiquei muito feliz. Por sentir ele bem na voz”. E o Neymar? Numa entrevista ao ge, no final do ano passado, Cleber Xavier disse que não via Neymar de volta ao Brasil, acreditando que o jogador poderia retornar a algum clube europeu nesta temporada. Demonstrando felicidade em ter errado a previsão, ele encheu a bola do camisa 10, que se recupera de lesão muscular e não tem previsão de volta ao time. “Errei, né? Imaginava outra coisa. Estava se recuperando e achei que continuaria lá, com intenção de voltar à seleção. Ele voltou para o clube que ama, feliz, os atletas estão muito felizes com ele, comissão idem. Trabalhamos juntos por seis anos e meio. Sempre me perguntam, é um ídolo, um dos maiores dos últimos anos. Me perguntam sobre Neymar ser problema. Nunca, nenhuma vez, sempre foi solução. Dentro e fora de campo. O primeiro jogador que encontrei (no Santos) foi ele, disse que está feliz por estar comigo e eu também estou”. Ansioso em poder contar com o craque, Xavier falou sobre as qualidades do jogador e a forma como Neymar atuava na seleção. “Volto um pouco no tempo, de quando conhecemos o Neymar. Via na TV e trabalhamos com ele, pegamos como externo esquerdo no Barcelona, jogou assim na seleção. Aí entra por dentro como meia de aproximação, não armador. Tite chamava de arco e a flecha ao mesmo tempo, organizava e finalizava. Jogador diferente. Joga assim há muito tempo e hoje o enxergo assim. Temos que pensar jogo a jogo, só penso nele falando com ele. Uma das funções como treinador é melhorar o jogador, mesmo um grande jogador como o Neymar. Que se encontre bem dentro de campo e vamos conversar quando chegar o momento”.