Mesa-tenista Israel Pereira Stroh é de Santos e foi condenado por apostas e corrupção (Sportida/ ITTF) O mesa-tenista paralímpico Israel Pereira Stroh, natural de Santos, no litoral de São Paulo, foi suspenso do esporte por quatro anos após decisão do Tribunal da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF). De acordo com informações publicadas no site oficial da entidade, o atleta foi considerado culpado por conduta corrupta e por realizar apostas em partidas da modalidade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a ITTF, a decisão foi proferida em 26 de dezembro de 2025, após investigação conduzida pela Unidade de Integridade da federação, que atua de forma operacionalmente independente. O Tribunal entendeu que ficou comprovada uma conduta corrupta antes da final de duplas masculinas da classe MD14 do ITTF Polish Para Open 2024, disputada em 29 de março daquele ano, além da prática de apostas extensivas em jogos de tênis de mesa. Ainda conforme a entidade, foram identificadas 68 apostas realizadas por Stroh entre março de 2022 e abril de 2024, o que configura violação ao Código de Ética da ITTF. As infrações se enquadram nos artigos 6.9.2.3.1 e 6.9.2.1.1 do regulamento vigente em 2024. As sanções aplicadas pelo Tribunal foram de dois anos de inelegibilidade pela conduta corrupta e outros dois anos pelas violações relacionadas às apostas. As penalidades foram somadas, totalizando quatro anos de suspensão, já considerados seis meses de suspensão provisória anteriormente cumpridos. Com isso, o atleta permanece suspenso até 26 de junho de 2029. Trajetória e processo disciplinar Israel Pereira Stroh nasceu em Santos, em 6 de setembro de 1986, e é atleta paralímpico do tênis de mesa. Ele participou das últimas três edições dos Jogos Paralímpicos e conquistou a medalha de prata no Rio de Janeiro em 2016. Israel nasceu com paralisia cerebral, condição que afeta de forma moderada os membros inferiores e levemente os superiores, diagnóstico que só foi confirmado aos 24 anos. Antes de investir integralmente no esporte paralímpico, Stroh teve carreira no jornalismo, área em que se formou em 2009, com passagens por redações e assessorias. De acordo com a ITTF, a denúncia que deu origem ao processo foi recebida em 12 de abril de 2024, relacionada à conduta do atleta no Aberto Polonês. Entre 17 e 28 de maio daquele ano, testemunhas foram ouvidas por um investigador externo, com apoio da Unidade de Integridade. O jogador foi entrevistado em 31 de maio de 2024, acompanhado por um advogado. Em agosto de 2024, a Unidade de Integridade emitiu uma notificação de acusação alterada e solicitou a imposição de uma suspensão provisória, que foi determinada pelo Conselho de Integridade da ITTF por seis meses. O atleta recorreu da medida ao Tribunal da ITTF, sem sucesso. Na sequência, em 26 de agosto de 2024, Stroh apresentou recurso ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), que suspendeu provisoriamente a sanção em decisão liminar, permitindo sua participação nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024. Ele disputou partidas de duplas no dia 30 de agosto e jogos individuais em 2 de setembro. Posteriormente, em 6 de janeiro de 2025, um painel do CAS rejeitou o recurso do atleta contra a suspensão provisória e determinou o restabelecimento da penalidade, prorrogada até 1º de julho de 2025, considerando o período já cumprido. Recurso em andamento Após audiências remotas realizadas em 30 de setembro e 1º de outubro de 2025, o Tribunal da ITTF proferiu a decisão final de mérito, impondo a suspensão de quatro anos. Em 15 de janeiro de 2026, conforme informou a federação, o atleta apresentou nova declaração de apelação ao CAS, acompanhada de um pedido de medidas provisórias para suspender os efeitos da sanção até o julgamento definitivo do recurso. A ITTF ressalta que, conforme seus regulamentos, a decisão permanece em pleno vigor até eventual deliberação do CAS. A entidade também informou que optou por não publicar, no momento, a íntegra da decisão escrita do Tribunal, aguardando a conclusão total do processo de recurso.