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Sexta-feira

19 de Julho de 2019

Semifinalista em Margaret River, Caio Ibelli dá a volta por cima com motorhome e treinos

Na última etapa disputada no Circuito Mundial de Surfe, o surfista guarujaense voltou ao lugar onde quebrou o pé, no ano passado, e foi o único brasileiro na penúltima fase

Um ano após ter quebrado o pé direito em decorrência de uma manobra feita durante treino em North Point, na Austrália, às vésperas da etapa de Margaret River, do Circuito Mundial de Surfe, Caio Ibelli voltou ao lugar onde teve início um árduo período de sua carreira. Desta vez, porém, a sorte esteve ao seu lado, e ele foi o único brasileiro a alcançar a semifinal. Mas o sucesso não foi por mero acaso.

Em conversa com A Tribuna On-Line, o atleta, nascido em Guarujá, chamou atenção para a preparação feita para competir em Margaret River. Ele contou que alugou um motorhome e acampou no estacionamento do campeonato. "Este ano, eu estava competindo muito tranquilo. Ninguém observou aquelas condições mais do que eu. Foi uma das melhores experiências da minha vida", relatou ele, que ainda descreveu a etapa como incrível.

O brasileiro e sua esposa, a havaiana Alessa Quizon, em frente ao motorhome alugado (Foto: Divulgação/Caio Ibelli)

 

 

 

A estreia de Caio acabou não sendo das melhores. O guarujaense perdeu em sua bateria na primeira fase e teve que disputar repescagem. Nesta, se garantiu e prosseguiu na disputa. Para chegar a semifinal, ele superou Gabriel Medina, o americano Kelly Slater e o sul-africano Jordy Smith.

"Depois de tudo o que aconteceu nesse evento, acho que Margaret foi o maior levante da minha carreira. Ganhar do Slater, Medina e Jordy foi um dos maiores highlights. Deus é muito justo. Às vezes, ele tira. Porém, quando nos dá, vem em dobro", comentou Caio.

Na penúltima fase, o surfista da Baixada Santista acabou sendo eliminado pelo que viria a ser campeão da etapa, o havaiano John John Florence. Nas redes sociais do brasileiro, muitos fãs e espectadores reclamaram do resultado. "Cabeça erguida. Você venceu a semifinal, só que foi desvalorizado. Foi clara sua vitória", escreveu um usuário do Instagram. "Garfaram bonito! Você mereceu!", disse outro.

Equilibrado, o embate na água entre os dois foi marcado por ondas decisivas no fim da decisão. "John John surfou muito bem a bateria, eu também. O surfe é um esporte subjetivo. É difícil falar quem ganha e quem perde. Os juízes, infelizmente, acharam que eu perdi", comentou Caio.

Ter chegado à semi pela segunda vez em todas suas participações no Circuito Mundial, porém, foi a volta por cima após ter uma série de acontecimentos que sucederam sua lesão, no ano passado. O surfista não perdeu só quase todas as etapas do CT de 2018, como também ficou sem seu patrocinador principal após 15 anos de parceria. Ele ainda foi surpreendido com a notícia de que não teria direito a uma das duas vagas de 'injury wildcard' este ano. 

"Não me surpreendi [em ter ido longe]. Me preparei muito para isso. Sabia que era natural o tempo de reabilitação para voltar ao normal. Depois de tudo que passei, com certeza, teve um gostinho melhor. Se Deus quiser, estarei na próxima etapa, no Rio, representando nossa bandeira. Vou treinar bastante para mostrar um bom surfe", assegurou Caio.

O guarujaense nas águas de Margaret River (Foto: Divulgação/WSL)