EDIÇÃO DIGITAL

Sexta-feira

5 de Junho de 2020

Edgard Groggia pede passagem para a elite do surfe

Paulistano radicado na Baixada Santista corre o Qualifying Series pela primeira vez na carreira sonhando em ser mais um raio na tempestade brasileira

Com quatro títulos mundiais dos últimos seis disputados, o Brasil se consolidou como a nova força do surfe. E, para desespero dos gringos, essa hegemonia pode durar anos, já que outros surfistas pedem passagem para chegar à elite. Um deles é Edgard Groggia.

Paulistano de nascimento e “adotado” pela Baixada Santista, ele vai correr o Qualifying Series (QS) pela primeira vez na carreira. A temporada, aliás, promete uma série de novas experiências para Groggia.

Ele está em Fernando de Noronha, onde vai estrear nos tubos perfeitos da ilha pernambucana, no Oi Hang Loose Pro Contest, uma das etapas brasileiras da divisão de acesso mundial, que pode começar hoje, dependendo do swell.

"É a mistura de um milhão de sentimentos, felicidade, ansiedade... Não vejo a hora de estar com a molecada, competir com eles. Vai ser irado”, disse o surfista de 23 anos.

Após ficar fora de competições durante um tempo por falta de patrocínio, Edgard comemora o apoio que conseguiu, dentro e fora da água, para projetar uma temporada intensa em 2020. 

"Serão várias etapas em lugares distantes, mas graças a Deus estou com a agência The One, o empresário Marcelo, patrocínio da Natural, o técnico Pedrinho Souza e a equipe do Centro de Treinamento de Santos. Com esse suporte, agora é ir pra cima”, decreta. 

Inspiração no trio 

A relação de Edgard com o surfe começou cedo, quando a família se mudou de São Paulo para Itanhaém, no Litoral Sul. “Meu pai era fissurado por surfe e me colocou na água aos 3 anos. Com 6 anos corri a categoria petit no Hang Loose Surf Attack, em Guarujá, e foi ali que descobri o que queria levar pra minha vida”, conta.

Aos 8, ele entrou para a equipe Oakley, onde ficou dez anos e foi campeão paulista e brasileiro. Aos 18, profissionalizou-se, mas enquanto via amigos mais velhos, como Caio Ibelli e Jessé Mendes, correndo no QS, ele, sem patrocínio, competia apenas no Brasil. 

Superada a fase flat da carreira, Groggia sente que o momento, agora, é de decolar. Assim como ele faz na água, com seus aéreos que rendem boas notas dos juízes e vídeos que fazem sucesso nas redes sociais. 

A inspiração para surfar cada vez melhor e acumular o máximo de pontos possível nas etapas do QS e carimbar uma vaga à elite em 2021 vem de três feras do surfe nacional. 

“Me espelho muito no Felipe Toledo. Na performance, curvas, velocidade e aéreos, um dos melhores do mundo. Na competitividade do (Gabriel) Medina, que é muito absurda, o cara é uma máquina. E na garra do Ítalo (Ferreira)”. 

Cheio de gás para encarar o primeiro desafio do ano, nas potentes ondas de Noronha, Groggia quer mais é que o tempo feche. E que a Brazilian Storm (tempestade brasileira), que há anos abala o circuito mundial, continue. “O surfe brasileiro tá em alta, em nível que nunca esteve antes. Quero entrar no jogo também”. 

Tudo sobre: