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Segunda-feira

20 de Maio de 2019

Destaque do pedestrianismo regional recorda infância dura e fala sobre incentivo no esporte

Ivanilda Maninha, de 43 anos, começou no atletismo tardiamente e hoje concilia o esporte de alto rendimento com seu emprego, de diarista

É comum que o esporte apareça de forma inédita na vida de atletas de ponta na infância ou na fase da adolescência. Não foi o caso de Ivanilda Maninha, de 43 anos, do pedestrianismo. A corredora, nascida em Missão Velha, no interior do Ceará, representa a cidade de Santos em jogos regionais da modalidade e foi apresentada à modalidade de alto rendimento quando já tinha mais de 30 anos de idade.

Em conversa com a Tribuna On-Line, a pedestrianista relembrou sua primeira prova, em 2008. "Comecei no atletismo nos 10 km da Tribuna FM daquele ano. Apesar de ter iniciado tarde, penso que não tem idade quando você quer alguma coisa e tem sonhos. Acho que já nasci com esse dom de correr. Comecei tarde, mas acredito que é o destino", afirmou ela, que diz se sentir mais jovem por conta da prática esportiva.

Em 2017, Ivanilda foi campeã do Campeonato Santista de Pedestrianismo. No ano passado, ela ficou com o vice-campeonato. Hoje, ela veste a camisa da equipe Santos/Memorial/Fupes, que a dá todo o suporte que ela precisa para competir. No entanto, a ajuda não é o suficiente para subsidiar seus gastos diários relacionados ao pedestrianismo. "Ser atleta custa caro, e eu estou sempre buscando ajuda financeira e outros patrocínios que possam me ajudar, porque não tenho condições de pagar tudo", contou.

A atleta divide uma rotina pesada de treinamentos com seu emprego. Ela trabalha em uma casa de família como diarista durante a tarde, enquanto pela manhã e à noite, ela se dedica ao atletismo. "Ainda faço academia para fortalecer os músculos e faço treino de força. É muito puxado, mas vale a pena, porque é o que eu amo fazer", falou também.

Infância sofrida e sonhos

Ivanilda migrou do Ceará para a Baixada Santista em 1991. Ela recordou sua infância dura vivendo sob condições humildes, equivalentes à realidade de muitos brasileiros: "Eu trabalhava na roça quando era pequena. Comecei a ir com oito anos. Tive uma vida bastante sofrida desde a infância. Eu deixava de ir para a escola para ir trabalhar, e só pude terminar meus estudos quando vim para São Paulo".

Agora, ela sonha em poder ingressar na faculdade de Fisioterapia e até chegou a prestar vestibular recentemente, mas aguarda uma oportunidade e um momento financeiro que a possibilite de entrar no meio acadêmico e continue estudando.

Enquanto isso, ela mantém sua atenção voltada para as pistas. "Eu amo a corrida. Não consigo mais parar. A vida muda totalmente depois que você começa a correr. Minha qualidade de vida é outra", finalizou.