EDIÇÃO DIGITAL

Sexta-feira

20 de Setembro de 2019

Boxe transforma vida de santista com características de autismo

Ibero Eskelsen, de 28 anos pratica esporte há uma década. Pais comemoram autonomia

Chega a ser clichê falar que o esporte muda vidas e traz benefícios aos praticantes. Mas histórias como a de Ibero Eskelsen, de 28 anos, reforçam dia a dia esse conceito. Hoje no boxe, ele, que está no espectro autista, se dedicou a várias modalidades desde pequeno e colhe os frutos da prática esportiva.

Apesar de nunca diagnosticado clinicamente, o jovem de Santos apresenta características associadas a pessoas com autismo e até hoje tem acompanhamento de profissionais de saúde. Além dos cuidados clínicos, o esporte foi uma ferramenta importante para seu desenvolvimento.

A escolha pelo boxe não teve razão especial, inicialmente. Mas logo o esporte se tornaria o preferido de Ibero, que fora das academias tem rotina cheia. Acorda às 5h30 todos os dias, trabalha em uma farmácia e, à noite, faz aula de teatro.

De todos os benefícios que a prática lhe traz, Ibero destaca uma: a melhoria na respiração. Seu pai, o eletricista Ibero Vasconcelos, observa outras vantagens. “Ajudou em bastante coisa, como a coordenação. Antes, ele não sabia pular corda, agora parece um pugilista profissional”.

O boxe e os dias atarefados consomem a energia do jovem, o que a mãe, a dona de casa Cláudia Eskelsen, aprova. “Ele sempre foi hiperativo, então quanto mais energia gastasse no esporte, melhor. E acho que dificilmente há um que demande mais que o boxe”.

Vantagens

Quem corrobora a fala dela é André Santos, professor de Ibero no pugilismo há mais de um ano. “O diferencial é que o boxe faz funcionar todas as partes do corpo. Melhora a parte cardiovascular, dá condicionamento, desenvolve a coordenação motora e alivia o estresse”.

Outro benefício dos esportes a Ibero é a interação social. “Sem dúvida ajuda. Isso também vem do teatro”, opina Cláudia. André conta que o aluno logo se deu bem os colegas de turma. “Quando chegou, ele era bem reservado, na dele. Depois, o pessoal foi pegando amizade, ele começou a se soltar, falar com todo mundo. Agora ele é bem comunicativo e todos gostam dele”.

“Hoje, o boxe é muito importante para mim. É aqui que consegui novos amigos”, comemora o jovem.

História e rotina

O boxe está na vida de Ibero há dez anos. Foi ele quem sugeriu aos pais começar na modalidade. “Foi quando procuramos um lugar do qual ele teria autonomia para ir e voltar sozinho. Começou e não parou mais, pois gosta de fazer. Não preciso ficar mandando”, diz a mãe. 

Ela acompanha a rotina esportiva do filho desde os primeiros anos. “Já fazia natação desde os 11 meses. Depois, foi para o basquete, em seguida para capoeira. Já fez quase todos os esportes”.

A prática esportiva e as demais atividades desenvolveram a autonomia de Ibero, diz Cláudia. “A primeira academia era perto de casa, então ele ia sozinho, apesar de ser dependente de nós (ela e o pai) na época. Hoje, contudo, ele tem autonomia, vai e volta de ônibus do trabalho igual a qualquer um”.