Augusto Melo é alvo do terceiro pedido de impeachment no Corinthians (José Manoel Idalgo/Ag. Corinthians) O presidente do Corinthians, Augusto Melo, voltou a ser alvo de um novo pedido de impeachment, desta vez motivado pela reprovação das contas referentes ao exercício de 2024. A solicitação foi apresentada após o Conselho Deliberativo do clube não aprovar o balanço financeiro do ano. Empossado em janeiro do ano passado, o dirigente já responde a outros dois processos semelhantes em andamento no Parque São Jorge. A nova representação foi protocolada por Paulo Roberto Bastos Pedro, conselheiro integrante do Cori (Conselho de Orientação), órgão responsável pela fiscalização administrativa do clube. O pedido agora será avaliado segundo as regras previstas no estatuto do Corinthians. O conselheiro justifica o processo com base em infrações legais e estatutárias, destacando o déficit de R\$ 181,8 milhões e o aumento expressivo do endividamento da instituição. O documento, ao qual o jornal Estadão teve acesso, argumenta que as finanças do clube mostram sinais de gestão temerária, com diversos indícios de irregularidades administrativas. O pedido se apoia nos artigos 106, C, D e E do estatuto do Corinthians, que permitem a destituição de dirigentes em casos como reprovação de contas, violação de normas internas ou prática de atos de má gestão. Paulo Roberto é membro da Chapa 82 – Movimento Corinthians Grande, grupo político influente no clube e que apoiou Augusto Melo nas eleições de 2023. A perda de apoio dessa ala demonstra o enfraquecimento da base aliada do presidente, que tem enfrentado crescente pressão desde o início de sua gestão. A reprovação das contas é considerada um dos principais gatilhos para o avanço do processo de impeachment. A Lei Geral do Esporte também é citada no pedido como respaldo legal para responsabilização de dirigentes que cometam atos de gestão irregular. O texto da legislação prevê sanções administrativas, civis e até penais para gestores que causem prejuízos financeiros a entidades esportivas. A denúncia feita por Paulo Roberto amplia a crise política vivida pelo clube neste início de 2025. Além deste novo pedido, Augusto Melo já enfrenta outras duas tentativas de destituição. A primeira foi relacionada ao escândalo do contrato com a empresa Vai de Bet, e a segunda teve como base a falta de transparência na divulgação das informações financeiras. Um levantamento do próprio Cori apontou um crescimento de R\$ 829 milhões no passivo do Corinthians durante o primeiro ano da gestão atual. A dívida total do clube, segundo o balanço oficial, já ultrapassa R\$ 2,4 bilhões.