Vicente Cascione encerra série de entrevistas de A Tribuna com candidatos a prefeito de Santos

Ex-deputado federal é candidato a prefeito pela quarta vez, dessa vez pelo PROS

Vicente Cascione (Pros) é o 16o candidato à Prefeitura de Santos e encerra a série de entrevistas feita por A Tribuna com os postulantes ao Executivo. Se eleito, o advogado afirmou que tem credibilidade para conseguir atrair recursos federais e internacionais para fazer as grandes intervenções necessárias no Município. Cascione defende a revitalização a região central, pretende valorizar os servidores, quer dar uma atenção especial para o setor da educação e vai cobrar do Governo do Estado um maior efetivo da PM à cidade.

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Se o senhor for eleito, qual será a prioridade do mandato?

A prioridade do meu governo é primeiro saber qual é dívida real da Prefeitura, quanto tem no cofre e quanto foi para o ralo. A prioridade é buscar recursos na esfera federal e no plano internacional para fazer frente às prioridades. As grandes carências da didade não podem ser atendidas por um orçamento de uma cidade que está com os cofres vazios e, portanto, eu preciso buscar esses recursos para poder fazer uma gestão grande. O resto é conversa de campanha, discurso de campanha.

 

Esses recursos serão utilizados para resolver quais prioridades?

A primeira é tirar da pré-história uma grande área da cidade, que tem quase 30 mil pessoas vivendo nas palafitas e nos diques. A segunda prioridade é dar a Zona Noroeste o nível acima do mar, isto é, aquilo que o Santos Novos Tempos prometia. Vieram 80 milhões de dólares para o estudo e para a intervenção que deveria ter sido feita na Zona Noroeste. Esse dinheiro desapareceu e o Banco Mundial, que tinha dado esse dinheiro, parou de dar, porque sabe que há ralos na cidade de Santos há várias gestões, ralos para onde vão os recursos que tinham que ser destinados às intervenções importantes na cidade. Tenho condição de buscar esses recursos, porque eu tenho trânsito internacional.

 

O fato do Santos Novos Tempos não ter sido concluído não arranha a credibilidade da cidade para buscar esses recursos?

Tanto isso é verdade que eu conversei com pessoas do BID e do Banco Mundial com quem eu tenho relacionamento, conversei com chefes de Estado da Europa com quem eu tenho relacionamento. Sou uma pessoa que tenho uma vida acadêmica e uma atividade política internacional, quando era deputado federal. Eu me relacionei com pessoas importantes do mundo, inclusive na área de financiamento para grandes obras sociais e de calamidade, inclusive. Eles disseram: o dia em que você for prefeito, nós vamos ajudar Santos. Por enquanto, o retrospecto é inconfiável e a sua pessoa tem credibilidade e isso eu fico honrado. Isso foi o que plantei e estou colhendo agora em termos de respeitabilidade.

 

Qual é a sua ideia para resolver essa questão habitacional?

Elas não podem ficar onde estão e já não deveriam estar há muito tempo. Para onde vão, primeiro vamos ver a disponibilidade delas ficarem ali, mas aquela área precisa ser urbanizada e ter saneamento básico. Por isso, digo que não é uma obra para ser feito com dinheiro da Prefeitura e quem fala o contrário está mentido. Se a ocupação existe, você a transforma no mesmo espaço com habitações decentes e não desloca ninguém para longe dali, só enquanto faz a intervenção no local.

 

Quais são os seus planos para a área central?

Estou muito à vontade para falar, porque estou há mais de 50 anos no Centro. Vi o Centro ir acabando e só eu pedi a intervenção de coisas necessárias ao Beto Mansur em oito anos, ao (João Paulo) Papa em oito anos e ao governo atual, mas nem respondido fui. Eles não tomam conhecimento naquilo que é de interesse deles. O interesse deles é 180 graus oposto aos interesses da cidade em muitos aspectos, a começar pelos armazéns do Valongo, que estão em ruínas. Eu tinha conseguido ceder à Prefeitura, por intervenção minha, mas a União tomou de volta pela omissão e pela inércia dos prefeitos dos últimos 24 anos. Isso contribuiu muito para a decadência do Centro. Por falta de fiscalização, de intervenção e de ação eles deixaram o Centro apodrecer e as ruínas se multiplicaram. Uma das regiões mais aproveitáveis de Santos, pelo espaço que ainda tem, é área da Bacia do Mercado, a área do Mercado Municipal e o entorno do Cemitério do Paquetá. Ela pode ter uma revitalização extraordinária, mas a outorga onerosa que esse governo fez só tem um foco, que interessa ao Governo, ao clubinho fechado do Governo, que é integrado pelas construtoras e empreiteiras de sempre e que precisam ser colocada nos trilhos. Ninguém vai perder trabalhar, se trabalhar direito. Precisa acabar o clube fechado. O interesse do clube é muito visível e o interesse da cidade, às vezes, fica invisível para os gestores cegos que só enxergam os seus interesses.

 

Se eleito, o candidato pretende manter as Organizações Sociais (OSs) na saúde e utilizá-las em outras áreas?

Você tem OSs que são mercenárias e mercantis. Você só pode e deve terceirizar o serviço quando você não dá conta de prestá-lo. Se você terceiriza, a organização antissocial não pode exigir que a Prefeitura pague pelo serviço dela três vezes mais do que a Santa Casa cobra, porque esse dinheiro é sagrado. Vou valorizar o serviço público ao máximo.

 

Como é possível aperfeiçoar a saúde?

Entraram R$ 118 milhões do Governo Federal para o combate à covid-19 e Santos tem o maior índice de mortes por 100 mil habitantes do Estado. O dinheiro na mão do mau gestor não surte o resultado necessário. Precisa fechar os ralos há muito tempo abertos na Prefeitura.

 

Como melhorar a formação continuada dos professores e valorizá-los?

Vou valorizar o professor. Sou professor há 50 anos. O professor semeia e faz nascer gerações. O que nós temos visto hoje é que os alunos não têm o ensino suficiente e saem das escolas sem aprender o mínimo para a continuidade da vida. Isso é gravíssimo. Não adianta em falar escola em tempo integral. É preciso fazer a escola em tempo integral. Ele não pode ter período ocioso. É preciso dar o ensino convencional, o ensino profissionalizante e o ensino alternativo, que é artes e ofícios, e para tirar da mão do aluno o celular em cuja ela ele fixa os olhos nos períodos vazios. Precisamos trazer os pais para dentro da escola. O processo de educação em tempo integral tem que ser família, escola e aluno. É um tripé. Muitas famílias não têm condição de educar e precisamos trazê-las para a escola para dar a estrutura para a família educar. Quem tem filhos, tem uma obrigação. Se os pais não têm tempo, a escola precisa suprir essa falta dos pais, mas chamá-los nos momentos em que eles estão disponíveis para criar a motivação e criar o processo educacional. Educar é conduzir para a vida e para o futuro.

 

Como a Prefeitura pode contribuir na área da Segurança?

Eu considero que a Segurança é uma atribuição do município quando o Estado não faz a sua parte. É o que eu chamo do município agir em legítima defesa. Quando você não tem quem te defenda, você tem o direito da legítima defesa. Eu vou começar a exercer isso no Município com a Guarda Municipal, que será comandada por alguém da corporação, treinada, armada, educada, sendo doce e dura. Vou exigir do Governo do Estado que a Polícia Militar não venha apenas em maior contingente apenas durante a Operação Verão, porque ela ocorre durante o ano todo. O efetivo da Polícia Militar precisa ser multiplicado e trabalhar de forma coordenada com a Guarda Municipal.

 

O senhor criaria ou extinguiria alguma secretaria municipal?

Pretendo extinguir os cargos comissionados na sua grande maioria. Vou valorizar o servidor. Eu só vou saber o que funciona e o que não funciona entrando lá. O que não funcionar, será desativado. O mais importante é fazer funcionar, acabar com o parasitismo e, às vezes, pela preguiça decorrente da falta de função e de atribuições que não são dadas pela Administração. Quando você põe a Administração para fazer o servidor funcionar, ele trabalha muito bem. Você consegue mudar, às vezes, o comportamento e a mentalidade só pela autoridade do seu comando. E é isso que faz a diferença entre um prefeito e uma cadeira vazia na Prefeitura. Eu sei comandar com doçura e com rigor, com reconhecimento, com valorização, mas impiedosamente. Esses são os atributos que o comandante tem que ter. Essa autoridade moral me veio da minha vida vivida. Eu me construí. Trabalhei desde os 14 anos e fui um vencedor na vida. Portanto, não preciso de cargo político nenhum. Tudo o que consegui foi à custa do meu trabalho individual. As pessoas que se penduraram em cargos, em mandatos e em empregos públicos vitalícios não dão tanto valor à construção de si mesmas.

 

Quais são os seus planos para as empresas municipais, como CET-Santos, Cohab Santista e Prodesan?

Digo que esse rombo da Prodesan é um absurdo. Ela tem 1.100 funcionários. Desses, 100 são assessores que estão lá sem fazer nada. Como eu vou resolver isso? Se eu responder isso, vou ser leviano. Não vou fazer nenhuma promessa mirabolante. Ao chegar lá, vou ver como resolvo esse abacaxi.

 

Como melhorar a zeladoria da cidade?

Não se muda o que não existe. Eu vou fazer a zeladoria. O prefeito precisa ser ao mesmo tempo estadista - e isso não é para qualquer um - e síndico de prédio.

 

Como o senhor pretende lidar com a questão dos moradores em situação de rua?

Eles precisam ser assistidos, porque estão lá ou por vício, por depressão, conflitos familiares ou até mesmo por doenças neuropsíquicas. Eles precisam ser acolhidos e tratados, mas eu vou tratar dos moradores em situação de rua que são munícipes de Santos. Não vou tratar de quem veio de ônibus, trazido por municípios do interior por prefeitos que quiseram despejar seres humanos aqui por ter praia e por ter uma temperatura mais quente. Vamos descobrir a origem e como vieram para entregá-los aos seus prefeitos para que cuidem dos seus munícipes.

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