Solange Freitas traça planos para São Vicente: 'Vamos lutar por grandes projetos'

Candidata à Prefeitura pelo PSDB faz um balanço da campanha e das estratégias no segundo turno

A jornalista e estudante de Direito Solange Freitas (PSDB) tem 50 anos e disputa a Prefeitura de São Vicente pela primeira vez. É novata no meio político, mas conhecida da população: tenta o cargo público no Executivo após trabalhar quase 30 anos em televisão. Afirma que pretende mudar a política vicentina, trabalhar igualmente para todos os moradores, aproximando o Executivo da população com subprefeituras nos bairros. Leia a seguir trechos da entrevista da candidata, que concorre com o número 45.  

Clique e Assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços!

A campanha deste ano em São Vicente já está marcada na história, devido aos acontecimentos policiais, ameaças, atentado a tiros. Qual balanço a senhora faz disso tudo até aqui? 

Eu sabia que não seria fácil. Quando eu saí do jornalismo para a política eu sabia que iria enfrentar muita coisa. Ataques pela internet desde o primeiro dia, todos os dias, inclusive à minha condição de mulher. Nos mais agressivos eu entrei com processos, ganhei todos para a retirada das postagens e as ações por dano moral ainda seguem. Até então era dessa maneira. Só que eu não imaginava que pudesse chegar nessa violência física, um atentado. A gente tinha carro blindado por uma questão de prevenção, mas nunca achei que fosse precisar. Sofremos o ataque e, para piorar, tivemos uma tentativa de me tirar da eleição, dizendo que eu tinha forjado meu próprio ataque (um homem se apresentou na delegacia um dia antes do primeiro turno se dizendo o atirador e que agiu a mando da própria equipe da candidata. Um falso relato, segundo a polícia). Graças a Deus a gente correu, a polícia agiu rápido e descobriu a farsa. O juiz eleitoral pediu para a Polícia Federal investigar e está investigando o crime eleitoral ocorrido na noite anterior à eleição. E ainda teve o salve (ordem do crime organizado) e tivemos dificuldade para entrar nas comunidades. Então foi uma campanha de muitos ataques, no meio da pandemia, com proibição de entrar nas comunidades, um atentado e uma tentativa de imputar um crime a mim. Foi bem difícil. Não é fácil ficar na mira de um revólver. Mas o resultado veio nas urnas. A população sabe que a gente tem coragem para enfrentar o sistema, continuo firme e forte. 

Quais foram os principais desafios de uma campanha em meio à pandemia? 

Foi um problema. Como reunir muita gente quando é proibido? Não conseguimos fazer esse trabalho, principalmente no começo. Por isso durante a pré-campanha eu fiz reportagens no canal que criei no Youtube, para continuar indo nas comunidades, sem fazer reuniões. Quando começou a campanha e a gente podia fazer isso, eu ficava muito preocupada. Como jornalista, sempre critiquei isso, então como iria fazer reuniões? Eu falava para a minha equipe que não queria muita gente, mesmo quando liberou para um número maior de pessoas, eu queria menos gente. Então minhas reuniões sempre foram bem menores do que podia. A pandemia está aí, muitos casos e não queria colocar em risco as pessoas. Porque você marca a reunião e nem todos usam máscara, aí você precisa ficar pedindo para colocar. Aí não sabe se cumprimenta ou não as pessoas. É difícil mesmo. Mas, apesar de tudo isso, nosso resultado foi muito positivo. 

Nesses últimos dias, quais são as estratégias para conquistar os eleitores que não votaram ou votaram nos outros candidatos? 

A gente está indo conversar com algumas pessoas, fazendo reuniões. Uma parte da equipe está conversando com pessoas que querem apoiar a gente, outros candidatos que não foram para o segundo turno, vereadores eleitos e não eleitos. Agora, além de mostrar as propostas, queremos demonstrar para as pessoas como vamos colocar em prática, que não são promessas que nunca serão realizadas. E durante a campanha vimos outras necessidades da população e acrescentamos no plano de governo. E queremos mostrar que a importância do Governo do Estado para São Vicente é muito grande. O Kayo bate muito no Estado, a mesma coisa que o Pedro Gouvêa faz e que o Bili fez. Você critica o Estado e está minando um canal de negociação para trazer recursos para São Vicente. Temos ligação com o Estado, toda semana vamos em São Paulo conversar e o Governo Estadual já se comprometeu com projetos. O prefeito precisa ser um articulador. É a mesma coisa que esculhambar o Bolsonaro e depois querer ajuda do Governo Federal. Eu não critico ninguém. A briga não leva a nada.  

A senhora aceitaria o apoio do prefeito Pedro Gouvêa neste segundo turno? 

O candidato Valquirio Martins (SD) está com a gente, o Professor Kenny (Mendes, PP, deputado estadual) está com a gente. Eu não aceitaria apoio do Pedro Gouvêa, só de algumas pessoas do grupo político dele. Tem pessoas sérias trabalhando lá, mas não todas.  

Na sua visão, o que de positivo feito pela administração Pedro Gouvêa? Que nota dá para o governo dele, de 0 a 10? 

O que o prefeito sempre disse foi que limpou o nome de São Vicente, que estava sujo no Cadin (Cadastro de Inadimplentes do Governo do Estado). Aí a gente pensa, ah o governo Bili foi o pior de São Vicente. Mas tem outro lado. Levantamos os números e o governo Pedro Gouvêa foi o que recebeu mais recursos dos governos do Estado, Federal e de emendas parlamentares. E o resultado a gente não vê nas ruas. Nesse governo muitas áreas foram invadidas. Eu sei porque fui em todas, incentivaram novas invasões. Além disso, no primeiro ano, que o prefeito fez aquela limpeza na cidade toda durante nove meses, muita gente que participou não recebeu até hoje. A dívida de São Vicente está muito grande. O prefeito resolveu o problema do lixo, mas não resolveu o de zeladoria. Por tudo isso daria nota 4 para o governo dele.  

Caso seja derrotada nas urnas, pretende ajudar o prefeito eleito? 

Primeiro que eu não trabalho com essa hipótese, trabalho para ganhar a eleição. Mas se acontecer e ele precisar e quiser ajuda, claro que vamos compor. Inclusive eu acho que ele, que é muito inteligente e estudou bastante, daria um ótimo secretário.  

Quais são os grandes projetos que vão exigir recursos federais e estaduais? 

O combate às enchentes é um dos problemas que os moradores de São Vicente nem acreditam mais que possa ter solução. Quando a gente fala eles já ficam desanimados. Mas dá para amenizar, sim. Temos grandes projetos das comportas, dos canais, que já têm recursos do Governo Federal. Já conversei com a Rosana (Valle, deputada federal pelo PSB) e tem projetos que estão lá para serem aprovados. Vamos lutar por esses grandes projetos, para saírem efetivamente do papel. E na saúde, tem dois prontos-socorros construídos e que a Prefeitura já paga aluguel. Pensamos em transformá-los em anexos dos hospitais para conseguir recursos do SUS e do Estado. E vamos batalhar para criar duas UPAs (unidades de pronto atendimento), um geral e outra para crianças e idosos.  

A Área Continental pode realmente receber grandes empresas, para a geração de emprego e renda? 

Mudaram recentemente a lei de uso e ocupação do solo, do ano passado para este ano, e tem uma área enorme que você pode trazer empresas. Em algumas áreas não tem mais nenhum embaraço, empresas já compraram. Falta uma parte ambiental que está em processo avançado. Vamos batalhar com as empresas para acelerar o processo de regularização fundiária e ver a possibilidade de incentivos fiscais para que as empresas se instalem. Por exemplo, a empresa que se instalar e contratar a maioria dos funcionários em São Vicente teria incentivos. Estamos bolando algumas estratégias. E como vai ter o aeroporto do projeto Andaraguá, em Praia Grande, ali colado na Área Continental de São Vicente, sabemos que tem empresas pensando em se instalar aqui. 

Um problema grave em São Vicente é o da saúde, que não tem estrutura adequada para a população, que procura atendimento principalmente em Santos e Praia Grande. O que a senhora vai fazer? 

Como aceitar que você precisa sair da sua cidade para buscar recursos bons na saúde em outras cidades? Independentemente de ter hospitais regionais nas outras cidades, você precisa estruturar o seu serviço de saúde. A Prefeitura precisa investir 15% do orçamento e o prefeito atual diz que investe 30%. Mas de que forma? Não está investindo da forma correta. O hospital de campanha da covid-19 foi desmontado e o serviço feito não foi pago, R$ 9 milhões. Isso é falta de planejamento. Como teremos que colocar dois prontos-socorros para funcionar, porque os aluguéis estão sendo pagos, com uma rede sem estrutura nenhuma, teremos que ter planejamento. Já sabemos que os insumos em São Vicente estão zerados. Não tem material. Quando entrarmos vamos encontrar nada na saúde.  

Tudo sobre: