Priorizar necessidades é a chave para gerir economia de Guarujá, dizem especialistas

Assim como na maioria dos municípios, o orçamento é curto, portanto é necessário fazer escolhas

Seja numa casa, condomínio ou cidade, uma boa administração começa na organização financeira. “Não dá pra ter tudo”, já dizia o conhecimento popular. Então o jeito – principalmente tratando-se dos recomeços promovidos pelas eleições municipais –, é o de conhecer as dificuldades e atuar nas urgências primeiro, afirmam os especialistas.

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“Quando você assume um governo, você precisa fazer uma análise geral: onde estão os problemas? O que eu tenho de resolver primeiro?”, explica o consultor econômico Marcio Colmenero. “O que eu observo em Guarujá são as energias focadas em questões menos importantes. Como o embelezamento da orla – atrativo a turistas, claro –, se sobressaindo a soluções em habitação e saneamento básico, por exemplo".

Em 2019, segundo a Prefeitura, o orçamento total das pastas foi de R$ 1,45 bilhão. Os maiores valores foram para a Secretaria de Educação, Esporte e Lazer (R$ 439,5 milhões), seguida por Saúde (R$ 333,3 mi) e Operações Urbanas (R$ 144,9 mi).

A Câmara Municipal, também inclusa no total bilionário, levou R$ 43,5 milhões, verba intermediária entre as secretaria de Habitação (R$ 48,1 mi) e Infraestrutura e Obras (R$ 35,6 mi). Turismo (R$ 5,3 mi), Desenvolvimento Econômico e Portuário (R$ 4,6 mi) e Relações Sociais (R$ 2,8 mi) ficaram com os menores valores.

Colmenero aponta também a disparidade entre Guarujá e o distrito de Vicente de Carvalho – de onde vem metade dos Impostos sobre Serviços (ISS) devido ao Porto –, no sentido de atuação de Poder Público. “É uma área muito carente, onde falta o mínimo: eletricidade, esgoto, asfalto. E são esses moradores dali que muitas vezes trabalham no próprio cais, em funções de ‘baixo escalão’, fazendo aquilo tudo funcionar”.

No ano passado, o Imposto sobre Serviço total arrecadado em Guarujá foi de R$166,2 milhões, sendo que a participação do Porto é de R$ 86,6 mi: o equivalente a 52,1%.

O especialista em finanças, Marcelo Rocha, aponta a urgência de efetivação nos gastos. “A população está crescendo, já passa dos 320 mil pela estimativa do IBGE. Somos um milhão em toda a Baixada Santista, sem contar o flutuante durante a temporada. Não há mais espaço para gastos mal calculados, não podemos errar. Sejam novos, ou os mesmos na gestão, início de mandato é oportunidade para refazer os planos atualizar estratégias”.

Rocha reforça também a necessidade de regularização fundiária, ou seja, legalizar moradias em áreas invadidas, para que os habitantes sejam realmente incluídos na sociedade. “Eles já ocupam esse espaço considerado ‘irregular’ há muitos anos. Ninguém vai tirá-los de lá. Assim, ao menos, o município pode organizar melhor as demandas e ofertar condições dignas de moradia”.

Em 2019, a arrecadação de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em Guarujá somou R$ 474.359.382,80.

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