Presença de vereadores negros é maior nas Câmaras da Baixada Santista

Número de eleitos que se declararam pretos ou pardos foi de 47 para 61 entre 2016 e este ano; diversidade varia conforme município

A partir de 2021, as câmaras da Baixada Santista estarão mais negras. O resultado das urnas do último domingo mostrou que, dos 134 eleitos que informaram a própria cor (dois não o fizeram à Justiça Eleitoral), 61 se declararam pretos ou pardos. Isso representa 45,5% dos que assumirão o Legislativo na região, um aumento de 10,5 pontos percentuais em relação à eleição de 2016. 

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A população negra é composta por pretos e pardos, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Proporcionalmente, é a Câmara de Cubatão que tem o maior número deles. 

Porém, dos 15 vereadores que se elegeram no legislativo cubatense, 11 se autodeclararam pardos, e nenhum, negro. Na Câmara de São Vicente, o percentual também é alto: 60%. Neste ano, os vicentinos elegeram quatro pardos e cinco pretos. 

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Essa diversidade é menor nas câmaras de Santos e Bertioga. Nos dois casos, o percentual de negros em relação ao total de cadeiras é de 33,3%. Apesar disso, tiveram mais negros eleitos. A única cidade da região que terá menos vereadores negros é Itanhaém, que passará de cinco para três. 

País 

O aumento foi verificado em todo o País. Os dados ainda não foram oficializados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas vereadores negros ocuparão 44% das cadeiras nas câmaras locais do a partir do próximo ano. Em 2016, 42% eram pretos ou pardos. 

Para a doutora em Educação, membro da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e pesquisadora em Relações Raciais e Ações Afirmativas Joana Célia dos Passos, esse é o resultado de um avanço nas candidaturas negras. 

“No Brasil, 50% das pessoas que concorreram ao pleito eleitoral em 2020 se autodeclararam negras. Somos 54% da população do País. O avanço é nítido”, considera.

Reconhecimento

Segundo Joana, porém, a alta não pode ser creditada apenas às verbas utilizadas dos fundos Eleitoral e Partidário para as candidaturas negras neste ano. 

“É bem verdade que alguns oportunistas aproveitaram a situação para vivenciar uma ‘mudança de cor’ de 2016 para cá. Passaram de brancos a pardos, como denunciado em várias ocasiões pelos movimentos negros e pelos veículos de comunicação. Mas é inegável a força da luta pelo autorreconhecimento da população negra”, avalia, apesar de ponderar que o racismo estrutural muitas vezes impede negros de alcançarem postos de tomada de decisão, como os cargos políticos. 

Ainda assim, Joana alerta para um ponto fundamental: ser candidato negro não significa que a pessoa assuma a pauta antirracista como parte do seu projeto político. “Por isso, defendo sempre que representatividade está diretamente relacionada com o projeto político que se defende”, considera. 

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