Pandemia e mudança de lei beneficiam candidatos governistas na Baixada Santista

Das nove cidades, oito postulantes que buscaram renovar o mandato ou tiveram o apoio do atual chefe do Executivo venceram o pleito ou, ao menos, chegaram ao segundo turno

A força da máquina administrativa municipal, a boa avaliação dos governos e a dificuldade de a oposição fazer campanha nas ruas durante a pandemia de covid-19 são ingredientes que ajudam a explicar o bom desempenho dos candidatos de situação nas eleições deste ano na Baixada Santista. 

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Das nove cidades, oito postulantes que buscaram renovar o mandato ou tiveram o apoio do atual chefe do Executivo venceram o pleito ou, ao menos, chegaram ao segundo turno. 

A exceção é São Vicente, pois o prefeito Pedro Gouvêa (MDB), que terminou na terceira colocação, acompanhará de longe a disputa pela principal cadeira do Palácio Martim Afonso entre Kayo Amado (Pode) e Solange Freitas (PSDB). 

Em Praia Grande, Raquel Chini (PSDB), apoiada pelo prefeito Alberto Mourão (PSDB), concorre o segundo turno com Danilo Morgado (PSL). 

Outros cinco que tentaram a reeleição tiveram sucesso: Caio Matheus (PSDB), de Bertioga; Ademário Oliveira (PSDB), de Cubatão; Válter Suman (PSB), de Guarujá; Márcio Melo Gomes, o Márcio Cabeça (Republicanos), de Mongaguá; e Luiz Maurício (PSDB), de Peruíbe. 

Rogério Santos (PSDB), em Santos, venceu o pleito no primeiro turno, impulsionado pela aprovação da gestão de Paulo Alexandre Barbosa (PSDB). O mesmo ocorreu com Tiago Cervantes (PSDB), em Itanhaém, que é vice do prefeito Marco Aurélio Gomes (PSDB). 

Assim, o PSDB mantém a hegemonia na Baixada, com a possibilidade de igualar o feito de 2016, quando elegeu sete chefes de Executivo. A marca pode ser alcançada se Solange e Raquel vencerem no dia 29. 

O cientista político, Marcelo Di Giuseppe, do Instituto de Planejamento Estratégico (Ibespe), entende que essas vitórias não podem ser creditadas ao partido, mas às mudanças na lei eleitoral, que favoreceram nomes da situação ou apoiados por ela.

“Houve uma diminuição do tempo de campanha e muitas proibições aos candidatos, o que prejudicou quem faz oposição. A pandemia de covid-19 os impediu de estarem nas ruas, o que complicou ainda mais uma mudança nas cidades”, explicou. 

O especialista citou que mesmo governantes não tão bem avaliados conseguiram se reeleger por causa da força da máquina. A falta de debates também contribuiu para esse cenário. 

Na avaliação do coordenador do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), cientista político Alcindo Gonçalves, o partido não teve influência significativa no resultado desta eleição. Por esse motivo, ele destacou que é preciso voltar ao ano de 2016. 

Na ocasião, o desgaste do PT atingiu o seu auge, devido aos desdobramentos da Operação Lava Jato, e o PSDB soube surfar em uma onda de conservadorismo que ficou evidente no pleito de 2018. 

“É um fato que o PSDB continue hegemônico na Baixada Santista, mas vejo que essa situação é menos por mérito do partido e está mais relacionada a uma peculiaridade da atual composição”, disse.

Recado

O professor do curso de Ciências Sociais da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Leandro Siqueira, entende que os eleitores paulistas têm muita simpatia pelo PSDB, que construiu uma hegemonia nas últimas três décadas, embora o Estado também seja o berço do PT. “Acredito que o mesmo ‘não’ que foi dado ao (presidente Jair) Bolsonaro em São Paulo também pode ter ocorrido na Baixada Santista. Houve um recado muito claro de que a população não quer entrar nessa nova onda de uma direita raivosa e estridente e que há uma preferência pelo centro”, diz.

O docente entende ainda que, no caso de Praia Grande e São Vicente, neste segundo turno, “haverá a disputa de nomes do PSDB contra adversários de partidos que fazem parte do Centrão, que sustentam o Governo Federal, ou que já estiveram como satélites do presidente, que é o caso do PSL.”

 

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