Moradores de São Vicente alegam medo de sair de casa e querem mudanças na segurança

Pequenos furtos, uso explícito de droga e confusão esgotam a paciência dos vicentinos

Se o Centro da cidade já foi um dos bairros vicentinos onde a movimentação trazia sensação de segurança, agora nem isso é suficiente para acalmar os moradores. No caminho entre a Praça Barão e o Parque Bitaru, a paisagem deserta intimida qualquer compromisso que a professora Marnie Farias, 51, tenha na rua. “Até pra gente ir ao mercado ou se tem que resolver alguma coisa, dá medo. Estamos abandonados. Pessoal não quer tomar conta daqui. Muito marginal passando de bicicleta. Você não vê uma viatura da polícia, a não ser que chame”.

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Moradora há 30 anos da área, ela relata que a percepção é de um medo cada vez maior. “Não tem um Guarda Municipal na rua, nem para quem correr se acontecer algo. Em comparação com os outros anos, a impressão é que é só ladeira abaixo”.

O empresário Claudio de Araujo, de 60 anos, do Itararé, passa apuro na praia e acompanha da janela casos diários de furto e pequenos roubos no bairro. “Você vê que não são grandes crimes, ‘organizados’ nem nada. É só molecada pra pegar celular, correntinha, trocar por droga... Isso também é um choque, né? A quantidade de pinos de cocaína jogando por aí, uso durante o dia, de forma explícita. Para piorar, fazem festinhas e bebem, perdendo a noção e perturbando moradores”.

A aposentada Anália Carneiro, 50, tem três filhos jovens, entre 16 e 24, e seu maior medo é quando eles saem de casa. “São 25 anos nesse mesmo endereço. Quero ter tranquilidade quando eles vão trabalhar, estudar ou se divertir. O maior desafio da próxima gestão será, sem dúvidas, a constância do policiamento. Falo de uma gestão com estratégias preventivas contra o crime e a violência. Deixar para trás esta forma de policiamento reativo, que age apenas no momento da ocorrência”.

Novas câmeras

Em nota, a Prefeitura de São Vicente informa que a Guarda Civil Municipal (GCM) tem um efetivo total de 140 agentes. O canil conta com mais dez cães policiais (K9), que são treinados para detecção de armas e entorpecentes, além de atuar em abordagens de suspeitos. A GCM conta com seis viaturas, três motos e um ônibus de monitoramento. Os agentes fazem rondas nos mais diversos equipamentos públicos e bairros de toda a Cidade. Eles também recebem e atendem a denúncias.

A GCM atua em conjunto com a Polícia Militar, corporação responsável pela segurança pública no Estado, em várias ações na cidade.

A administração indicou ainda a instalação do Centro de Controle Operacional (CCO), sistema de monitoramento de câmeras que funciona desde o último dia 16 de setembro.  A instalação das câmeras se dá em duas etapas. Esta primeira fase conta com 355 câmeras, instaladas em 71 pontos, entre escolas e creches. Ainda nesta etapa, 175 câmeras serão implantadas entre 25 unidades de saúde. Até agora, 25 câmeras já foram instaladas nestes pontos.

Na segunda fase, o sistema de monitoramento será ampliado, contemplando os bairros. A Cidade contará com câmeras de monitoramento na Praça Tom Jobim, no Píer do Gonzaguinha, na Praça 21 Irmãos Amigos (Itararé), no Mirante (Ilha Porchat), no Teleférico, na Divisa e na Avenida Presidente Wilson, esquina com a Avenida Ayrton Senna da Silva, na Praia.

Todos os equipamentos foram doados por empresa privada, sem custo para o Município. Serão gastos de R$ 30 mil a R$ 40 mil para a infraestrutura de dados. A implantação de OCR (leitura de caracteres especiais) está sendo estudada por técnicos da Prefeitura.A interação com o Detecta, do Estado, também está sendo viabilizada junto aos órgãos envolvidos.

No CCO, as imagens são acompanhadas por agentes da GCM e da Polícia Militar, em uma ação conjunta. A GCM destaca, ainda, que outras ações pontuais em parceria com a PM ocorrem sempre que há necessidade.

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