Jovens da Baixada Santista falam sobre a expectativa do primeiro voto durante as Eleições 2020

Espera-se, no dia 15 de novembro, a ida às urnas de 1,5 milhão de eleitores entre 16 e 18 anos em todo o País

As eleições deste ano serão as primeiras para 1,5 milhão de eleitores apertarem o ‘confirma’ pela primeira vez. Com idade entre 16 e 18 anos, esses jovens tomaram a decisão de ajudar a escolher os próximos prefeitos e vereadores de suas cidades.

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Abaixo, quatro jovens contam sobre suas expectativas para a primeira votação. Também falam um pouco da sua história e mostram o que gostariam que fosse diferente. 

Para o cientista político Ricardo Vasconcelos, a juventude se tornou mais atuante com as redes sociais como Twitter e Instagram, além de aplicativos de mensagens como o WhatsApp.

“Esses espaços de debate no mundo virtual tornaram-se pequenos demais. O desejo de participar do ambiente político tem invadido as ruas, como vemos nas manifestações”.

Para ele, o jovem tem procurado conhecer o contexto político e se posicionar. Ele está mais crítico, ainda que não faça isso de maneira pública, expondo ideias e pensamentos na internet ou em conversas com a família.

“Independentemente do posicionamento político e ideológico, os mais novos têm se posicionado e não aceitam de maneira conformista algumas situações. Vemos uma juventude inquieta, com desejo de mudança e de viver em um mundo mais justo”, explica a cientista política Mariana Dias.

Coragem e mente aberta para mudanças e novidades também são características vistas como positivas para especialistas no assunto.

“Depois de muito tempo na política, por exemplo, pode-se perder a vontade de mudar, de ser original e fazer diferente. Também são aceitas situações que antes não seriam. E é aí que o jovem entra, aparece e muda tudo de novo”, explica ela.

Outro lado

Ao mesmo tempo, muitos jovens – desiludidos com escândalos, burocracia e corrupção – ainda estão desmotivados para participar do processo eleitoral. É o que defende o cientista político Ronaldo Pereira.

“A política pode ser muito desanimadora para os que ainda não a conhecem. Isso porque chama muito mais a atenção o que é negativo. E, infelizmente, motivos não faltam para que informações com esse tipo de conteúdo venham a tona”, argumenta Ronaldo.

Para que a juventude se interesse pelo assunto e queira participar de todo esse processo, o especialista acredita que escola e família têm missão fundamental.

“Precisamos de bons exemplos, debate, discussão, valores e princípios éticos. A conscientização política deve vir de algum lugar, de uma referência. Os jovens têm muito poder e precisam de portas para que possam descobri-lo”.

Personagens

  • Bianca de Souza Santana, 18 anos, estudante de Pedagogia, Morrinhos, Guarujá
Bianca decidiu esperar completar 18 anos para votar: "Sempre achei a questão política bem delicada". (Foto: Arquivo Pessoal)

Ela sabia que poderia ter tirado o título de eleitor aos 16 anos, mas preferiu esperar até os 18 para ter maturidade suficiente para conseguir tomar a decisão mais acertada. “Sempre achei a questão política bem delicada e achei melhor aguardar. Também não estou ansiosa para votar”. Bianca pesquisou sobre os candidatos para se assegurar de sua escolha. “Isso é muito importante antes de qualquer decisão, principalmente em algo tão importante. Em casa, minha mãe sempre foi aberta. Ela respeita muito a minha opinião, O fundamental é pesquisar e tomar uma decisão”.

 

  • Giovanna Garcia, 18 anos, estudante, José Menino, em Santos
Giovana tem pesquisado sobre os candidatos antes de tomar uma decisão final. (Foto: Arquivo Pessoal)

A vontade de votar vem desde os 16 anos, mas, na época, ela perdeu o prazo para fazer seu título de eleitor. Este ano, ela já viu todos os detalhes no começo do ano para garantir o documento. “Sobre os candidatos, andei pesquisando, mas ainda não tenho certeza. Vi as entrevistas publicadas em A Tribuna e tomei minha decisão para prefeito. Já para vereador ainda não tenho certeza”. No Colégio Objetivo, Giovanna diz que gosta das aulas de Geopolítica, História e Geografia, que ajudam na hora de tomar uma decisão como essa. “Em casa, temos opiniões divergentes, então não falamos muito sobre política. Vejo que falta foco na população de baixa renda, principalmente na Baixada Santista. Muitos candidatos querem agradar quem tem mais dinheiro e suas obras são principalmente em áreas mais nobres. Enquanto isso, muitos ainda moram na palafita”.

 

  • Marina Lara, 17 anos, estudante, Agenor de Campos, Mongaguá
Marina se interessou pela política por causa de música e perfis que segue nas redes sociais. (Foto: Arquivo Pessoal)

A curiosidade e o interesse pela política vêm das músicas que ouve e dos perfil que segue nas redes sociais. “Ultimamente, por conta das redes sociais, o jovem está mais envolvido com esse assunto. Chega muito mais informação e a vontade de fzzer alguma coisa surge também. Eu queria começar a participar de tudo isso o quanto antes. Marina tem visto propostas há meses e já escolheu seu candidato a prefeito. Mas o vereador que levará seu voto ainda é dúvida. “Essa inspiração, esse meu interesse, vem de tudo o que vejo. No Objetivo (colégio), os professores chamam a atenção para o assunto, dizendo a importância. Acho que falta incentivo para os jovens se interessarem mais por política. Temos de ter noção de que a responsabilidade também é nossa e não podemos deixar despertar o interesse apenas quando formos mais velhos”.

 

  • Anna Beatriz Schittine, 17 anos, estudante, Tupi, Praia Grande
Anna tirou o título aos 16 anos, ansiosa para participar do processo eleitoral. (Foto: Arquivo Pessoal)

O interesse pela política não é de hoje e, por isso mesmo, ela decidiu tirar o título de eleitor antes mesmo da idade obrigatória. Aos 16 anos, Anna garantiu o documento para participar das eleições deste ano. “Eu nem precisava, mas fiz o título porque sempre achei muito interessante votar e participar desse processo. Este ano, tenho dois candidatos que são conhecidos e, por isso, já decidi meu voto”. Além da ansiedade de apertar o ‘confirma’, ela vê que os jovens “não tem muita voz”. Para ela, “dependemos muito do que os políticos decidem e temos de começar a fazer a nossa parte”.

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