João Villela é o nono candidato a prefeito de Santos entrevistado por A Tribuna

Empresário e advogado de 48 anos concorre ao Paço Municipal pelo Partido Novo

João Villela (Novo) é o nono candidato a prefeito de Santos entrevistado por A Tribuna. Se eleito, ele pretende reduzir as secretarias e empresas públicas municipais, além de combater o desperdício e a burocracia no poder público para atrair mais empresas e gerar mais empregos no Município. O empresário é entusiasta das parcerias público-privadas (PPPs) na área da saúde. Para Villela, a zeladoria precisa ser mais eficiente nos bairros e nos equipamentos públicos santistas.

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AT - Se o senhor for eleito, qual será a prioridade do mandato?

João Vilela - Acabar com o desperdício, privilégio e burocracia. Temos muitas obras em cima de obras que já estavam prontas e precisavam apenas de uma pequena manutenção, mas são feitas apenas para haver uma inauguração. Não podemos aceitar o desperdício de dinheiro público em uma Cidade que tem tantas coisas para serem feitas. É preciso fazer obras onde realmente é necessário, como Centro, Vila Nova, Paquetá, a região do Mercado Municipal, Valongo, e, principalmente, a Zona Noroeste, como a região do Chico de Paula, Alemoa, São Manoel e Vila dos Criadores. Morei muito tempo na Zona Noroeste, vou sempre lá e conheço bem essa região. Muitos santistas não sabem que 26 mil pessoas morando em palafitas e não têm acesso ao esgoto.

Para atingir esse objetivo, um dos seus pontos de governo é rever a máquina administrativa. O que pretende mudar?

Santos tem 513 cargos comissionados. Esse número leva em consideração as empresas públicas. Sem dúvidas, há pessoas qualificadas nesses cargos, mas a grande maioria é colocada ali por amizade ou por apoio político. Precisaremos fazer uma revisão na legislação. Por exemplo: para você abrir uma empresa, é preciso passar por duas ou três secretarias. Os processos vão e voltam. Você não consegue um alvará definitivo e a burocracia é muito grande. Vamos propor um novo Código de Obras. Vamos reduzir as secretarias, autarquias e empresas de economia mista para dez ou 12. Vamos valorizar o bom servidor público. Muita gente na Prefeitura é capacitada. As empresas estão fugindo de Santos. O Centro está completamente abandonado. A gente vê vários lugares na Zona Noroeste com dificuldades para regularizar suas empresas e comércios. A Cidade inteira foi tomada por burocracias inúteis. Sou empresário há muitos anos e estudo cidades desde 1991. Há dez anos, estou tentando mudar isso. Já participei de várias audiências públicas promovidas pela Câmara, pois sou diretor, agora licenciado, do Centro de Dirigentes Lojistas (CDL) Santos-Praia.

Depois de muitos anos, a Prefeitura voltou a criar uma secretaria para dar uma atenção especial ao setor do Comércio. O que mudou de fato?

Praticamente nada. A Secretaria Municipal de Assuntos Portuários, Indústria e Comércio praticamente não tem gerência sobre o comércio. Ela simplesmente tem a Sala do Empreendedor, que foi uma boa iniciativa, porém quem legisla e quem atua sobre isso são as secretarias de Finanças e de Obras. O Procon está ligado à Secretaria de Desenvolvimento Social. Essa secretaria precisará passar por uma mudança profunda para funcionar de verdade. De 2014 a 2019, Santos perdeu 20 mil empregos formais, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Santos continuou perdendo empregos durante a pandemia. Em Praia Grande, o saldo foi positivo, ainda que pequeno. Há alguma coisa muito errada para uma cidade do nível de Santos.

No plano de governo, o senhor diz que quer diminuir a carga de impostos a pequenas e médias empresas. Como fazer isso?

A facilidade de abertura de empresas já reduz bastante o custo. Se você pegar hoje a alíquota do ISS para o setor portuário, houve um aumento e estamos perdendo receita para outras cidades. O Porto envolve uma cadeia muito grande de empreendedores, que geram muita riqueza. Nos últimos anos, o IPTU cresceu 74%. O primeiro ponto é não aumentá-lo. A gente precisa ganhar no volume, ou seja, gerando mais empresas. Precisamos acabar com aquela história que a Cidade não é para gerar lucros. A Cidade tem que dar lucro. Se um condomínio não tem um fundo de obras, ele quebra.

Quais são os seus planos para o Centro?

Eu começaria pelo lugar mais degradado hoje, que é a Bacia do Mercado. Vamos fazer a concessão de vários imóveis públicos para a iniciativa privada, como o Teatro Coliseu. Esse prédio histórico já consumiu mais de R$ 20 milhões e encontra-se deteriorado e abandonado hoje. É possível fazer a concessão dele à iniciativa privada, que pode fazer festas, eventos, casamentos entre outros, o que vai gerar empregos e tributos. Poucos lugares do mundo têm um Mercado Municipal com acesso ao mar. É um lugar que dá para fazer muitas coisas, como eventos. Temos que fomentar mais moradias no Centro e, claro, comércios e serviços. Poderíamos incentivar o passeio turísticos de catraia até a Ponta da Praia, passando por debaixo do Porto.

O candidato pretende manter as organizações sociais (OSs) no gerenciamento de equipamentos públicos municipais?

É uma questão bem complexa. A princípio, parece ser um bom negócio, devido à limitação para a contratação de novos servidores públicos. Você pega uma verba e contrata uma empresa que tem conhecimento na área. Parece ser um bom negócio, mas não tem sido, porque, teoricamente, apesar de a OS não ter que dar lucro, ela tem suas formas para obter vantagens. Vejo exemplos positivos na área da saúde com parcerias público-privadas (PPPs). Se a gente for eleito, não iremos descartar de imediato as OS. Vamos analisar os contratos e fazer um levantamento do serviço prestado, mas vejo que é uma tendência termos PPPs com um grau elevado de qualidade como ocorre na maioria dos lugares do mundo. Precisamos melhorar a prevenção, que envolve uma série de áreas, como a Educação. Temos uma grande quantidade de palafitas sem saneamento básico, que é o principal problema da Cidade. A falta desse serviço impacta diretamente na saúde. É preciso pensar nas ações de forma integrada e interligando várias secretarias. Isso é fundamental. Outro gargalo que temos na saúde é o setor de exames. Podemos utilizar a estrutura do setor privado e estabelecer parcerias para atender os pacientes da rede pública nos horários ociosos.

Como garantir a formação continuada dos professores e valorizá-los?

Santos gasta hoje mais de R$ 20 mil anualmente por aluno. É um valor altíssimo. Por outro lado, você não consegue atingir os níveis mínimos do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica): quase 80% das crianças do nono ano do Ensino Fundamental estão abaixo do nível mínimo exigido para Matemática. Crianças não deve ser um depósito de crianças. Minha mãe é professora, meu pai foi professor, minha irmã é professora e eu fui professor. A gente sabe onde a coisa pega. A escola precisa estar ligada à cultura, música, teatro, esporte, artes plásticas. A escola precisa ter uma ligação muito forte com a família e com a comunidade. Ela precisa estar aberta aos finais de semana e oferecer cursos profissionalizantes. Os pais de muitas delas podem estar desempregados. Com um curso desses, ele pode conseguir um emprego. A escola precisa ser envolvente e tem um papel importantíssimo. A gente conseguir identificar onde estão as carências e dificuldade de cada professor, que precisa ter uma formação contínua. Isso é deixado em segundo, terceiro ou em nenhum plano.

O senhor defende uma maior autonomia das escolas. Como seria isso?

A ideia é que cada diretor tenha uma autonomia para poder fazer essa melhor articulação com a comunidade. Você não tem a mesma realidade de convivência no Chico de Paula e na Ponta da Praia, por exemplo. É preciso se adaptar ao lugar. É preciso ter uma autonomia, seguindo algumas regras. O diretor pode mudar completamente a realidade de uma escola, mas precisa ser capacitado para isso.

E como seria a utilização desses vouchers para o setor educacional?

A escola pública é fundamental, mas, em alguns casos, compensa mais você pagar o voucher, que daria o direito dessa criança estudar em uma escola particular, e integrar essa criança em outras comunidades do que construir uma nova escola.

Como o senhor pretende lidar com a questão dos moradores em situação de rua?

É uma situação complexa que existe em todo o mundo. Esse morador em situação de rua por conta de dificuldades financeiras e também de saúde precisa ser visto um a um para recuperá-lo. Se você fizer uma política para todos não dará certo. Cada um está na rua por um motivo. Há casos de pessoas com algum transtorno mental. Outros têm problema com álcool e drogas. Há também aquele que tem problema com polícia. É preciso criar um lugar separado que tenha a parte de campo para ter uma horta e um canil. A maioria dos moradores em situação de rua gosta de animais. Talvez a gente possa fazer uma capacitação para resgatá-los e oferecer cursos.

Como melhorar a zeladoria?

Precisa ser um trabalho contínuo. Não me lembro do dia que a Ponta de Praia foi feia. Agora, você gastar R$ 180 milhões para quebrar calçada e tirar as árvores para fazer tudo de novo entra no campo do desperdício. É preciso uma zeladoria constante não apenas nos pontos turísticos, mas nas policlínicas e nas escolas. Essa é a principal função do prefeito. É preciso limpar sempre as galerias. A falta de serviço só é nítida quando chove e aparecem as enchentes. Para enfrentar essa questão, precisamos construir piscinões embaixo de praças. Você desvia as águas do canal para um limite. A água passa por três níveis de filtragem e ela pode ser reutilizada. O grande problema é que você não consegue colocar luzinhas e musiquinha para chamar a atenção. Precisamos ter um trabalho integrado com São Vicente.

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