Eleições 2020: Planejamento no controle de animais será desafio da próxima gestão em Guarujá

Cidade tem apenas um canil oficial, que já opera em capacidade máxima; especialista aposta em conscientização

Não é difícil andar nas ruas, principalmente em bairros mais residenciais, e deparar-se com animais vagando em busca de alimentos ou em condições vulneráveis. Difícil é saber se esses pets já foram um dia de famílias que os deixaram ou se já nasceram nas ruas, fruto de abandono da geração anterior.

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Fato é que quanto mais o perfil da população altera (de grandes famílias para apenas casais, de casas com quintal para pequenos apartamentos), mais a tendência é que não haja interesse em adotar animais de rua. Pior ainda, é reparar em novos casos de desamparo sem qualquer remorso ou culpa.

Em Guarujá, um desafios da próxima administração consistem em dar atenção – entre tantas outras urgências – à situação dos animais. Segundo moradores, num pequeno percurso pela cidade, é possível observar cães e gatos passando fome, ou sobrevivendo em condições deploráveis.

Para a presidente da ONG Viva Bicho, Marilucy Pereira, mais que acolher e castrar animais, a responsabilidade do Poder Público está em conscientizar e educar a própria população. “As questões vão muito além de receber o bichinho e colocar pra dentro do canil. Essa ação não quer dizer, necessariamente, que o animal será amado, cuidado e, mais ainda, que o ‘problema’ será resolvido. Tanto Poder Público quanto ONGs estão sobrecarregados, com espaços superlotados, não há capacidade utópica para continuar acolhendo”.

Marilucy explica que o dever é tanto da população quanto do governo de fazer a diferença na vida dos quase 4 milhões de animais de rua no País, de acordo com o Instituto Pet Brasil. “As coisas mudaram e os zoonoses se posicionam de maneira diferente. Desde 2018, não é mais permitido eutanásia como forma de controle populacional, então é claro que o número que vemos agora nas ruas está maior comparado com dez anos atrás. Porque matavam os bichos”.

A especialista explica que controle real de animais abandonados acontece exclusivamente por castração e adoção. “Mas as pessoas não levam para castrar. Deixam que os bichos cruzem e largam os filhotes na porta do vizinho, na rua, ou nas ONGs. Já os que adotam sempre dão preferência por recém-nascidos. Nunca acolhem adultos. Por isso que estes seguem nas ruas ou superlotando canis municipais”.

Aconteceu aqui

No Pae Cará, em Vicente de Carvalho, Marcelo da Silva Rodrigues, 48 anos, e o filho Kaio Salomão Rodrigues, 18, se depararam com uma situação atípica. Voltaram para casa no domingo, 30 de agosto, e encontraram uma cadela prenha encolhida em seu quintal. “Não sabemos como ela conseguiu entrar. Deve ter se espremido pelo portão”, conta o pai.

Ao perceber a gestação, o auxiliar de limpeza, atualmente desempregado, procurou o Canil Municipal de Guarujá. Segundo informa à reportagem, teve o retorno de que a cadela não seria aceita naquelas condições. “Me mandaram levar de volta pra casa, para esperar nascer e desmamar”.

Até meados de setembro, Marcelo conseguiu interessados em adotar quatro dos seis filhotes. Para a cadela adulta, segue em busca de alguém que aceite. “São comuns animais como ela, abandonados ou machucados. Sem poder levar ao zoonoses, vamos continuar vendo essa cena”.

Parte do governo

A Secretaria de Saúde de Guarujá (Sesau), por meio da Direção de Proteção e Bem-Estar Animal, informa que há um controle populacional efetivo no Município. Nos últimos dois anos, foram feitas mais de nove mil castrações e, com ajuda do castramóvel, entregue à população no mês passado, a tendência é aumentar. Atualmente, o canil abriga 110 cães e 50 gatos.

O protocolo do canil municipal é não aceitar animais adultos, tendo em vista que o local já está lotado e existe um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público, que proíbe colocar mais animais no ambiente. Sendo assim, um animal só é acolhido pelo canil em caso de reabilitação ou castração.

Em casos como o do morador, caso haja comprovação que o animal era de rua, o canil fica com os filhotes após o desmame e a mãe é castrada. Porém, o canil não fica com o animal adulto.

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