Eleições 2020: Desemprego atinge números assustadores em Cubatão e moradores esperam solução

Estimativa do movimento de desempregados da cidade é que 15 mil pessoas buscam recolocação no mercado de trabalho. Mulheres e jovens são os mais afetados

Impactado com a queda na produção do polo industrial, o desemprego avança em Cubatão. Ao menos um em cada cinco cubatenses economicamente ativos busca uma recolocação profissional. A geração de emprego e renda no município, um dos motores da economia da Baixada Santista, será um dos desafios do próximo chefe do Executivo, que sairá das urnas no dia 15 de novembro. 

A taxa de desemprego local foi calculada a partir de cruzamento de dados feitos por ATribuna.com.br. Conforme estimativa da Fundação Seade, a cidade tem hoje 131.626 habitantes. Deste total, 71.197 cubatenses tem idade entre 14 anos e 65 anos – faixa etária considerada economicamente ativa, ou seja, apta para ir ao mercado de trabalho.

Conforme dados da Comissão Desempregados Cubatão (CME), ao menos 15 mil trabalhadores cubatenses buscam uma recolocação profissional na cidade. Isso representa 21% entre os residentes locais aptos a terem registro na carteira de trabalho.

Assine A Tribuna agora mesmo por R$ 1,90 e ganhe Globoplay grátis e dezenas de descontos! 

Tanto a crise que atingiu as indústrias brasileiras, quanto a pandemia, colaboraram para que postos de trabalho fossem fechados nos comércios e no parque industrial. Em ano de eleição, com uma das piores crises registradas até hoje, muitos se perguntam como resolver a falta de oferta de vagas na cidade.

Independentemente de quem vença, o prefeito eleito em novembro terá um dos maiores desafios da região: reabrir postos de trabalho tanto na indústria, como no comércio

Uma das medidas que podem ser adotadas é a da diminuição fiscal por parte da prefeitura. Anderson dos Santos, integrante da comissão do Movimento dos Desempregados de Cubatão, afirma que a prefeitura deveria abaixar os impostos e usar essa parceria como geração de emprego.

“Essa isenção fiscal, tanto para o comércio quanto para as indústrias, daria um fôlego aos pequenos, médios e grandes empresários que poderiam encontrar em Cubatão um bom local para investimentos” conta Anderson.

O presidente da  Associação Comercial e Industrial de Cubatão (ACIC), Geraldo Freitas, conta que a prefeitura irá lançar um decreto para que os impostos deste ano sejam transferidos para o ano que vem, parcelados em doze vezes, junto com os impostos de 2021.

Mesmo transferindo esses impostos para 2021, ele no máximo garantirá que o micro, pequeno e médio empresário não feche as portas neste ano, e isso acaba sendo uma medida paliativa.

“Para resolver essa questão do desemprego, precisamos trazer mais empresários para a cidade. Praia Grande, por exemplo, não tem indústria e acabou se tornando a maior geradora de empregos da Baixada Santista. Lá, eles têm os grandes atacadistas, tanto no ramo da construção civil, como alimentação e diversão. Eles abriram a cidade para empresários. É uma das possibilidades de mudar a situação da cidade” afirma o presidente do ACIC.

Mas enquanto isso não se resolve e as coisas não acontecem, quem sofre é a população, principalmente as mulheres e os jovens em busca da primeira oportunidade.

Maria do Socorro, de 54 anos, que trabalhava em um restaurante, acabou sendo demitida durante a pandemia, pois o patrão não podia pagar os salários estando fechado. Mesmo sem registro em carteira, ela diz que aceitaria qualquer oportunidade e tem fé em Deus que vai conseguir. “Eu não posso desistir, sempre que me falam qualquer coisa vou lá dar uma olhada. Os meus filhos ajudam em casa, mas eu tenho fé que vou conseguir”. diz Maria.

Renan Fonseca, 19 anos, estudante de informática, está em busca do primeiro emprego com registro e diz que já cansou de, todo dia, olhar no site do PAT em busca de emprego e não ter nenhuma primeira oportunidade. “Não sou só eu, muito amigos meus que se formaram ano passado ou retrasado estão procurando também. Tem gente que até consegue, mas a maioria é bico. Pessoal quer mesmo um emprego registrado certinho”, conta Renan.

A população decidirá, no dia 15 de novembro, na eleição municipal, o prefeito que terá a difícil missão de estabilizar a cidade e coloca-lá de volta aos trilhos.

Tudo sobre: