Eleições 2020: Alta demanda por saúde é um dos principais desafios em Bertioga

Moradores do Vista Linda sofrem sem atendimento e preferem ir a Santos em busca de consultas

Se a troca da antiga Unidade de Pronto Atendimento (UPA) pelo Hospital Municipal tinha qualquer intenção de melhor atender o cidadão, a população do Vista Linda, em Bertioga, preferia mesmo a estrutura menor, porém funcional.

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“Era pequeno, mas atendia a gente bem. Agora foi inventar de tirar daqui pra empurrar todo mundo no Hospital Municipal. Lá não tem nem médico direito”, desabafa o pedreiro Manuel Messias, 48 anos.

Com problema nos joelhos devido ao trabalho carregando peso, ele aguarda ainda a oportunidade de passar por um especialista e receber o atendimento completo para o caso. “Para quem mora aqui, ou precisa ter dinheiro para convênio e hospital bom, ou espera sentado a vaga no SUS”.

Cardiologista nunca nem vi

Já a aposentada Percília Aparecida Pietro, 75 anos, está há mais de ano tentando passar pelo cardiologista. Segundo ela, em Bertioga é impossível encontrar um especialista no sistema municipal de Saúde.

Operada do coração em 2019, a camareira aguarda o retorno para verificar sua recuperação. “Deveria ter sido meses atrás. Mas se já é um desespero conseguir esses médicos antes, com a pandemia então eles abandonaram de vez”.

Até para Santos ela correu por consultas, mas não é o ideal. “Fica longe pra mim e não é sempre que tem como encarar. Tenho que pedir a alguém que vá comigo, porque sozinha nem cogito”.

Nem endócrino, nem ginecologista

Solimar dos Santos Silva, 54, tem nódulos na tireoide. Ela precisa de uma consulta com o endocrinologista para descobrir se são benignos ou malignos. Esta é outra especialidade que os bertioguenses não conseguem acessar. “Às vezes fico até sem voz, de tanto que pega minha garganta. Já consegui encaminhamento para Santos, mas aguardo vaga. É ruim, porque atende pessoas de todas as cidades, então a disputa é maior. Queria algo por aqui”.

Enquanto o endócrino não sai, Solimar espera também o ginecologista. Há dois anos, segundo ela, não consegue se consultar. “Na minha idade, não posso vacilar. Seria bom um acompanhamento melhor, pra garantir que não tem nada errado. Mas depender do público aqui é um desespero”.

Equipamentos públicos

Atualmente, Bertioga conta com um Hospital Municipal, quatro Unidades Básicas de Saúde (UBS), uma Unidade Estratégia Saúde da Família (Usafa), um Centro de Especialidades Médicas, um Centro de Atenção Psicossocial (CAP) e um Núcleo de Atenção a Criança Especial.

Segundo a Prefeitura, a média de atendimentos diários gira em torno de 600 pessoas/dia, com 30% do público formado por jovens até 21 anos, 45% adultos até 59 anos e 25% de idosos.

A Administração, defendendo que as unidades estão distribuídas pela cidade com fácil acesso a toda a população, confirma investimentos de R$ 200 milhões nos últimos três anos. Também declara filas zeradas para exames de mamografia, ultrassonografia, ressonância magnética e tomografia computadorizada; além de cirurgia de catarata.

O município informa, ainda, realização de cirurgias ortopédicas de média complexidade, mutirões em saúde, abertura da Farmácia Municipal, entrega de fraldas geriátricas, suprimentos nutricionais e implantação dos programas de Oxigenoterapia Domiciliar e Úlceras Vasculogênicas com utilização de produtos de alta tecnologia.

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