Cubatão pede socorro para Turismo; sucesso depende de atuação governamental

Único município sem praias costeiras da Baixada Santista depende da captação de turistas para roteiros ecológicos

Há 20 anos trabalhando no ramo e, ao longo da última década, conectando visitantes a comunidades locais, o turismólogo Renato Marchesini lamenta a má participação do Poder Público cubatense na receptividade ao público de fora.

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O empresário tem ao menos seis roteiros ecológicos e sociais no município e acredita na necessidade de maior empenho para desenvolver o mercado do turismo em Cubatão. “Faltam investimentos na revitalização e projeção mesmo das áreas ecológicas. O Parque do Perequê, por exemplo, está bem abandonado, assim como o Anilinas e tantas outras áreas que fazem parte da vitrine apresentada aos visitantes. Se a gente quer que a cidade vá pra frente nesse sentido, tem de começar a trabalhar”.

Para Renato, é necessário construir um novo plano de desenvolvimento com resultados a médio e longo prazo. “Precisamos de pessoas competentes na pasta de Turismo, especializadas, com formação acadêmica e prática. Projetos assim devem ser iniciados agora, mas com visão para daqui a dez, 15 anos. Essa é a maior dificuldade quando se falar de Poder Público, porque eles não têm interesse em começar agora, algo que será entregue mais à frente, depois de quatro anos”.

Marchesini também comenta a falta de transparência nos conselhos municipais, tanto em Cubatão como em outras cidades onde atua. “Conselhos deveriam ser formados por maioria civil e minoria do Governo. Esses seriam os lugares para a sociedade – tanto o morador, quanto o empresário – expõem as necessidades. No entanto, o que acontece é que as pessoas mais carentes são as menos ouvidas. Artesãos, donos de pequenos restaurantes... Eles não conseguem alcançar o turista sozinho. Está aí a responsabilidade do Poder Público atuar para voltar a aquecer o turismo local”.

Turismo em números

A Secretaria de Turismo informa que o Parque Ecológico Perequê atrai visitantes principalmente no verão, com até 3 mil pessoas na alta temporada.

Outro tipo de turismo é o Industrial por meio do programa Fábrica Aberta, que recebe cerca de 4 mil pessoas por ano, sendo 30% da comunidade, e o restante, estudantes da área técnica.

O projeto Artes nas Cotas local recebeu 1.012 visitas no ano passado (alunos do ensino médio), organizadas pelo Sesc Pompeia e Sesc SP.

O turismo náutico é outro atrativo, recebendo cerca de 1.800 pessoas por ano pelas nove marinas na região da Ilha Caraguatá, com visitações destinadas a pescaria ou turismo contemplativo (observação de pássaros, como o guará-vermelho, símbolo da recuperação ambiental de Cubatão).

Há, ainda, a ecocaminhada pela Estrada Velha de Santos (Caminho do Mar), promovida no aniversário de Cubatão (9 de Abril) e na Independência do Brasil (7 de setembro). Por conta da alta procura (sempre atraia mais 350 pessoas por evento), este ano a caminhada ocorreria uma vez por mês – agenda interrompida por conta da pandemia.

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