Confira as propostas dos candidatos à Prefeitura de Santos para área da Educação

Impacto da suspensão das aulas trará desafios extras para o próximo governo

Segundo especialistas, a necessária suspensão das aulas para proteger a população durante a pandemia de covid-19 poderá, por outro lado, agravar as desigualdades educacionais e aumentar as taxas de evasão. Com isso, os próximos anos podem estar entre os mais desafiadores para os prefeitos de todo o país. Assim, A Tribuna questionou os candidatos à Prefeitura de Santos sobre as propostas de cada um para a Educação dentro deste contexto de pandemia. 

A maioria defendeu a estruturação de um ensino híbrido - unindo presencial e remoto - e fortalecendo o uso de tecnologia, além de valorização dos professores. Confira as principais propostas:

Antonio Carlos Banha Joaquim (MDB) 

Nossa Educação enfrenta dificuldades desde antes da implantação do ensino remoto. Faremos, eu e o professor Chiarella, um plano diagnóstico de avaliação de aprendizado para descobrir o que os alunos deixaram de assimilar neste ano. Educação e professores foram impactados nos aspectos pedagógico e psicológico. No tripé família, aluno e instituição, nossa proposta é a participação colaborativa junto a diretores, coordenadores e professores e restabelecer conteúdo impactado pela pandemia através de aulas remotas em contraturno. Incluiremos a matéria Direito, Cidadania e Formação para a vida. 

Bayard Umbuzeiro (PTB) 

Logo de início vamos fazer uma avaliação do grau de aproveitamento do aluno em 2020. Após esta análise, faremos um plano de atividades de reforço, definido com dirigentes e o corpo docente. A Prefeitura recebe mais de R$ 70 milhões adicionais do Fundeb, por ano, e há como financiar este apoio, até porque a rede municipal abrange apenas um terço do contingente da Educação Básica. Por esta razão, vamos completar a municipalização de sete mil alunos do Ensino Fundamental que ainda estão na rede estadual. Finalmente, vamos impulsionar os investimentos em tecnologia e treinamento de professores.

Carlos Paz (Avante) 

Estimular a educação inclusiva, criando condições e estrutura para equipes escolares diversificadas. Ter foco no currículo escolar e nas aprendizagens esperadas para cada aluno, desenvolvendo ações a partir deste ponto. Criar políticas públicas de gestão e valorização continuada nas carreiras da educação e fortalecer a cooperação como governo do Estado e universidades particulares, aprimorando mecanismos de integração e articulação entre os sistemas de ensino municipal, estadual e privado. Investir em escolas com maiores dificuldades. (retirado da proposta de Governo disponibilizada no Tribunal Superior Eleitoral)

Delegado Romano (DC) 

Nossa proposta para desenvolver e modernizar a Educação incia-se com investimento em nossas 84 escolas, implementando adequação nos equipamentos disponiveis, salas de aulas, com instalação de tecnologia, permitindo um sistema híbrido, a distância, em situações de emergência como este da pandemia. Reforçar o preparo e aprendizado de nossos 27 mil alunos, diminuindo a evasão e regressão e melhorando o desempenho do IDEB. Atualizar, capacitar, valorizando nossos professores com mais segurança no exercício do magistério tudo isso com orçamento de R$ 652.000.000,00.

Douglas Martins (PT) 

A retomada das aulas depende de um recuo da pandemia, o que não está assegurado. Muita coisa depende da esfera Federal e o governo de Jair Bolsonaro mais atrapalha do que ajuda. No plano local, a pandemia revelou a total incompetência da Prefeitura em articular ações que garantissem um mínimo de conteúdo para as crianças e de condições de trabalho aos professores. Ficaram todos entregues à própria sorte, num claro prejuízo aos alunos mais pobres, que não têm como pagar pacotes de internet. Assumindo, teremos de avaliar a dimensão desse estrago. O centro de nosso programa para a Educação é escola integral com plano de carreira, comida saudável, escola aberta e inclusão digital.

Guilherme Prado (PSOL) 

Bolsonaro foi uma tragédia na condução da crise sob o ponto de vista da Educação. Foi inoperante. Em Santos, a crise foi gerida por redes sociais, sem seriedade e diálogo efetivo com educadores. Para superar tais desafios, nossa gestão vai ser participativa e comunitária, para permitir o atendimento da população em suas necessidades, considerando o que cada educador, estudante e famílias necessitam. Assim, poderemos atender as necessidades educativas de forma processual e realista, sem esquecer da saúde psicológica, principalmente dos professores. A vida e a saúde são prioridades e nosso compromisso!

Ivan Sartori (PSD) 

A valorização e carreira do profissional da Educação é prioridade número um. A Escola do Futuro é conectada, acessível a todos, integrando a família com o ambiente educacional. O ambiente de ensino com equipamentos de última geração, foco na qualidade, estrutura adequada para o ensino digital a distância, de modo que as aulas não sejam interrompidas em situações como a atual. Recuperação e zeladoria permanentes dos prédios e movelaria municipais de ensino, que se acham deteriorados, com rachaduras, goteiras, sucateamento, além da implantação do estudo de língua estrangeira e de formação moral e cívica.

João Vilella (Novo) 

A Educação precisa ser integral e integrada. No contra turno oferecer atividades culturais e esportivas. Que as crianças tenham, nas artes e nos esportes, opções profissionais em seu futuro. As escolas públicas precisam ter o mesmo nível das melhores escolas particulares. Hoje investimos mais de 20 mil reais por aluno a cada ano. É necessária uma avaliação de cada estudante, de cada classe, de cada escola, para sabermos como e onde melhorar. A comunidade precisa estar envolvida. Com cursos de capacitação - em parcerias público-privadas - para os pais nos finais de semana ou horários ociosos do colégio.

Luiz Xavier (PSTU) 

Somos contra a volta às aulas presenciais enquanto não houver vacina ou controle da pandemia, vidas não se recuperam. O impacto do fechamento das escolas nem se compara ao impacto do descaso dos governos com a educação. Não podemos aceitar que os filhos da classe trabalhadora recebam uma educação precária, enquanto os filhos dos empresários têm acesso à educação de qualidade. A Prefeitura deve fornecer internet de qualidade gratuitamente a todos estudantes e estrutura para que a rede pública forneça educação a distância nesse período, assim como garantir cestas básicas com a verba da merenda.

Marcelo Coelho (PRTB) 

Reduzir os prejuízos na aprendizagem dos alunos e mantê-los engajados é o grande desafio na área de Educação para 2021. Entre as nossas propostas estão: fazer uma busca dos alunos que não voltaram a frequentar a escola; criar plantões para recuperação dos que apresentarem defasagem de aprendizado; valorizar o professor; revisar o sistema administrativo das unidades escolares, incluir cursos profissionalizantes na grade curricular; implementar unidades de escolas cívico militares e criar a Universidade Municipal com cursos voltados às áreas de potencial da cidade.

Marcio Aurelio (PDT) 

Os impactos de 2020 na vida de nossos crianças e adolescentes exigirão diferentes estratégias simultâneas em nosso governo. Por um lado, criaremos uma TV comunitária, em rede aberta, com conteúdo próprio ou licenciado, que complemente o turno escolar. Por outro, o uso combinado de escolas com demais espaços recreativos (ginásios, clubes e associações) para descentralizar e complementar a educação integral, hoje restrita às UMEs. E, claro, uma escuta das propostas dos servidores da área a respeito da readaptação imediata da rede escolar, tanto na questão pedagógica, quanto de enfrentamento à eventual evasão escolar.

Moysés Fernandes (PV) 

É importante que a partir da retomada da pandemia exista um trabalho para equilibrar a diferença que deve ter aumentado entre os alunos que conseguiram ter aulas online e aqueles que não tiveram nenhum acesso remoto à educação durante o mesmo período. Precisamos melhorar a estrutura das escolas, garantir tecnologias importantes para uma educação melhor, valorizar servidores, oferecer contraturno com atividades modernas e prática esportiva. Temos que construir ou reconstruir unidades escolares eficientes, sustentáveis e antenadas com as melhores práticas da transformação que queremos implantar.

Rogério Santos (PSDB) 

A Educação é minha prioridade número um. Quero escola em período integral, com o contraturno voltado à cultura, esporte, tecnologia, educação financeira e empreendedorismo. Temos 53% das crianças na escola o dia todo, e meu objetivo é chegar a 75%. Vou ampliar os investimentos em tecnologia para aprimorar o ensino nas escolas e a distância. Vou valorizar os profissionais de Educação e ampliar a capacitação com bolsas de mestrado e doutorado. Fizemos nove escolas e vamos continuar com a renovação construindo novas unidades na Caneleira, no Saboó, José Menino, São Manoel e no Chico de Paula.

Tanah Corrêa (Cidadania) 

Transformar todas as escolas municipais em centros de convivência social e cidadania que serão abertos todos os finais de semana para apresentações culturais, palestras técnicas e eventos esportivos, dentro de uma agenda multidisciplinar. Reativar os grêmios estudantis, rever o currículo escolar, principalmente as aulas de História: inserir a verdadeira história dos negros e índios. Implementar o ensino integral e duas refeições por aluno. Parcerias com universidades da cidade e internet pública de acesso em todos os bairros com prioridade para professores e alunos.

Thiago Andrade (PCdoB) 

Assegurar Educação em Tempo Integral em todas as escolas, ampliar a oferta de vagas para a Educação de Jovens e Adultos, de modo integrado a cursos profissionalizantes e com horários flexíveis; assegurar vagas em creches a todas as crianças santistas, inclusive em horário noturno. Atuar, junto ao governo Federal e ao Congresso pela implantação da Universidade Federal da Baixada. Introduzir plataformas de ensino a distância, complementares à modalidade presencial e acessíveis por toda a população. Implementar um Programa de valorização e formação continuada de profissionais da educação. (retirado da proposta de Governo disponibilizada no Tribunal Superior Eleitoral).

Vicente Cascione (Pros) 

Tragicamente, tivemos um 2020 perdido. Será preciso aplicar o ensino não prestado em 2020, em 2021. Não se forma aluno pulando etapas. Vamos proporcionar educação com conteúdo em período integral, para o aluno ocupar-se, também, com artes, ofícios, esportes e ensino de um idioma. Tornar realidade a escola de inclusão e a de ensino especial, capacitando educadores, contratando profissionais de apoio, e oferecendo instalações específicas. Implementar a tecnologia ligada à informática, inclusive para o EAD. Valorizar, em todos os aspectos, o trabalho de docentes e de toda equipe escolar.

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