Comerciantes pedem mais segurança na região da ZN, em Santos: ‘Medo constante’

Apesar da queda no número de roubos e furtos em Santos, comerciantes da Zona Noroeste afirmam que não se sentem seguros

Casos de comércios que já foram alvo de criminosos ao menos uma vez são comuns na região da Zona Noroeste, em Santos. Segundo comerciantes ouvidos por ATribuna.com.br, os assaltos costumam ocorrer durante o dia e quase sempre envolvem criminosos armados.

“Nós, comerciantes do bairro, não podemos ter uma bicicleta melhor, um carro bom, que isso desperta curiosidade”, comenta o farmacêutico Matheus Soares Reis, de 28 anos, proprietário de uma drogaria no bairro Bom Retiro.

Ele diz que já teve o estabelecimento assaltado mais de uma vez - mesmo tendo segurança particular. O último episódio ocorreu no ano passado, quando três criminosos armados invadiram a drogaria. Segundo o proprietário, o trio fugiu do local levando dinheiro do caixa e algumas mercadorias.

Para Matheus, é preciso que haja mais patrulhamento da polícia pelo bairro. Quanto à gestão que assumirá o município a partir de 2021, ele diz que espera mais avanços na área da segurança pública.

‘Sempre armados’

Um funcionário de um supermercado do Jardim Castelo, que prefere não se identificar, afirma que o estabelecimento onde trabalha já foi assaltado tantas vezes que até perdeu as contas. A última vez foi no início deste ano.

“Eles (criminosos) entram sempre armados. Mesmo com segurança ocorreram alguns assaltos, porque eles já ficam rondando o local. Tem segurança desde sempre, mas isso não impede. Se não tivesse, com certeza seria duas ou três vezes por semana”.

Ele conta que chegou a ser rendido por criminosos durante um dos assaltos ao supermercado no ano passado. “A sensação é de medo, insegurança. A qualquer momento pode ocorrer alguma coisa”, lamenta o funcionário, que também pede mais investimento na segurança do bairro.

‘Promessas’

“Eu ando super desacreditada. Aqui a gente escuta muitas promessas; ver ações é muito difícil”, diz a proprietária de uma loja no bairro Rádio Clube, que também prefere não se identificar.

Em entrevista para ATribuna.com.br, ela conta que está entre os comerciantes da cidade que já tiveram o estabelecimento assaltado. Segundo ela, o episódio mais recente ocorreu há aproximadamente cinco anos, quando criminosos armados entraram em sua loja e levaram dinheiro e alguns equipamentos.

“Tem fases que eu acho que o policiamento é muito mais presente. No final do ano passado tinha uma base móvel da Polícia Militar que ficava na esquina da minha loja. Mas depois tiveram algumas alterações e ela não ficou mais parada ali”.

Também moradora da Zona Noroeste, ela diz que não se sente segura nem quando está trabalhando nem quando vai para casa. “É um medo constante que a gente tem. Quando vou numa festa eu volto de táxi porque tenho medo de chegar na porta de casa e ser assaltada de novo”, diz a comerciante.

“Além dos problemas que temos de enchentes, a Zona Noroeste precisa de mais atenção nas áreas da segurança, educação e saúde”, destaca.

Roubos e furtos

A cidade de Santos soma 1.124 ocorrências de roubos no período entre janeiro e julho deste ano (incluindo roubos de carga e de veículos). De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), houve uma queda de 33,4% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram registradas 1.689 ocorrências de roubos.

Já em relação ao total de furtos, as delegacias do município registraram 2.898 casos entre janeiro e julho deste ano e 3.893 no mesmo período do ano passado, o que equivale a uma queda de 25,5%. De qualquer forma, a segurança, mais uma vez, é um dos assuntos que mais pode influenciar na eleição de novembro, já que moradores de algumas áreas da cidade seguem insatisfeitos com esse tema.

Tudo sobre: