Bayard é o segundo candidato à prefeitura de Santos entrevistado por A Tribuna

Empresário de 80 anos é candidato ao Paço Municipal pelo PTB

Bayard é o segundo candidato a prefeito de Santos entrevistado por A Tribuna. O candidato ao Executivo é entusiasta de um projeto ambicioso para a Ponta da Praia, que segundo ele vai reverter em muitos empregos e ampliar a arrecadação do Município.

Clique aqui e assine A Tribuna por apenas R$ 1,90. Ganhe, na hora, acesso completo ao nosso Portal, dois meses de Globoplay grátis e, também, dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços!

O empresário pretende ampliar os investimentos no setor de saúde e instalar uma escola militar no Valongo. Bayard pretende revisar o contrato firmado com a Sabesp, devido ao fato de Santos ter deixado de receber mais de R$ 1 bilhão em investimentos e obras.

AT - Se o senhor for eleito, qual será a prioridade do mandato?

Bayard - A nossa prioridade é cuidar das pessoas. Para cuidar de gente, o Município precisa ter dinheiro. E para o Município ter dinheiro, ele precisa gerar empregos, promover negócios e investir, se possível, sempre com recurso privado. No nosso plano de governo, a gente cita um projeto na Ponta da Praia e já tive alguns questionamento sobre o porquê de investir lá e não em outros bairros.

 

O senhor está se referindo ao waterfront na entrada do Canal do Estuário?

Exatamente. Esse projeto é que vai gerar a riqueza, empregos e meios para que a gente possa pensar em resolver o problema das palafitas. O governo municipal, com a dívida que tem atualmente, não consegue pensar na palafita.

 

O que seria esse projeto de waterfront?

Será um investimento privado de R$ 3 bilhões, já encaminhados com alguns fundos. Teremos ali uma estação de passageiros que permitirá a atracação de até três navios simultaneamente, a exemplo de regiões onde o turismo de passageiro é forte, como os países do Caribe, Miami (Estados Unidos) e Itália. Além da estação, haverá um parque de exposições, um parque de turismo receptivo, onde será possível direcionar as pessoas para conhecer pontos turísticos da Cidade e oferecê-las estadia. Ali terá um projeto de hotelaria e um shopping center estiloso. Vamos oferecer às universidades espaços para elas instalarem seus grupos de pesquisas sobre Meio Ambiente e Oceanografia, enfim, tudo aquilo que elas precisam para se desenvolverem. Teremos ainda um espaço para um cassino, se ele for liberado novamente pelo Congresso Nacional, e um heliponto. A Prefeitura vai entrar como parceira, pois o Município será conhecido no mundo inteiro, além do Pelé e do Santos Futebol Clube, a exemplo da Ópera de Sydney, na Austrália, e o waterfront de Barcelona, na Espanha.

 

No plano de governo, o senhor pretende implantar um colégio militar onde hoje estão os armazéns abandonados do Valongo. Como surgiu essa ideia?

O presidente Jair Bolsonaro, no início do seu governo, perguntou a estados e municípios quem gostaria de ter uma escola militar. A razão de eu me entusiasmar com isso foi ter conhecido algumas escolas em Palmas (TO), capital de estado que tem a melhor educação do País. A escola da Marinha instalada lá é sensacional. Ao longo da campanha, vamos mostrar à população um pré-projeto daquilo que é uma escola militar da Marinha. Esse local no Valongo não é propício para levar turista, porque a região central está degradada.

 

O senhor defende no plano de governo um melhor aproveitamento do Centro. Quais os planos para essa região da Cidade?

Precisamos levar moradias e empresas para lá. Temos um exemplo aqui na minha empresa, na Transbrasa. Tenho funcionários que moram a duas horas daqui. Muitas vezes, o sujeito é obrigado a pegar duas conduções. O Centro já tem toda a infraestrutura urbana pronta e precisamos aproveitá-la para moradias verticalizadas. Ao mesmo tempo, precisamos trazer novamente para Santos um mínimo de comércio necessário para que as pessoas possam morar perto dos seus empregos. Uma dificuldade é que muitas pessoas confundem o imóvel velho com histórico.

 

O senhor cita no plano de governo a intenção de rever o modelo das Organizações Sociais (OSs) gerenciarem unidades de saúde. O senhor não pretende mantê-las?

Antes de mais nada, eu sou movido a desafio. Quanto maior o desafio, mais eu me empolgo em tentar resolver. A saúde, em primeiro lugar, carece de dinheiro. Temos a ideia de investir R$ 100 milhões a mais do que é gasto atualmente. De todos os municípios da Baixada Santista, Santos é o que menos investiu em saúde. Para você ter uma ideia, uma OS cobra da Prefeitura um determinado valor que, se a gente conseguir colocar o bonde nos trilhos novamente, com um bom motorneiro, vamos conseguir reduzir essa despesa por paciente pelo menos pela metade. Existe um velho ditado que diz ‘você me engana que trabalha e eu te engano que estou pagando’. O salário dos médicos precisa ser revisto, dentro de um critério de meritocracia, como pretendemos fazer com os servidores estatutários, para que a saúde seja uma referência. Temos que reduzir os custos e melhorar o atendimento. para que ela seja de excelência. É desagradável a gente ouvir que o melhor hospital que temos em Santos é o caminho da Rodovia dos Imigrantes, para buscar atendimento em São Paulo. Temos uma população riquíssima e uma renda per capita alta.

 

Como manter a formação continuada dos professores e valorizá-los?

Eu penso até em criar uma escola especializada exclusivamente para os docentes se aperfeiçoarem. Isso não está no nosso plano de governo, mas apareceu agora na minha cabeça. Nada é imutável e podemos inserir no nosso plano de governo. Na nossa observação, o Município oferece um Ensino Fundamental muito melhor do que ofertado pelo Governo do Estado. Porém, ainda há cerca de 7 mil alunos que estão fora do Ensino Fundamental do Município. Eu quero ser o padrinho deles e trazê-los para o Município, ainda que tenhamos que construir novas escolas ou fazer remanejamento de turmas. As creches e escolas precisam estar muito próximas de onde os alunos moram.

 

Quais são os seus planos para as empresas públicas, como Cohab Santista, CET-Santos e Prodesan?

Vamos analisar essas estatais com muito cuidado. Agora, como todas estão dando prejuízo, a gente precisa ver o custo de recuperá-las ou fechá-las. Se encerrar as atividades for o melhor caminho, vamos fazer isso. A semelhança da administração pública e da administração privada é quem manda no dinheiro. Na iniciativa da empresa, é o acionista da empresa. No poder público, é o povo, mas ele não tem a possibilidade de mandar embora um gestor que não é bom e precisa aguardar quatro anos para trocá-lo. Por esse motivo, o gestor público precisa ter uma grande responsabilidade e não pode correr o risco de ser linchado na rua. Ele precisa usar todo o seu conhecimento, experiência, paciência, resiliência e determinação para fazer aquilo que é absolutamente necessário de acordo com a oportunidade. O funcionalismo público precisa ter um tratamento na base da meritocracia e na base da reciclagem do ensino, da melhora de sua capacidade funcional.

 

Uma de suas ideias é diminuir o número de cargos comissionados na Prefeitura. O senhor quer extinguir alguma secretaria?

A voz do povo é a voz de Deus, mas nem sempre a voz do povo traduz a verdade. Eu quero fundir algumas secretarias, porque a minha função na Prefeitura será economizar. Eu não sou um cara centralizador, mas até o momento que eu descentralize, tudo vai passar por mim, nem que eu tenha que trabalhar 24 horas por dia até eu conhecer quem é quem. Eu vou conseguir arrumar esse Município como ele precisa ser arrumado. É uma oportunidade única para a Cidade eleger alguém que tenha passagem pela iniciativa privada com a experiência, determinação, resiliência e fôlego que tenho para fazer as coisas.

 

Como melhorar a zeladoria da Cidade?

Quando você tem um grande condomínio, você tem um síndico e depois o zelador. Se ele for enorme, você tem o síndico, o zelador maior e outros subzeladores. Essa descentralização da zeladoria é uma ideia que a gente tem. Se o cara que está nos morros não faz um bom trabalho, isso será comunicado ao prefeito e vou trocá-lo. Como não tenho compromisso político com ninguém, eu vou livre e solto com a nossa equipe. Quem não pode ser o maior tem que ser o melhor.

 

Como o senhor pretende lidar com a questão dos moradores em situação de rua?

Eu não vou matar ninguém, mas eu vou limpar a área. Vou fazer tudo o que for possível para resolver essa questão. Temos um jardim da orla maravilhoso, um clima excelente e um povo super-hospedeiro. Só passa fome em nossa Cidade quem é vagabundo. Até os moradores de rua são bem tratados aqui, mas são incovenientes, por causa do tráfico e do consumo de drogas. É muito desagradável pegar um morador de rua fazendo cocô no jardim da praia. Não vamos querer morador de rua na Cidade. Vamos tratá-los com todo o carinho e cuidado. Vamos conversar com as entidades assistenciais para ver como podem colaborar conosco.

 

Como melhorar o sistema de drenagem do Município?

O novo Marco Regulatório do Saneamento Básico prevê a responsabilidade das empresas ao cuidar da drenagem. Se eleito, vamos fazer a revisão do contrato firmado pela atual administração com a Sabesp, porque o Município deixou de receber em serviços, obras e benefícios em torno de R$ 1 bilhão. As enchentes na entrada da Cidade não são culpa do Governo Federal. Ele só não colaborou porque até hoje ninguém apresentou um projeto para ele.

 

Como diminuir o deficit habitacional?

Evidentemente que isso depende muito mais dos governo Federal e Estadual, que são muito mais ricos do que o Município. Mas se o Município estiver saneado, a gente consegue ajudar nessa questão, porque a Cidade aplica 5% do orçamento em infraestrutura. Esse percentual deveria ser de, no mínimo, de 10% a 12%.

Tudo sobre: