Desafios na modernização de toda a estrutura de tratamento(Divulgação) A Sabesp tem enfrentado grandes desafios na modernização de toda a estrutura de tratamento e distribuição de água na Baixada Santista. Trata-se de um problema histórico, decorrente de um sistema complexo, altamente demandado e sujeito a eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. Durante o processo de transição do modelo de gestão da companhia, foi realizado um diagnóstico aprofundado dos sistemas. Esse levantamento evidenciou limitações estruturais acumuladas ao longo de décadas, com restrições relevantes na capacidade de produção de água nos picos de consumo, baixa flexibilidade operacional entre os sistemas, reservação insuficiente e elevada vulnerabilidade a eventos climáticos. Em períodos de chuvas intensas, o aumento da turbidez dos mananciais impacta diretamente o processo de tratamento da água. Já em ondas de calor e durante a alta temporada, o consumo cresce de forma acelerada, pressionando ainda mais o sistema de abastecimento. Esse conjunto de fatores explica as oscilações observadas em momentos críticos. As soluções para eles não são imediatas, mas estão sendo adotadas. Elas refletem um plano robusto de investimentos para fazer frente a todos os desafios mapeados no diagnóstico, com fortalecimento da segurança hídrica, aumento da resiliência do sistema frente as emergências climáticas e ampliação estrutural da oferta de água. Traduzindo em números: na Baixada Santista, estão previstos investimentos de R\$ 7,5 bilhões até 2029. Já foram aplicados R\$ 2 bilhões. Entre as melhorias entregues estão seis novos reservatórios de água tratada – entre Bertioga, Guarujá, Itanhaém, Peruíbe, Santos e São Vicente –, que garantem mais de 40 milhões de litros para distribuição no horário de maior consumo na Baixada Santista. “Somente em 2025, a Companhia instalou 324 km de novas tubulações para abastecimento de água e esgotamento sanitário”, explica João Paulo Tavares Papa, relações institucionais da Sabesp. Essa extensão representa a distância entre Santos e Paraty. As novas redes levam mais água para os bairros, assim como os tubos de esgoto contribuem para a melhoria da qualidade de vida e das praias. Entre as principais intervenções em andamento está a adutora Santos–Guarujá, obra estratégica que amplia a integração entre os sistemas, aumenta a flexibilidade operacional e reforça a segurança hídrica da região. A tubulação está sendo instalada por baixo do canal do Porto e será entregue em 2026. A estrutura vai transferir água tratada da região do Saboó para o distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá. Será um reforço de 500 litros por segundo para essa região, reforçando o abastecimento para mais de 450 mil pessoas. Essa vazão de água encheria uma piscina olímpica em apenas uma hora. Destaca-se também a implantação de mais reservação de água tratada no Sistema Mambu-Branco, com capacidade total de mais de 40 milhões de litros, projetado para mitigar os impactos na produção de água durante eventos de chuvas intensas, garantindo maior estabilidade no abastecimento. Complementando esse conjunto de investimentos, está prevista a implantação da nova Estação de Tratamento de Água Melvi, com capacidade de 1.270 litros por segundo, que ampliará de forma estrutural a produção de água tratada para a Baixada Santista. Essas obras integram um processo de transformação estrutural do sistema de abastecimento da região. A colaboração da população também é essencial, promovendo o uso consciente da água não apenas na temporada, mas durante todo o ano.