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Segunda-feira

9 de Dezembro de 2019

Violência nas estradas da Baixada Santista assusta

Ocorrências no Sistema Anchieta-Imigrantes expõem os riscos vividos por motoristas, mas Polícia Rodoviária fala em 'casos isolados'

Quem precisar dirigir pelas estradas do Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) deve contar com a sorte. Isso porque, apesar de assaltos, arrastão e momentos de pânico registrados no último fim de semana, não há previsão de que este tipo de coisa deixe de acontecer.

No domingo, teve motorista que chegou a abandonar o carro e correr pela Via Anchieta para fugir dos ladrões e proteger a família. Mas, segundo a Polícia Militar Rodoviária, as ações dos bandidos são “casos isolados que ganham grandes proporções nas redes sociais” e os crimes estão em queda. 

Uma das vítimas, que não quis revelar seu nome, viu como única saída trancar o carro com seus pertences na estrada e descer correndo com a mulher e o filho. “Estava tudo parado e vimos que as pessoas começaram a passar correndo, gritando e desesperadas. Fizemos o mesmo. Não dá para arriscar ou pensar duas vezes. É a nossa vida, não teremos uma segunda chance”. 

A preocupação dele é a de tantas outras que pegam as estradas: algo será feito? “Me pergunto sobre como ir para a Capital, para passear ou trabalhar, sem o medo de não voltar mais. Imagine como será com milhares de pessoas no verão”.

Medidas 

Esse é mais um dos tantos relatos de quem pega as estradas e se lança à própria sorte. Para o especialista em Segurança e ex-secretário nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva Filho, o assunto é muito sério e precisa de atenção. 

“Esse tipo de situação é recorrente. Vai e volta, porque com congestionamento, normalmente, os veículos ficam vulneráveis. É o tipo de crime que, para ser resolvido de forma eficiente, tem uma relação direta com a resposta da polícia. Quando se faz a prevenção nesses locais, o impacto é bastante significativo”. 

Para José Vicente, essa modalidade de crime tem comportamento muito repetitivo. “O criminoso é previsível. Faz uma vez e deu certo. Então, fará duas e mais. Ele se torna produtivo e confiante. É um comportamento que vai e volta e cabe à polícia identificar a situação para resolver”. 

O assunto é preocupação, inclusive, do presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb) e prefeito de Peruíbe, Luiz Maurício. Ele diz que pautará a discussão desse assunto para a próxima reunião do órgão. 

“Precisamos que os órgãos de segurança nos digam como atuarão para assegurar maior tranquilidade a quem circula por nossas rodovias nesta época do ano, principalmente por conta da aproximação da temporada de verão”. 

Polícia garante rodovias seguras 

Segundo o comandante da 5ª Companhia do 1º Batalhão de Polícia Rodoviária, capitão Siqueira Filho, o último domingo teve três ações criminosas. Mas ele garante que as rodovias estão mais seguras. 

“Com a facilidade de informação, um fato se torna muito divulgado e a sensação de insegurança que ele traz é muito grande. Isso é muito ruim para a gente”. 

Ele diz que não dá para cobrir todo o trecho da rodovia e a polícia está em uma década inteira de índices criminais em queda. “Fazemos policiamento com base nos veículos que vêm e nos locais com mais ocorrências. Por isso é fundamental registrar a ocorrência”, diz o comandante. 

O diretor-superintendente da Ecovias, Ronald Marangon, explica que hoje são 170 câmeras em operação nas rodovias do SAI. E elas são direcionadas por um operador de acordo com as ocorrências no trecho. 

“Fazemos reuniões periódicas com a polícia para avaliar a operação rodoviária. A Ecovias é um apoio. Atua com a parte de inteligência e dados para subsidiar a polícia com informações para que eles montem seus planos de segurança pública”.  

Especialistas temem a temporada  

“Se triplicar o número de pessoas na temporada de verão, triplica também o número de ocorrências”, alerta o especialista em Segurança Vinicius Vaz. “O bandido sabe onde está a viatura e quanto tempo ela demora para chegar”. 

Para ele, é preciso pensar, a longo prazo, em isolar os pedestres nas rodovias a fim de garantir maior segurança. E, ainda, em incentivar o registro de boletins de ocorrência, já que 40% dos crimes em estradas não são comunicados. 

“O grande atrativo é multiplicar o que se conseguiria no calçadão da praia com a situação do trânsito parado e cinco passageiros em um carro com celular, tablet e carteira. O bandido consegue muito mais”. 

Iluminação e câmeras intimidam a ação de criminosos. E é preciso investir justamente em dificuldades para a ação desses bandidos, defende o também especialista em Segurança Thadeu Sampaio. 

“Por conta do histórico de sucesso, outras ocorrências desse tipo voltarão a acontecer. Ainda que um ou outro saia de circulação, sempre haverá um terceiro que verá esse tipo de ação como possibilidade”.

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