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Menina morre no litoral de SP após médico ‘confundir’ AVC: ‘Disse que só poderia ser droga'

Sofia Aparecida da Cruz, de 12 anos, faria aniversário no dia 29 de julho: 'Estava contando os dias'

Por: Ágata Luz  -  21/07/21  -  07:17
 Com apenas 12 anos, Sofia teve morte cerebral. Órgãos foram doados.
Com apenas 12 anos, Sofia teve morte cerebral. Órgãos foram doados.   Foto: Arquivo Pessoal

A pequena Sofia Aparecida da Cruz, de 12 anos, teve morte cerebral após chegar desmaiada no Pronto Atendimento de Ilha Comprida e não receber tratamento adequado na última semana. “O médico disse que a situação que ela se encontrava só poderia ser droga”, destaca a mãe da menina, a vendedora Tamires Aparecida da Cruz, de 33 anos. Sofia, porém, tinha tido um Acidente Vascular Cerebral (AVC).


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Em entrevista à A Tribuna, a mãe de Sofia disse que a menina sempre foi saudável e nunca teve nenhuma doença. No dia 10 de julho, porém, ela pediu para ir na festa de uma amiga, que morava perto da casa da família. “Como eles sempre estão juntos, eu deixei ir. Então ela saiu às 19h, quando foi 19h55 ligaram para o irmão dela dizendo que Sofia tinha desmaiado”, explica. Desta forma, a menina foi levada ao Pronto Atendimento pelo marido de Tamires, pois a mãe estava trabalhando.


Ao chegarem, o homem foi preencher a ficha e Sofia foi encaminhada para receber soro. Tamires chegou por volta das 20h40 na unidade médica. “Ela continuava desmaiada e no soro, perguntei para a enfermeira se dava pra fazer algum exame nela, pois Sofia nunca tinha desmaiado”, relata a vendedora. Porém, a enfermeira informou que para fazer algum exame, era necessário um boletim de ocorrência.


Segundo Tamires, durante o período em que ela esteve no hospital, ouviu do médico que o estado de Sofia era causado por drogas. “Cheguei a ir na delegacia abrir o boletim de ocorrência, pois queria que fizesse algum exame nela. Nunca vi minha filha daquele jeito”, desabafa. Enquanto isso, a mãe de Tamires pedia para a neta ser examinada.


“Minha mãe teve que implorar para a enfermeira ‘medir’ a pressão e a glicemia dela. Foi aí que a enfermeira olhou o olho dela e chamou o médico”, enfatiza Tamires. Desta forma, a família foi informada que a menina seria transferida para o hospital de Pariquera-Açu.


“Quando eu estava na ambulância perguntei para a enfermeira o que tinha mudado no estado da minha filha. Ela me respondeu que mudou para um estado neurológico”, explica a mãe de Sofia. Segundo ela, neste momento já havia passado quatro horas de espera.


Ao chegarem no hospital de Pariquera-Açu, a unidade não tinha vaga. Desta forma, Sofia e a mãe foram encaminhadas para o Hospital Regional de Registro. De acordo com o que Tamires narra, elas chegaram ainda na noite de sábado, quando a menina passou por uma tomografia e foi diagnosticada com o AVC.


Na madrugada de domingo (11), portanto, Sofia foi submetida a uma cirurgia. “O médico disse que com a demora e com o balanço da ambulância tinha piorado a situação da Sofia. Quando ele examinou, disse que só por um milagre que ia dar pra operar, pois o cérebro estava com muita sangue e muito inchado”, relembra.


Sofia ficou internada até terça-feira (13), quando teve a morte cerebral decretada. “Quando o cérebro não está funcionando e o corpo funciona com ajuda de aparelho”, explica Tamires. Desta forma, a mãe autorizou a doação de órgãos da filha.


A vida de Sofia


De acordo com Tamires, a Sofia foi sua filha única por 11 anos, até ela ter os gêmeos que possuem um ano e sete meses. “Estou muito triste, é uma dor que nunca imaginei passar”, desabafa.


Ela ainda conta que jamais imaginou a gravidade da situação porque Sofia nunca tinha desmaiado e era saudável. Além disso, a menina iria completar 13 anos no dia 29 de julho. “Estava contado os dias para o aniversário dela”, finaliza.


Além do boletim de ocorrência feito para a realização de exames, a família também registrou uma ocorrência por negligência médica.


Resposta do Pronto Atendimento


Procurada por A Tribuna, a Prefeitura de Ilha Comprida lamentou a morte de Sofia e enviou uma nota sobre o caso. Leia na íntegra:


"O Departamento Municipal de Saúde da Ilha Comprida se solidariza com a dor da família e lamenta profundamente o falecimento da pequena S.A., 12 anos, vítima de Aneurisma Cerebral, na terça 13/07, no Hospital de Registro. O diretor clínico do Pronto Atendimento (PA) da Ilha Comprida, Gabriel Tessmann, afirmou que a criança chegou ao PA no sábado 10/07, com quadro agudo súbito e perda de consciência e, após os procedimentos de emergência e levantamento de hipóteses diagnósticas, S.A. foi encaminhada ao Hospital de Registro, referência em Neurocirurgia. “Não acreditamos que tenha havido negligência, imperícia ou imprudência”, afirma o diretor. Diante do questionamento da família relacionado ao atendimento, o diretor do PA informa que todos os fatos, exames e detalhes do caso serão encaminhados às instâncias competentes, no devido tempo, para os esclarecimentos que se fizerem necessários."


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