Os dois casos aconteceram no Hospital de Juquiá (Divulgação/ Prefeitura de Juquiá) O diretor do Hospital Pronto-Socorro Dr. Manoel Perez Bazan, em Juquiá, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo, negou e desmentiu as acusações de negligência médica no atendimento de dois pacientes. Em entrevista para A Tribuna, Adriano Rodrigo Ferreira esclareceu os dois casos. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! As duas mulheres reclamaram do atendimento na unidade de saúde. Uma diz que os médicos ignoraram sinais de complicações durante sua gestação e que acabou perdendo o filho, de modo que teria ficado de três a quatro dias com o bebê morto dentro de seu útero. A outra mulher alega que seu filho recém-nascido, com 19 dias de vida, teve uma prescrição médica que não condizia com o diagnóstico real de infecção no pulmão. Adriano Ferreira enfatiza que não há registro de entrada no PS de Yasmin — mãe que perdeu o bebê — entre os dias 14 e 15 de abril, período em que ela informou à reportagem de A Tribuna ter se consultado na unidade de saúde. Ela teria retornado no dia 18, quando descobriu a morte do filho. “Não foi dessa forma que aconteceu. Essa paciente veio de outro município e estava sendo cuidada por outros meios. Na verdade, ela entrou só no dia 18 de abril aqui na unidade, já falando que havia três dias que não estava sentindo o bebê. Na mesma hora, o médico fez todos os procedimentos, examinou ela. A equipe de enfermagem também a examinou. Realmente, não ouviram o bebê e imediatamente entraram em contato com o hospital de referência”, informa o diretor. Adriano observa que o Hospital de Juquiá funciona apenas para pronto-atendimento, pronto-socorro, urgência e emergência. Sendo assim, o protocolo é encaminhar o paciente para um hospital de referência pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross). Esse encaminhamento, segundo Adriano, costuma demorar no máximo 24 horas. “Ela não esperou. Se evadiu do local, foi embora. A equipe de enfermagem entrou em contato com ela e agendou a ambulância para que retornasse ao pronto-socorro para ser encaminhada, conforme o atendimento dela, que foi no dia seguinte. Não houve, em nenhum momento, negligência por parte do hospital”, explica. Falta de retorno A outra acusação de suposta negligência partiu de Rayana, de 21 anos, que diz que seu bebê, com 19 dias de vida, apresentou dificuldades para respirar e foi atendido no pronto-socorro. Segundo ela, o médico de plantão prescreveu hidroxizina, que, de acordo com a mãe, não tinha relação com o quadro clínico da criança - o medicamento geralmente é utilizado para alergias e dermatites. Rayana alega que o médico sequer tocou na criança. Horas depois, ao perceber a piora no estado de saúde, ela procurou o Pronto-socorro de Miracatu, onde o bebê foi transferido para o Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua, em Pariquera-Açu, e ficou internado com suspeita de infecção pulmonar, recebendo antibióticos. O diretor do Hospital de Juquiá explica que, nesse caso, o médico atendeu o bebê de acordo com o que a mãe relatou. “O médico viu que era apenas congestionamento e passou a medicação. A mãe ficou relatando depois que a criança estava com isso ou aquilo, mas, na verdade, ela não estava. Se o medicamento não fez efeito, ela deveria ter voltado à unidade para outras providências”. “Não houve, em nenhum momento, negligência médica. As duas pessoas estão acusando o hospital de negligência médica, mas ambos os casos foram atendidos. Nesse segundo, a mãe deveria ter retornado à unidade se o medicamento não fez bem para a criança. Ela não retornou. Procurou outra unidade, foi transferida, mas com nenhum sintoma. Só com congestionamento”, afirma. Conversa com a equipe Assim que descobriu a veiculação dos casos, o diretor conversou com os respectivos médicos que atenderam os pacientes para esclarecer os acontecimentos. “Não só eu, como os médicos que atenderam esses dois casos, nos sentimos muito abalados e chateados. Em nenhum momento houve negligência médica. Foi feito o atendimento e foram feitos todos os procedimentos. Quando é mentira, isso realmente chateia os profissionais”, comenta. Melhorias no pronto-socorro O Hospital de Juquiá está em um processo de reformas externas e internas com melhorias na infraestrutura. Adriano Ferreira destaca que a fachada foi inteiramente pintada e um monitor foi instalado na recepção para melhorar os atendimentos nos consultórios, exames e durante a triagem. A fachada do Hospital de Juquiá foi renovada: antes na foto à esquerda e depois à direita (Divulgação/ Prefeitura de Juquiá) “Estamos melhorando nossa unidade para atender melhor a população. Todo o planejamento é para isso”, retrata. Outras melhorias já estão sendo planejadas e executadas, como a reforma das poltronas para os pacientes e a pintura dos leitos. Atualmente, a unidade conta com 73 profissionais de saúde e cerca de 10 médicos. São disponibilizados 11 leitos com alas femininas e masculinas. O atendimento é 24 horas. Em média, segundo Adriano, o hospital realiza 5 mil atendimentos por mês em um município com pouco mais de 17 mil habitantes. “Em março, que foi atípico, tivemos 7 mil (atendimentos). Agora vem diminuindo, mas a média geral é de 5 mil”. O diretor enfatiza que a qualidade do serviço prestado reflete nesse número, "pois indica que moradores de cidades vizinhas optam por serem atendidos no PS de Juquiá, sendo um hospital de referência".