Pesquisadores da USP pretendem submeter Casa da Pedra ao livro dos recordes como maior abertura de caverna do mundo (Arquivo pessoal/ Vanessa Bohrer) No coração do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), em Iporanga, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo, está a Caverna Casa da Pedra, que pode em breve ganhar o título de maior abertura de caverna do mundo no Guinness Book. Com uma entrada que chega a cerca de 200 metros de altura – o equivalente a um prédio de mais de 25 andares –, a cavidade impressiona visitantes e pesquisadores e agora é alvo de um estudo pioneiro da Universidade de São Paulo (USP). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A pesquisa, iniciada em novembro de 2024 pelo geólogo Nicolás Misailidis Strikis, professor da universidade, e pela mestranda Vanessa Faria Borher, deve seguir até julho de 2026, avaliando vazão de água, volume de chuvas, tempo de resposta das enchentes e comportamento hidrológico da caverna. Uma das consequências do estudo é a possibilidade de submissão da caverna ao famoso livro dos recordes. Hoje, o título pertence à caverna Son Doong, no Vietnã, considerada a maior em abertura – mas medida pela largura. Já a Casa da Pedra, pela sua entrada vertical, pode ser reconhecida como a maior abertura de caverna em altura, explica Vanessa. “São aproximadamente 200 metros, o que já confere a ela o título”, diz Vanessa Borher. A entrada é tão grande que, segundo a mestranda, não é possível tirar uma foto só. Para conseguir registrar a abertura por completo, somente filmando. O próximo passo dos pesquisadores é enviar o artigo com as especificações da caverna para o Guinness Book como forma de comprovar o recorde. O documento será analisado por especialistas, que decidirão se a caverna receberá, ou não, o título. Acidente Apesar de sua imponência, a Casa da Pedra está fechada desde março de 2003, quando um acidente marcou a história do parque. Na época, uma tromba d’água surpreendeu turistas durante uma travessia pelo rio que corta seu interior. A enxurrada em questão foi provocada por chuvas intensas fora da área da caverna, que elevaram repentinamente o nível do rio. Parte do grupo conseguiu escapar, mas outros não resistiram. O acidente deixou dois mortos, sendo eles um visitante e um guia. O episódio levou ao fechamento definitivo da cavidade para visitação e reforçou a necessidade de protocolos de segurança. Outro foco dos estudos é, portanto, avaliar uma possível reabertura da caverna. Atualmente, apenas 12 cavernas do Petar estão abertas ao público, todas com novos modelos de manejo. Símbolo do Petar Mesmo interditada, a Casa da Pedra continua sendo um dos grandes símbolos do Petar, parque criado em 1958 e que concentra mais de 400 cavernas, além de cachoeiras, trilhas e sítios arqueológicos em meio à Mata Atlântica. Reconhecido pela Unesco como patrimônio da humanidade, o Petar é o segundo maior do Brasil em concentração de cavernas e atrai cerca de 64 mil visitantes por ano. -casa da pedra (1.478185) Durante a pandemia, uma trilha até um mirante foi aberta, permitindo que turistas contemplem a monumental entrada da Casa de Pedra, mas o interior segue inacessível. Para Vanessa, a principal atração da caverna é a abertura gigantesca. “É um prédio de mais de 25 andares. Você se sente tão pequenininho”. A pesquisadora ressalta que, além do pórtico, o interior da caverna também impressiona. Ela explica que o local tem cachoeiras e diferentes espeleotemas, que garantem uma ornamentação diferenciada. Para chegar ao interior da caverna, porém, é necessário atravessar uma piscina de aproximadamente três metros de profundidade, conhecida como Poço das Serpentes. Para passar por ali, somente nadando ou se apoiando em uma corda de suporte. “A caverna é toda impressionante, por dentro e por fora”, destaca Vanessa.