Só a vacina previne os quatro sorotipos da dengue. Quem contrai a doença fica imune apenas ao sorotipo do vírus com o qual foi infectado (Vanessa Rodrigues/AT) São Vicente é a única cidade da Baixada Santista onde mais de 30% de crianças e jovens de 10 a 14 anos receberam as duas doses do esquema de vacinação contra a dengue (leia mais abaixo). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Essa situação leva a temores. Um é o de que as infecções ocorram por um sorotipo do vírus da dengue que não circulava no Estado desde 2016, o de número 3 — são quatro. Outro: quando alguém é infectado por um dos tipos do vírus e contrai o 3, a doença tem potencial para se agravar. Uma questão adicional é que somente a vacina, ainda que para público restrito, é o meio de prevenir os quatro sorotipos da dengue. Quem contrai a doença fica imune apenas ao sorotipo do vírus com o qual foi infectado. O infectologista e professor de Medicina da Universidade São Judas Tadeu, Evaldo Stanislau, atribui a baixa adesão à vacina contra dengue à falta de informação, ao medo e ao movimento antivacina. “A vacina da dengue é muito importante, sobretudo para a população alvo que está sendo colocada: crianças e jovens. Por quê? Porque esta parcela da população foi menos exposta ao vírus ao longo dos últimos anos e, portanto, tem mais risco de se infectar e, eventualmente, ter formas graves da doença”, explica. Stanislau destacou que a vacina tem eficácia superior a 80% contra formas graves da dengue. “É absolutamente segura, com nenhum efeito adverso importante. A população não precisa ter nenhum tipo de receio”, diz, excetuando pessoas com imunidade comprometida. Cenário da doença Conforme o Painel de Arboviroses da Secretaria da Saúde do Estado, a Baixada Santista tem 3.173 casos confirmados de dengue, 1.486 em investigação, 4.659 casos prováveis, três mortes confirmadas e quatro óbitos em apuração. Dentre os confirmados, há 89 casos de dengue com sinais de alarme e seis de dengue grave. Morreram da doença, neste ano, um menino de 9 anos, em São Vicente, uma criança de sexo não informado e com 7 anos, em Cubatão, e um idoso de 92, de Peruíbe. As crianças mortas ainda não tinham idade para se vacinar, e o homem sofria de comorbidades. Afora vacinação, é preciso evitar possíveis criadouros de mosquitos (Vanessa Rodrigues/AT) Santos: 16% A Prefeitura de Santos afirma que índice de crianças e jovens vacinados contra a dengue, considerando as duas doses, é de 16,43%. Em São Vicente, houve 4.615 aplicações da primeira dose, representando 71% do público-alvo, e 1.536 da segunda, ou 33,28% da faixa etária — o melhor índice regional. Guarujá aplicou 5.369 primeiras doses da vacina, ou 27,83% do público-alvo. Destes, 1.758 tomaram a segunda dose, representando 9,11%. Mongaguá fez 1.586 aplicações do imunizante: 1.189 (30% do público) da primeira dose e 397 (10%) com a segunda. Estratégias Em Peruíbe, a coordenadora do Serviço Municipal de Vigilância Epide-miológica, Jaqueline Antunes, diz ainda haver baixa adesão à vacina contra a dengue na Cidade. Há uma cobertura da primeira dose de 28.36%, e da segunda, de 7.8%. “Planejamos utilizar a estratégia de vacinação nas escolas para conscientizar pais e responsáveis sobre a importância da vacinação. Saímos de uma reunião com a Secretaria de Educação para planejar as ações com professores e pais”, enfatiza. Cubatão aplicou 4.453 doses — 3.285 (41,99%) da primeira e 1.165 (14,89%) da segunda. Itanhaém declarou ter imunizado 38% do público-alvo com a primeira dose e 17% com a segunda. Bertioga aplicou a primeira dose em 20,30% do público-alvo e 6,69% da segunda. A Prefeitura de Praia Grande não respondeu até a publicação desta matéria.