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Sábado

18 de Janeiro de 2020

Vacina: a maior aliada contra o sarampo

Número de casos da doença chega a 54 nas nove cidades da região este ano e especialistas reforçam a necessidade de se prevenir

O aumento no número de casos de sarampo na região – já são 54 este ano nas nove cidades – reforça a necessidade da vacinação para se proteger da doença. Ainda que a cobertura vacinal da Baixada Santista tenha quase atingido a marca de 100% no ano passado, quem não se recorda de ter tomado as duas doses contra o vírus deve procurar o posto de saúde mais próximo para buscar orientação. 

Especialistas afirmam que falta de imunização é que está alastrando a doença em várias áreas. No estado, a situação é positiva: mais de 95% das crianças foram vacinadas contra sarampo na campanha de 2018. Foram 2,1 milhões na faixa de 1 a menores de 5 anos, o que corresponde a 97% do público-alvo. Especificamente na Baixada Santista, a cobertura na campanha foi de 99,3%. 

Embora o total de casos não seja alarmante na região, o número vem aumentando. De sexta (29) para segunda-feira (2), Guarujá registrou a maior alta (140%), passando de cinco para 12 confirmações da doença. A Secretaria de Saúde da cidade afirma que vem tomando todas as medidas necessárias, segundo protocolo do Ministério da Saúde. 

“Os bairros [dos pacientes], inclusive, já receberam ações de bloqueio e, por conta da positividade dos casos, também passam por varredura. Ou seja, já foi feita a aplicação de doses não só nas pessoas da mesma residência, mas também de toda a região próxima”. 

Santos registrou mais um caso, passando de 13 para 14. Segundo a prefeitura, a confirmação de ontem foi em uma criança de 1 ano, moradora do Gonzaga e que foi atendida em um hospital de São Paulo no início de agosto. Ela passa bem e não está internada. 

Vacinação de rebanho 

O infectologista Marcos Caseiro lembra que a doença é altamente transmissível – um doente infecta de 15 a 17 pessoas – e por isso a cobertura vacinal precisa ser crítica, o que corresponde a, pelo menos, 92% da população vacinada. 

“Nos últimos dois anos, tivemos a reintrodução de sarampo no país, que certamente entrou por conta de migrantes venezuelanos. Mas, se estivéssemos com a cobertura vacinal crítica, não teríamos casos. Nos últimos anos, a população não atingiu a cobertura vacinal exigida”, diz Caseiro. 

Ele afirma que não existe estudo documentado sobre mutação do vírus ou resistência dele à vacina e que a proteção depende da conscientização das pessoas.

O infectologista Evaldo Stanislau também acha que a imunização foi ignorada por parte da população. “A vacina é muito boa, mas subestimamos a cobertura, com perda da segunda dose e durabilidade. Talvez uma terceira dose seja necessária em todos os adultos jovens”. 

O infectologista Leonardo Weissmann diz que duas possíveis causas para o atual surto podem ser a mutação do vírus e a queda da produção de anticorpos, que começa a ocorrer 15 anos após a vacinação.

“Por esse motivo, é importante tomar a dose de reforço, preparando o organismo para combater o vírus”, pondera o infectologista.

 

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