Segundo o balanço, são 41 casos em investigação e 11 confirmados de intoxicação por metanol no Estado de São Paulo (Divulgação/ Governo de SP) A Baixada Santista já tem casos suspeitos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas. A Secretaria Estadual da Saúde confirmou que estão em investigação um caso em São Vicente e outro em Santos. Porém, na noite desta quinta-feira (2), em nota oficial, a Prefeitura santista indicou que o caso tratado como suspeito, cuja pessoa foi atendida na rede particular, havia passado por exames que descartaram o metanol e o paciente foi liberado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Já em São Vicente, a Secretaria Municipal de Saúde informa que o caso suspeito divulgado pelo Estado se trata de uma paciente de 31 anos que está internada no Hospital do Vicentino. Após passar por avaliação clínica dos sintomas, foi submetida a exames laboratoriais. A equipe médica aguarda os resultados. Além delas, a Prefeitura de Cubatão trata o caso de uma mulher, de 36 anos, internada na UTI do Hospital Municipal, como suspeito. A Secretaria de Saúde do Município afirma já ter informado a Vigilância Sanitária do Estado e o Instituto Adolfo Lutz, mas esse caso ainda não entrou nas estatísticas do Estado. Segundo a Prefeitura cubatense, em nota, ela deu entrada na rede de saúde municipal em coma alcoólico e convulsionando. Foi colhida amostra de urina da paciente e enviada para análise. Agora, aguarda-se o resultado. Oficialmente, ontem, o Estado contabilizava 52 ocorrências – 41 suspeitas e 11 confirmadas. Havia, ainda, uma morte confirmada e cinco em investigação. Além das ocorrências em São Paulo, há outras sete em investigação pelo Brasil. Em relação às mortes, há duas suspeitas em Pernambuco. Fiscalização segue As operações de fiscalização continuam no Estado. Até a tarde de ontem, sete estabelecimentos foram interditados pelas vigilâncias sanitárias estadual e municipais. Entre eles estão bares e adegas nos bairros da Bela Vista, Itaim Bibi, Jardins, Mooca e M’Boi Mirim, na Capital, além de pontos em São Bernardo do Campo e Barueri. Nessas ações, mais de mil garrafas de bebida foram apreendidas para análise. Só nesta semana, houve a apreensão de 162 garrafas em Dobrada, 17,7 mil unidades em Americana e 128 mil garrafas lacradas em Barueri, todas com indícios de adulteração. A Secretaria Estadual da Saúde orienta que qualquer pessoa que apresente sintomas incomuns após ingerir bebida alcoólica procure atendimento médico imediato. Entre os sinais de alerta estão dor abdominal intensa, tontura e confusão mental. O atendimento rápido, de preferência nas primeiras seis horas, é essencial para evitar complicações. Denúncia Denúncias sobre possíveis irregularidades e suspeitas a respeito de bebidas adulteradas podem ser enviadas pelo Disque Denúncia 181 ou no site da Polícia Civil de São Paulo. O Procon-SP também recebe denúncias pelo Disque 151 e no site. O órgão de defesa do consumidor ganhou um atalho no site para as ocorrências relacionadas ao metanol. Nos bares da região especializados em alta coquetelaria, a preocupação é reforçar os cuidados de costume (Divulgação) Bares e restaurantes afiançam a qualidade Bares e restaurantes da Baixada Santista se mobilizam para proteger a credibilidade do setor na região. “Esse é um episódio triste, porque envolve vidas e mortes. Lamentamos o ocorrido”, afirma Vinícius Gomes Ferreira, sócio do Revo e do Ybatinga Bar e Lanches. Segundo ele, apesar da repercussão, o movimento das casas não foi impactado. “O fato de não termos recebido questionamentos sobre a procedência das bebidas reforça essa percepção”. Nos bares especializados em alta coquetelaria, a preocupação é reforçar os cuidados de costume. Aline Araújo, sócia do Hideout Speakeasy, eleito o melhor do País, diz que a base do negócio sempre foi a procedência dos insumos. “Aqui nunca foi um bar de encher por conta de produtos baratos”. Para ela, é inimaginável trocar qualidade por preço mais baixo. Aline revela que a casa já recebeu propostas para comprar garrafas vazias ou bebidas sem procedência confiável. “Nem cogitamos comprar. Hoje em dia nem oferecem mais, sabem que somos chatos com a qualidade (...) Inclusive, quebramos e identificamos as garrafas no descarte para evitar reuso indevido”. Problema antigo Para o bartender Bruno Caldeira, colunista de coquetelaria do Boa Mesa, de A Tribuna, e mixologista do Okumura, o problema não é novo. “Em 24 anos de profissão, já vi desde a revenda de garrafas descartadas até troca de rótulos. A máxima de que o barato sai caro se materializa nesses episódios. Se um produto custa R\$ 120, ninguém sério o venderá por R\$ 70”. Segundo Caldeira, a conscientização do público também é parte da solução. “Sempre oriento amigos e familiares: se a bebida está mais barata do que no supermercado famoso, não compre. Agora, mais do que nunca, precisamos de ações em conjunto para garantir confiança e segurança. Esse problema afeta todos”.