Os investimentos, na ordem de R\$ 40 milhões, são aplicados gradualmente na substituição dos modelos mais antigos (Rogério Reis/Agência Petrobras) Uma das premissas da adoção de práticas sustentáveis pelas empresas está na mudança da matriz energética. E uma opção é a o emprego de gás natural. De acordo com pesquisa de 2024 da Confederação Nacional da Indústria (CNI), apenas 14% das empresas industriais no Brasil utilizam gás natural em suas operações. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A mesma CNI, em abril deste ano, trouxe outro dado: de que o preço do gás natural que chega às indústrias brasileiras é dez vezes o praticado no mercado americano e o dobro do europeu. Assim, o campo para esta mudança importante ainda é bem amplo, com benefícios para as agendas ESG das companhias. Mas não são poucos os desafios para isso. Mais números Estudo do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) prevê que a produção bruta estimada de gás natural é de 315 milhões de m² por dia em 2034, com pico de 316 milhões de m2 por dia em 2031. Além disso, conforme o Boletim Mensal da Produção do mês de junho, emitido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), a produção de gás natural foi de 181,64 milhões de m² por dia, índice 5,4% superior ao mês anterior. Foram disponibilizados ao mercado 61,76 milhões de m² por dia. Terminal aposta em caminhões movidos a gás natural Do lado das empresas, a movimentação em torno da transição energética dá passos importantes. Um exemplo é a Santos Brasil, que adquiriu 35 caminhões da marca Scania, movidos a gás natural comprimido (GNC) para operar no Tecon Santos. Com esse movimento, o Tecon se tornou o primeiro terminal portuário do Brasil a adotar caminhões movidos a GNC em suas operações. Os investimentos, na ordem de R\$ 40 milhões, são aplicados gradualmente na substituição dos modelos mais antigos. Em comparação aos caminhões movidos a diesel atualmente em operação, a estimativa é de que os novos veículos reduzam as emissões de CO2 em até 20%. “A adoção de caminhões movidos a gás natural – um combustível de transição mais limpo que o diesel – reflete o compromisso da companhia com a sustentabilidade e eficiência operacional. A iniciativa está alinhada ao Plano de Transição Climática da Santos Brasil, que tem como metas reduzir em 70% as emissões diretas de GEE (gases de efeito estufa) e em 30% as emissões indiretas até 2040”, afirma o diretor de Operações de Terminais Portuários da Santos Brasil, Bruno Stupelo. Construção civil Existe um espaço para a expansão do gás natural: a construção civil. Dados da Hoff Analytics, empresa especializada em inteligência de dados para o setor, mostram o potencial de conversão de GLP para gás natural em empreendimentos imobiliários. Dos 95.292 condomínios com declaração de meio energético acompanhados pela plataforma, mais de 54 mil ainda são abastecidos por centrais de GLP — o que corresponde a 57,04% do total analisado. Esse cenário torna os condomínios um alvo estratégico para ações de substituição energética e avanço em metas ESG. O estudo cobre o período de 2019 até o primeiro semestre de 2025. Vantagens A utilização do gás natural é uma importante estratégia de competitividade para empresas de diferentes setores. Além de reduzir a emissão de poluentes, ele oferece vantagens econômicas, principalmente em operações de grande escala. Por conta de sua composição e ao modelo de distribuição encanada, o insumo tende a ser mais eficiente e, em muitos casos, apresentar custo inferior. O gás natural emite menos poluentes locais, como óxidos de enxofre (SOx) e material particulado, o que melhora a qualidade do ar. Além disso, adotar o gás natural traz avanços na segurança operacional.