"Estamos com a maior frota de balsas da história para o verão”, diz Natália (Alexsander Ferraz/ AT) Uma ‘revolução’ nas travessias litorâneas a partir de 2026. É o que prevê a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende. Terá início o contrato de parceria público-privada (PPP), em regime de concessão por 20 anos, com o consórcio Acqua Vias. Isso ocorrerá após um período de transição que deve levar seis meses, a partir da assinatura do contrato, no início do próximo ano. Por ora, Natália crê que, graças a uma série de medidas, as longas filas, comuns na temporada de verão, não deverão ocorrer mais. Quais serão as próximas etapas até que o consórcio assuma a operação? Haverá a assinatura do contrato no início do ano. Serão três meses com a Semil, com operação assistida da concessionária. Depois, haverá uma troca: três meses com a concessionária à frente e a operação assistida da Semil. Por fim, a operação fica sob responsabilidade da concessionária, com regulação e fiscalização da Artesp. Será um contrato mais robusto, com indicadores vinculados à redução de filas e à troca das balsas. O que é possível falar sobre o aumento da capacidade? E qual o tamanho do ganho com a utilização das balsas elétricas? Estão previstas 41 novas balsas elétricas. Há obrigação contratual de 20 terminais novos ou ampliados, três centros de controle operacional, 13 cabines automáticas, novas oficinas de manutenção, sistema de arrecadação e aceitação de cartões de crédito, débito e Pix. Com a substituição, haverá redução de 18 mil toneladas de carbono por ano, além de mais conforto aos usuários, melhor desempenho ambiental e menor custo operacional. Com relação à temporada, há alguma operação especial para evitar tempos longos de espera? Está em operação a maior frota da história. Para a operação verão, a capacidade chega ao máximo já registrado, com 40 balsas. Em veículos, a capacidade passa de 689 para 923, e, em pessoas, de 1,7 mil para mais de 2,4 mil. Também houve investimentos nas estações de passageiros da Praça da República, em Santos, e de Vicente de Carvalho, em Guarujá. O contrato de manutenção foi aprimorado, com reforço de equipes no período noturno para agilizar os serviços. Há investimentos previstos para a região em 2026 na questão de acessos e logística? Existe o programa São Paulo para Toda Obra, que avalia as necessidades de cada região, seja por meio de concessões, como o estudo da terceira pista do Sistema Anchieta-Imigrantes. A análise envolve também a questão ambiental, com atenção à Mata Atlântica, em conjunto com a Cetesb. Já existe uma avaliação do efeito do sistema free flow nas rodovias do Litoral? O diálogo com as prefeituras é constante para explicar a necessidade dos pórticos e o funcionamento do sistema free flow, que busca a justiça tarifária, cobrando pelo trecho percorrido. Também são discutidos descontos para usuários frequentes. O objetivo é melhorar a malha viária e aprimorar o sistema sempre que necessário. A Baixada Santista está preparada para lidar com ressacas, alagamentos e a elevação do nível do mar? Foi criado um eixo específico no plano de adaptação e resiliência climática voltado à zona costeira. As ações incluem o acompanhamento da erosão, do comportamento das marés, das praias e do mar ao longo do tempo, para definir as intervenções necessárias. E quanto ao licenciamento ambiental, pode ser agilizado, mas com rigor técnico? Na Cetesb, foram identificadas necessidades de melhoria de fluxos, procedimentos, segurança jurídica e recursos humanos. Houve investimento em tecnologia e transparência, além da convocação de 224 servidores e mais 60 de cadastro reserva. É possível ser mais célere e eficiente sem descuidar da responsabilidade ambiental, que permanece como prioridade.