Três cidades da Baixada Santista superam número de mortes por Covid-19 de Campinas

Apesar de número de habitantes similar à maior cidade do Interior, Santos, São Vicente e Praia Grande somam, na sexta-feira (7), 31,35% mais óbitos pelo novo coronavírus

Com uma distorção acima de 60% no número de vagas destinadas ao tratamento de Covid-19 ocupadas em relação às estruturas da Baixada Santista, Campinas foi reclassificada apenas nesta sexta-feira (7) à fase amarela do Plano São Paulo – situação que a região ostenta desde 17 de julho. Contudo, o novo coronavírus se mostra mais letal no litoral. Ao analisar os indicadores das duas áreas administrativas paulista, por aqui há 31,35% mais óbitos por complicações da pandemia que no Interior. 

A constatação foi possível a partir de dados tabulados por ATribuna.com.br, com base às informações do boletim epidemiológico do Estado. O levantamento estadual é de responsabilidade da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), a apresenta certo atraso em relação aos dados das prefeituras – sendo as informações das administrações com números superiores ao estadual. 

Maior cidade do interior paulista, Campinas concentra pouco mais de 1,1 milhão de habitantes. Quantidade que equivale à soma dos moradores de Santos, São Vicente e Praia Grande, municípios mais populosos da Baixada Santista, conforme a Fundação Seade. Para as comparações entre as duas regiões, serão utilizadas essas quatro localidades. 

Conforme os dados do órgão paulistas, Campinas é a segunda localidade com maior número de casos confirmados de Covid-19 – atrás, apenas da Capital. Nesta sexta-feira (7), a cidade concentrava 19.792 casos confirmados e 775 mortes por decorrência do novo coronavírus (uma taxa de letalidade de 3,9%). 

Na soma das três maiores cidades da região, e cuja população é similar a Campinas, há uma distorção para cima no número de mortes por Covid-19. Juntas, Santos (495), São Vicente (307) e Praia Grande (216) somaram, nesta sexta-feira (7), a barreira de 1.018 óbitos por coronavírus. Isso significa 31,35% mais vítimas fatais por aqui na maior cidade do interior paulista. 

Os números de casos confirmados e taxa de letalidade regionais também são acima dos indicadores de Campinas. Nas três cidades da Baixada Santista, houve 26.642 pacientes com resultados positivos para Covid-19; o que representa 34,6% acima dos 19.792 campineiros com laudos indicando o novo coronavírus no organismo.  

O único indicador local abaixo da cidade do Interior é a taxa de letalidade de Santos, que estava em 3% nesta sexta-feira (7). Campinas verificava 3,9%, abaixo de Praia Grande (4,2%) e São Vicente (6,3%). 

Estrutura aquém 

O médico infectologista Evaldo Stanislau destaca três fatores que devem ser levados em consideração ao analisar “regiões de composições heterogenias”, como a da Baixada Santista e Campinas: estrutura hospitalar, rede de cuidado aos pacientes com doenças crônicas (diabetes, hipertensão, cardíacos) e envelhecimento da população. 

“O número de óbitos elevado passa pela qualidade da assistência feita (na localidade). O índice um pouco melhor (de mortalidade por Covid-19) de Campinas sinaliza que a estrutura de lá possa ser superior a daqui. E o fator idade (elevada) é preponderante para o pior desfecho”. 

O também médico infectologista, Marcos Caseiro, recorda que a Baixada Santista concentra população com mais de 60 anos acima daquela cidade do interior. “A gente tem um número muito grande (de mortes). É evidente que temos que levar em conta os óbitos pela caraterística da população que, aqui, tem faixa etária mais elevada”.  

De acordo com a Fundação Seade, apenas Santos possui 22% da população com mais de 60 anos. Enquanto Campinas possui 16% dos moradores têm essa faixa etária. “Apesar de ter maior população idosa, o município de Santos possui uma taxa de letalidade – proporção de óbitos por casos confirmados – de 3,1%, abaixo do registrado pela cidade de Campinas (3,9%) e também menor do que as taxas do estado de São Paulo (4,1%) e do Brasil (3,4%)”, cita a administração santista. 

Caseiro acrescenta que Campinas possuiu um circuito universitário voltado à saúde que auxiliou as ações desencadeadas pelo poder público local. “Eles (universidades e administração) conseguiram estruturar um circuito de tratamento mais adequado”, opina. 

Prefeituras 

A Secretaria de Saúde de Santos esclarece que, apesar de estarem próximas e integrarem a mesma região metropolitana, as cidades de Santos, São Vicente e Praia Grande têm realidades demográficas, territoriais, habitacionais e de assistência em saúde (pública e privada) distintas. “Do ponto de vista epidemiológico, não é correto juntar dados de três municípios e comparar com os de outra cidade, considerando apenas o número de habitantes e sem considerar os demais aspectos citados”, cita a pasta, em nota.  

Para o enfrentamento da pandemia, a prefeitura de Santos afirma ter adotado medidas sanitárias e preventivas conjuntas nos nove municípios e elaborado um Plano Regional de Contingência, para a definição dos recursos, insumos e equipamentos solicitados aos governos estadual e federal. 

“Destaques para o acesso da população aos testes de diagnóstico, com quase 100 mil pessoas testadas na rede pública (cerca de 25% dos moradores), e a abertura de 449 leitos sob gestão municipal (149 deles de UTI), que permitiu a internação hospitalar de todos os munícipes que necessitaram”, cita. 

Em nota, a prefeitura de Praia Grande afirma investir “maciçamente no enfrentamento e combate à Covid-19, sendo um dos municípios da região com menor taxa de letalidade e maior índice de curados (94%) atualmente”. 

O comunicado sustenta que a cidade “tem conseguido manter as taxas de ocupação dos leitos de enfermaria e UTIs bem abaixo da média”. Atualmente, conforme o poder público, Praia Grande tem uma taxa de ocupação dos leitos de enfermaria de 8% e na UTI a taxa de ocupação é de 18%. Cita ainda a instalação de um hospital de campanha, dotado de 188 leitos. 

Já a Secretaria de Saúde (Sesau) de São Vicente, informa que a taxa de letalidade é calculada com base no número de pessoas testadas positivo, e não com base no número populacional. Atualmente, a Cidade tem 4.694 pessoas com teste positivo para Covid-19, dentro desse universo houve 304 óbitos, o que faz com que a taxa de letalidade vicentina tenha os índices apontados.

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