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Quarta-feira

20 de Novembro de 2019

Taxistas revertem parte de prejuízos causados por aplicativos e cobram regras

Ganhos baixaram a menos da metade após surgimento de novas ferramentas, ainda sem normas

Os taxistas ainda não se recuperaram do impacto da chegada dos motoristas de aplicativos, mas têm adotado medidas para conseguir mais trabalho e diminuir um prejuízo que, segundo profissionais, resultou em uma queda de mais de 50% dos ganhos.  

As cooperativas e associações resolveram investir na criação de sites e ofertas de descontos, enquanto os profissionais buscam manter clientes baixando preços.  

Ainda assim, taxistas duvidam de que voltarão à antiga realidade. “Perdemos cerca de 60% e, com algumas ações, reduzimos isso a uns 40%”, diz José Otávio Silva Souza, de 69 anos, taxista há 27.  

O presidente do Sindicato dos Taxistas, Luiz Antônio Guerra, conta que a categoria demorou a reagir, mas as ações comerciais têm dado resultado.  

Concorrência  

Outro ponto abordado por Guerra é que a população opta por um serviço mais barato e com menor qualidade do que o oferecido pelos taxistas, que são submetidos a fiscalização.  

O sindicalista afirma entender a necessidade dos motoristas de aplicativos em trabalhar e ressalta não querer confrontos nem problemas, mas defende a regulamentação do serviço prestado pelos concorrentes.  

Ele defende a “concorrência justa”, pois os taxistas precisam pagar impostos, e motoristas de aplicativos, não – o que, diz Guerra, interfere diretamente nos valores cobrados. 

“Tem que ter o mínimo de respeito com o taxista. Existem impostos, os carros não podem ter mais de oito anos, precisam ser pratas e ter faixa específica (no caso de Santos). A Prefeitura não regulamenta (os serviços por aplicativos) e não sabe nem quantos motoristas estão na Cidade”, argumenta Guerra.  

Em nota, a Prefeitura de Santos informa que, com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), vai regulamentar o uso do sistema viário urbano para atividade de transporte remunerado privado individual de passageiros. Um projeto de lei será apresentado brevemente à Câmara. “A proposta está em análise pela Procuradoria do Município, com relação aos seus aspectos jurídicos.” 

Grupos fazem críticas e procuram melhorar  

As cooperativas e associações de taxistas defendem a profissão e os serviços prestados pela segurança, devido a treinamentos, registros dos motoristas e vistorias nos veículos. Elas ressaltam a geração de empregos e o recolhimento de impostos. 

Com críticas à falta de regulamentação para cobrança de impostos e fiscalização, as cooperativas e associações ouvidas pela Reportagem informaram ter agido para preservar a profissão de taxista na região.  

A Ond’Azul Rádio Táxi tem 260 taxistas. A frota aumentou em janeiro, quando a empresa incorporou a Disk Táxi. “Diminuímos nossos custos e geramos um atendimento mais rápido aos clientes”, disse o presidente, Amandio Dias Urbano.  

Ele comenta que, além dos cuidados com os motoristas e veículos, também investiu em tecnologia, com o lançamento do aplicativo Digital Táxi em agosto do ano passado. “Trabalhamos com preço fechado. Em corridas locais (em Santos), temos um desconto diferenciado”, cita. 

A Cooper Rádio Táxi aponta que chegou a perder 20 cooperados entre 2014 e 2018, mas o número foi retomado e, hoje, dispõe de 163 carros e fila de espera para novos cooperados.  

“Tivemos que nos reinventar, passamos por treinamentos educacionais, palestras motivacionais, criamos um aplicativo, além de atendimento personalizado para empresas e pessoas físicas, com desconto em todas as corridas. Hoje, em nosso aplicativo, disponibilizamos 20% de desconto”, afirma a Cooper.  

Queixas  

A Acat Rádio Táxi informa ter 150 táxis cadastrados em Santos e manter o emprego de 20 telefonistas e 250 motoristas de forma indireta. A associação salienta que, além dos telefones fixos e gratuitos, conta com serviço de WhatsApp e aplicativo.  

“Taxista é uma profissão reconhecida pelo Governo Federal e vem sofrendo com uma concorrência desumana e predatória. Estamos concorrendo com empresas multinacionais que se dizem de tecnologia, mas são de transporte. Não são reguladas, fiscalizadas, ou sequer regulamentadas”, critica a Acat. 

Ações das prefeituras diferem nas cidades  

As Prefeituras de São Vicente, Guarujá e Praia Grande caminham no mesmo sentido de Santos, que vai regulamentar o transporte remunerado privado individual de passageiros.  

Em São Vicente, a Secretaria de Trânsito e Transportes estuda a viabilidade de regulamentar o transporte de passageiros por meio de aplicativos. Guarujá diz ter uma lei que normatiza a atividade do uso de carros particulares cadastrados em aplicativos, mas que precisa ser regulamentada. 

Praia Grande diz estudar propostas e possíveis planos de ação, mas julga que “o assunto deve ser tratado de forma metropolitana”.  

Bertioga informa que, no dia 2, representantes da Secretaria de Segurança e Cidadania e da Diretoria de Trânsito e Transportes se reuniram com membros da Associação do Transporte Alternativo de Bertioga (Atab), para tratar da legalização do serviço, que deve ser feito por meio de aplicativo, conforme decreto. 

“As associações e cooperativas da Cidade que trabalham com transporte alternativo poderão se cadastrar e operar como empresa gestora de aplicativo nos termos da lei, regularizando em seguida os profissionais e veículos que irão operar sob sua bandeira”, menciona. 

Peruíbe e Cubatão informaram não ter leis referentes à atividade. Itanhaém afirmou que o Município não tem obrigação de adotar políticas sobre aplicativos. 

Impostos? 

No sábado, o jornal O Globo noticiou que o Governo estuda cobrar impostos de quem trabalha por conta própria com aplicativos de transporte ou exigir que sejam microempreendedores individuais (MEIs). Objetivo: que contribuam para a Previdência Social. 

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