Por conta de supostos problemas de salários, os médicos, presentes no local, estariam se negando a atender mesmo casos emergenciais (Imagem Ilustrativa/Adobe Stock) Tudo o que se espera de um ponto socorro é atendimento ágil, eficiente e com empatia. Pois, segundo relato de uma paciente, não é o que tem ocorrido no PS do Humaitá, em São Vicente. Pior: por conta de supostos problemas de salários, os médicos, presentes no local, estariam se negando a atender mesmo casos emergenciais. A estagiária de Comércio Exterior Maria Heloísa Cardoso Souza, de 24 anos, afirma ter sido vítima dessa postura. O caso teria ocorrido na última quinta-feira (4), mas, segundo ela, dias antes já havia detectado sinais de que algo não ia bem. “No dia 28 de novembro, fui ao hospital. Normalmente o atendimento é rápido, mas naquele dia levei duas horas para ser atendida pelo médico e receber a medicação. Enquanto esperava, ouvi alguns pacientes comentando que era um absurdo a demora. Uma paciente, que já havia ido outras vezes, disse que informaram a ela que o médico não estava recebendo salário e, por isso, estaria atendendo 'de má vontade'. O local nem estava cheio, mas ainda assim a espera foi longa”, afirma. Segundo ela, já havia ido outras vezes ao pronto-socorro e, mesmo sem grande movimento, o atendimento sempre foi bem mais rápido — cerca de 30 minutos para passar pelo médico, receber a medicação e ir embora. Mas, o que ocorreu na quinta-feira ultrapassou os limites do aceitável. “Ao entregar meu RG para a recepcionista, ela me avisou: “Olha, hoje não está tendo atendimento”. Estranhei e perguntei o motivo. Ela explicou: “O médico não está atendendo ninguém. E hoje está até pior, porque ele não atende nem emergência”. Ou seja, mesmo com o médico presente e com a equipe de enfermagem no hospital, ninguém estava sendo atendido, nem mesmo casos graves”, afirma Maria Heloísa. A estagiária de Comércio Exterior não esconde sua indignação. “No dia 28, na recepção havia crianças, inclusive bebês de colo, e idosos esperando. Ninguém foi priorizado. Eu cheguei cedo, de manhã, mas não sei quanto tempo essas pessoas ficaram aguardando ou sequer se foram atendidas. Soube de gente que chegou às 8h e só foi atendida ao meio-dia", lamenta. Outro lado Em nota, a Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria da Saúde (Sesau), informa que “os atendimentos do Pronto-Socorro do Humaitá estão momentaneamente concentrados nos casos de maior complexidade, na sala de Emergência. Essa ação consiste em uma readequação operacional utilizada para otimizar o uso das equipes e dos recursos disponíveis, garantindo que os pacientes que demandam cuidados mais específicos sejam assistidos de maneira adequada”. Ainda de acordo com a Administração Municipal, “parte dos pacientes com demandas menos complexas está sendo orientada a buscar outras unidades de saúde, onde o atendimento pode ocorrer de forma mais ágil”. Segundo a Sesau, “as demais unidades de saúde continuam funcionando normalmente, com todos os serviços mantidos”. “Vale ressaltar que o efetivo de servidores da rede municipal de saúde está com os salários em dia”, finaliza a Prefeitura de São Vicente.