Número reduzido de operários na obra tem chamado a atenção (Alexsander Ferraz/ AT) Quase dois anos após o início dos trabalhos, as obras da nova Rodoviária de São Vicente, na Praça Bernardino de Campos, no Centro, seguem em ritmo lento. A previsão inicial era de conclusão no fim do ano passado; depois, para o segundo semestre deste ano. Agora, a nova estimativa é de entrega até o fim do primeiro semestre de 2026. Segundo a Prefeitura, apenas 35% dos serviços foram concluídos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na última semana, A Tribuna esteve no local e constatou o avanço tímido dos trabalhos. Poucos funcionários atuavam no canteiro e apenas parte da estrutura foi erguida. O atraso se deve, em grande parte, a entraves judiciais que paralisaram a obra. De acordo com a Prefeitura, atualmente, a intervenção está na fase de serviços de alvenaria de vedação, passagem de infraestruturas e impermeabilizações. A cobertura metálica está sendo produzida fora do local e será instalada posteriormente. O secretário de Desenvolvimento Urbano de São Vicente, Alexsandro Ferreira, explica que a paralisação foi consequência de questionamentos jurídicos ligados à área no entorno da Igreja Matriz. “Mostramos que não havia qualquer interferência no patrimônio, mas, em cumprimento à decisão judicial, tivemos que paralisar os trabalhos. Isso gera desmobilização da obra. Quando o processo foi encerrado, reprogramamos e remobilizamos toda a operação. Hoje, os serviços estão em pleno andamento”. Reclamações A instalação da rodoviária na praça divide opiniões e desagrada parte dos moradores e comerciantes, que apontam transtornos e alegam que os trabalhos parecem “parados”. O dono de uma academia que fica no entorno, Jeorge Karwaski, diz que a obra segue avançando, “mas em ritmo diferente do que geralmente se vê em construções, com poucos funcionários — às vezes dois ou três —, tudo em câmera lenta”. Ele afirma que os tapumes causam mais problemas do que a própria obra. “Eles restringiram a visão, à noite a iluminação é fraca. Para motoristas também é ruim, porque não se enxerga o outro lado da via. Já houve alguns acidentes nesse período”. A professora aposentada Maria Aparecida Grillo Elou mora na região desde 1970 e é contra a instalação da rodoviária na Praça Bernardino de Campos. Segundo ela, o local era uma praça histórica que foi descaracterizada. Ela também critica a lentidão da obra. “Está quase parando. Escuto marteladas, vejo dois ou três trabalhadores, mas logo param. Parece um depósito. Retiraram parte dos tapumes e nada acontece”. Maria vive no bairro e reclama: “Não cabe uma rodoviária aqui” (Alexsander Ferraz/AT) Maria também questiona a funcionalidade do projeto, afirmando que aconteceram testes que falharam. “Houve testes com o ônibus rodoviário, que é mais alto, e ele não conseguiu entrar na baia nem manobrar. O espaço é pequeno. Se entra um ônibus, o outro precisa ficar de fora. Não cabe uma rodoviária aqui”. Segundo a Prefeitura, as empresas operadoras solicitaram verificações pelo fato de haver ônibus de diferentes tipos e estruturas. A Administração Municipal ainda afirma que o projeto foi elaborado conforme normas técnicas. Por fim, o munícipe Francisco José Ramelo reforça a insatisfação. “Recomeçaram em ritmo lento, apenas quatro operários. Vários testes foram feitos com ônibus, mas nenhum funcionou”.