O maremoto teria destruído a vila de São Vicente em 1541 (Reprodução) A carta de Frei Gaspar da Madre de Deus, além de relatar que um suposto tsunami teria destruído a vila de São Vicente, a primeira cidade do litoral de São Paulo, em 1541, também apresenta indícios de que a tragédia pode ter sido causada por um maremoto, que teria feito o mar invadir o povoado. A vila sofreu danos em sua estrutura e sua reconstrução demorou a acontecer. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O maremoto teria causado a destruição do porto, o arrastamento da Igreja Matriz, a queda do Pelourinho e a morte de alguns moradores. O frei registrou o episódio em sua obra Memórias para História da Capitania de São Vicente, na qual descreve uma forte invasão do mar. Diante desse relato, as opiniões divergem sobre as causas do acontecimento: alguns defendem que foi uma forte ressaca, enquanto outros consideram a possibilidade de um maremoto e de um tsunami. As consequências dessa invasão do mar foram tão significativas que levaram à transferência da sede da vila para a região do porto, conforme descrito pelo Frei Gaspar da Madre de Deus. Em Memórias para História da Capitania de São Vicente, o religioso conta que os edifícios duraram pouco, pois o mar levou todas as construções. Maremoto x Terremoto A oceanógrafa e mestre em Ecologia pelo Instituto Laje Viva, Letícia Schabiuk, explica que “um maremoto é similar a um terremoto. A diferença é a localidade. Então, o terremoto acontece no continente, na terra e o maremoto ocorre debaixo da água. Ele pode ser resultado das movimentações de placas tectônicas. Ou de alguma atividade vulcânica que causa uma movimentação no assoalho oceânico. Se dá lá no fundo do mar, na areia, no manto, na costa, em todo o solo que fica embaixo da água”. Letícia complementa que “essa agitação, esse tremor pode originar ondas grandes e até um tsunami”. Terremotos já foram sentidos no litoral de São Paulo Embora não haja incidência de terremotos na Baixada Santista, algumas cidades da região já sentiram os reflexos de terremotos que aconteceram em outros lugares do país e do continente. Em junho de 2023, moradores relataram ter sentido um grande tremor de terra, podendo ser pontuado em 4 graus na escala Richter. O epicentro foi localizado em uma região pouco habitada entre as cidades de Miracatu, Iguape e Itariri. Em 2018, um terremoto de magnitude 6,8 em Carandayti, no sul da Bolívia, foi sentido na Baixada Santista. Em Santos, prédios na Encruzilhada e no Centro tiveram que ser evacuados, por segurança. Um outro tremor de 8,3 graus na mesma escala afetou o Chile em setembro de 2015. O evento foi percebido em grande parte da Baixada Santista e até mesmo na Capital. Em maio de 2000, Santos foi uma das cidades brasileiras que sentiu um abalo de 7 graus originado na província argentina de Jujuy, na Cordilheira dos Andes, próxima ao Chile. Outras cidades que também sentiram o fenômeno foram São Paulo, Taubaté, Brasília e Goiânia. Entre os diversos tremores registrados, o terremoto de 8 graus na escala Richter, ocorrido em Santa Rosa de Yacuma, a cerca de 300 quilômetros ao norte de La Paz, capital da Bolívia, foi sentido pelos moradores da Baixada Santista em 1994. O abalo durou quase três minutos, provocando tonturas em muitas pessoas e até fazendo lustres balançarem.