Após beber na padaria e passar mal, José Raimundo foi atendido e medicado no PS Central de São Vicente (Alexsander Ferraz/ AT) Um idoso de 67 anos passou mal após ingerir a bebida alcoólica conhecida como "rabo de galo" em uma padaria de São Vicente, no litoral de São Paulo. Ele precisou ser atendido no Pronto-Socorro (PS) Central. Segundo a esposa e o filho, o homem perdeu os movimentos das pernas após tomar o rabo de galo. A família suspeita de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas. Veja o que a Prefeitura de São Vicente diz sobre o caso a seguir. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso ocorreu na manhã de domingo (28), no bairro Cidade Náutica. Por suspeitar que seja uma intoxicação por metanol, a família registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil. A esposa do idoso, Isabel Brito dos Santos, de 70 anos, contou que o marido havia ido até a padaria para comprar um suco. No local, de acordo com ela, José Raimundo Pedrozo dos Santos tomou metade de uma cerveja e um copo de cachaça misturado a outras bebidas, drinque chamado popularmente de rabo de galo. “Quando ele voltou para casa, já chegou vomitando. Ele vomitava uma coisa preta, parecendo carvão, e não parava. Por volta das seis horas da tarde, quando minha filha voltou para casa, o levamos ao PS (pronto-socorro), mas ele já não conseguia entrar no carro, estava se arrastando. A médica disse que estava intoxicado com bebida, mas não fez exames para identificar qual. Só disse que era intoxicação alcoólica”, relatou Isabel. De acordo com a família, o idoso ficou em observação até a 1h, recebendo soro e medicação, mas não foi internado por falta de vaga. “Ele continuou vomitando por mais dois dias. Só ontem (quarta-feira, 1º) começou a melhorar um pouco, conseguiu se alimentar, mas não anda. Se colocamos ele em pé ou sentado, ele cai. Está dando muito trabalho. Meu filho precisa dar banho e levá-lo para a cama. A igreja onde congregamos está providenciando uma cadeira de rodas para que possamos cuidar melhor dele”. O filho do idoso, Raimundo Brito Pedrozo, de 36 anos, técnico em elétrica, afirmou que a família fez uma denúncia à Vigilância Sanitária da cidade, mas nada foi feito até então. Boletim de ocorrência A Tribuna teve acesso ao boletim de ocorrência do caso. Consta no documento que José tomou a cerveja e o rabo de galo. Depois, voltou para casa e, minutos após, começou a passar mal. “Vomitava sem parar, desorientado, sou hipertenso e pensei que era algum efeito da bebida com algum remédio, mas nunca tinha passado mal daquele jeito. Aí não conseguia mais ficar de pé, uma fraqueza muito grande nas pernas”, relatou o idoso no registro policial. Ele contou ainda que sua filha o levou para o PS, onde ficou em observação e no soro até de madrugada. Disse também que continuava a vomitar e que a médica falou que era intoxicação por bebida, porém sem realizar exames para identificar o tipo de intoxicação. “Foi quando estabilizou a pressão e liberaram, mas já não conseguia andar mais. Desde domingo, não ando mais”. Prefeitura A Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria de Saúde (Sesau), informou que o paciente foi atendido no PS Central no domingo (28), apresentando sintomas como náuseas, vômitos e pressão arterial elevada. Ele recebeu medicação, foi submetido a exames laboratoriais — que não apresentaram alterações metabólicas significativas — e permaneceu em observação. Segundo a pasta, o quadro clínico típico de intoxicação por metanol, que avança no Estado de São Paulo, inclui sintomas neurológicos e visuais graves, como turvação da visão, cefaleia intensa, confusão mental e, em casos avançados, coma ou acidose metabólica severa — manifestações que não foram observadas durante o atendimento do idoso, conforme a Administração Municipal. "A alta hospitalar foi concedida com base em critérios clínicos rigorosos, após estabilização dos sinais vitais, ausência de sintomas graves e resposta adequada ao tratamento. O paciente foi orientado a procurar acompanhamento médico caso os sintomas persistissem ou se agravassem", afirmou a Prefeitura. A Administração Municipal reforçou que, até o momento, não há elementos clínicos ou laboratoriais que confirmem intoxicação por metanol no caso do idoso. A Tribuna entrou em contato com a padaria, onde o idoso comprou e consumiu a bebida, porém não obteve retorno até a publicação desta matéria.