Segundo uma ex-funcionária, as rescisões foram sendo assinadas, e o período de aviso prévio, devidamente cumprido, mas o pagamento de rescisão não foi efetuado (Imagem ilustrativa/Pexels) Ex-funcionárias da unidade de São Vicente do Centro de Reabilitação Neurológica Matheus Alvares acusam a empresa de, após prática de demissão coletiva, não pagar as rescisões contratuais, afetando ainda a possibilidade de entrada das trabalhadoras, contratadas pelo regime CLT, de ingressarem com o seguro-desemprego. A instituição nega as acusações (Confira o posicionamento mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a psicopedagoga Vivian Danúbia da Fonte de Souza, pelo menos 35 pessoas foram desligadas do local praticamente ao mesmo tempo. Após cumprirem aviso prévio, o pagamento da rescisão não foi efetuado. “Cada clínica tem uma supervisora. Eu trabalhava na unidade 2, então nós fomos chamados em clínica pela supervisora, pelos coordenadores, para fazer uma proposta para se nós aceitaríamos virar pessoa jurídica, pedindo as nossas contas e seguindo dentro da firma. A grande maioria deu uma negativa. E, diante disso, no dia 15 de setembro, todos fomos dispensados”, afirma. Segundo ela, as rescisões foram sendo assinadas, e o período de aviso prévio, devidamente cumprido. “Para nossa surpresa, no dia 27, começaram as decepções. Nós não fomos pagos. A gente mandava mensagem para a supervisora de clínica, que já encaminhava para a moça do RH e que, por sua vez, mandava para um escritório de advocacia deles. Foi enviada uma nota, a qual A Tribuna teve acesso e assinada pelo escritório Fernandes & Santos Advogados, falando que “No momento, a clínica encontra-se em situação financeira desfavorável e, por essa razão, está analisando a melhor forma de resolucionar eventuais valores em aberto, buscando uma solução justa e responsável para ambas as partes” Diante de tudo isso, as respostas começaram a ser do tipo 'copiar e colar', segundo a ex-funcionária. "Resolvi montar um grupo de Whatsapp com as agora ex-funcionárias - o CLTS, com 35 pessoas. No entanto, as respostas recebidas da companhia não são suficientes. Eu estou sem dormir, não consigo comer direito e infelizmente não estou conseguindo pensar, pois está sendo muito difícil. Se não fosse meu marido eu estaria pior. Nesse momento, está me causando uma crise de ansiedade”, relata. Quem também se queixa da situação é a acompanhante terapêutica Luciene Mendes Souza, de 34 anos. Ela afirma também não ter data sobre o pagamento da rescisão. “Estou aguardando esse dinheiro porque o meu sonho é dar entrada na minha casa própria, mas é muito triste ver que a empresa não está cumprindo com o que prometeu. Me dediquei no período de 3 anos e meio e, no fim, foi esse descaso”, afirma. Segundo ela, a proposta de recontratação como PJ incluía diminuição nos vencimentos. “Não imaginávamos que seríamos mandados embora dessa maneira porque a clínica está em crescimento”. Outro lado Em nota, o Grupo Matheus Alvares afirma que “é reconhecido pela seriedade e pela qualidade dos serviços prestados nas áreas de reabilitação e desenvolvimento humano”. Também alega que “(...) não houve qualquer 'demissão em massa', tampouco imposição de mudança de regime de contratação. As movimentações realizadas ocorreram de forma pontual, conforme a necessidade administrativa, e seguiram rigorosamente todos os trâmites legais”. Segundo a empresa, o número de desligamentos que tem sido divulgado “não corresponde à realidade”. “O Grupo Matheus Alvares é uma instituição sólida, que tem aproximadamente 1 mil profissionais distribuídos em mais de 10 cidades do estado de São Paulo, mantendo sua atuação com seriedade e compromisso com a geração de empregos e o desenvolvimento regional”. O Grupo Matheus Alvares argumenta que “todos os ex-colaboradores receberam pagamento integral dos salários, bem como as guias de FGTS e seguro-desemprego devidamente fornecidas. Em alguns casos pontuais em que houve impedimento no recebimento dos benefícios, é importante esclarecer que os requisitos para liberação são definidos pelo próprio Governo Federal, não pela empresa”. A empresa pondera que “com o objetivo de garantir total transparência e responsabilidade no processo, um escritório de advocacia foi designado exclusivamente para conduzir e acompanhar cada caso individualmente, prestando apoio direto aos ex-colaboradores e assegurando que eventuais divergências sejam solucionadas com agilidade e respeito”. O Grupo encerra a nota dizendo que “mantém diálogo aberto com todos os profissionais envolvidos, tendo realizado comunicações diretas desde o início do processo, e reafirma seu compromisso histórico com a ética, a legalidade e o cuidado com as pessoas”.