O fenômeno, tende a reduzir a faixa de areia das praias, fazendo com que elas fiquem menores (Vanessa Rodrigues / Arquivo AT) A erosão costeira é um processo natural que causa o desgaste e o recuo da linha da costa, resultado da ação das correntes marítimas, marés e de outros fatores, e que pode ser intensificado pelo avanço do mar. Em São Vicente, no litoral de São Paulo, até 2017 duas praias sofriam efeito do avanço do mar, apresentando risco que, dependendo do caso, chegava a ser alto. No entanto, a nova atualização do Mapa de Erosão Costeira do Governo de São Paulo, elaborada pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), incluiu mais duas praias de São Vicente, na Baixada Santista, na lista. (Confira mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O fenômeno, como explica a oceanógrafa Letícia Schabiuk, tende a reduzir a faixa de areia das praias, fazendo com que elas fiquem menores. Antes da atualização, o levantamento abrangia as praias do Itararé, do Gonzaguinha/Milionários. Com o novo mapeamento, entraram na lista as praias de Itaquanduva, classificada como risco muito baixo, e Paranapuã, que apresentou risco muito alto. O estudo se baseia em um modelo de previsão que leva em conta diversos fatores, como o movimento de subida e descida do nível do mar. “A gente tem as variações diárias que são efeito da maré, que são influenciadas pela fase da Lua. Então, há quatro mudanças de maré por dia e dois tipos de maré, que são as marés de sizígia, quando a gente está com Lua Nova ou Lua Cheia”, esclarece a oceanógrafa. Esse movimento de subida e descida do mar apresenta uma amplitude maior durante as marés de sizígia. Já nas marés de quadratura, que ocorrem nas fases de Lua Crescente ou Minguante, a força gravitacional da Lua exerce menor influência sobre as massas d’água, para “puxar e empurrar a água”, destaca Letícia. “Então, a gente tem duas marés altas e duas marés baixas por dia. E além desse princípio de subida, a gente tem a movimentação geológica do planeta, que faz com que, em muitos milhares de anos, o nível do mar mude. Isso tem a ver com a própria formação geológica dos continentes, das placas tectônicas”. Mudanças climáticas Outros fatores também estão relacionados ao fenômeno do avanço do mar, como o aquecimento global, que faz com que grandes quantidades de gelo derretam nas geleiras, provocando o aumento do nível do mar. “Fora essa questão do aumento do nível do mar por conta do derretimento das geleiras, a gente tem também a questão do uso do território. São usados trechos da costa para construções cada vez mais próximas ao mar. Essas construções desordenadas influenciam na dinâmica das praias e causam erosão ou assoreamento”. Segundo Schabiuk, todos esses fatores acabam alterando a dinâmica costeira e influenciando diretamente no avanço do mar. Ela destaca que, conforme apontado no mapa, as áreas mais populosas e próximas ao nível do mar são justamente as que apresentam maior risco. A exceção é a praia do Itararé, em São Vicente, que, por seu formato, é considerada uma praia dissipativa, ou seja, as ondas chegam com menor intensidade, tornando a dinâmica costeira mais baixa. Paias de São Vicente que aparecem no mapa: Itararé - Risco Baixo Gonzaguinha / Milionários/ Capitão - Muito alto Itaquanduva – Muito baixo Paranapuã - Muito alto