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Sexta-feira

7 de Agosto de 2020

Voluntários imprimem máscaras de proteção individual para hospitais da Baixada Santista

Mais de 750 peças foram produzidas na iniciativa que reúne professores universitários e entusiastas por tecnologia; grupo capitania novas adesões para dar conta da demanda

A ideia é simples: colocar as ociosas impressoras 3D (três dimensões ou de prototipagem rápida) para produzir protetores faciais destinados aos profissionais de saúde no combate diário contra a covid-19. Porém, a ação global de modelagem de peças por injeção de plástico revela a força de um grupo da Baixada Sntista que usa a tecnologia – e a arte de construir e compartilhar soluções – como ferramenta para aproximar e ajudar as pessoas, no momento em que parte do mundo segue em isolamento social.

Esses são alguns dos motes a inspirar o grupo de voluntários, denominado Faceshields (protetores faciais) Baixada Santista. A proposta reúne professores universitários e membros do Santos Hacker Clube. “A iniciativa partiu da união de pessoas físicas e laboratórios locais (de impressão 3D) com objetivo de encontrar maneiras de contribuir no combate ao coronavírus”, destaca o coordenador do Ânima Lab, do Centro Universitário São Judas – Campus Unimonte, e integrante do grupo, Niva Silva.  

Na Baixada Santista, os cerca de 20 voluntários do movimento maker (construir) já produziram mais de 750 peças que foram doadas às profissionais de saúde da Santa Casa e hospitais públicos de Santos e Praia Grande. O material ameniza um dos graves problemas dos profissionais da área da saúde: a falta de material de proteção adequado.

“A ação só consegue ter força com a união de todos, que estão se dedicando ao máximo”, afirma o professor da UniSantos, Thiago Ferauche.

A escalada de novos casos da doença faz com que o volume de trabalho aumente. Há, ao menos, igual número de peças já impressas na fila para produção. “Conforme as pessoas ficam sabendo o que fazemos, querem ajudar. Vão desde donativos de matéria-prima a lanches para o pessoal da linha de produção”, diz o empresário Filipe Rito Cavalheiro.

A rede começou com apenas duas máquinas, e ganha a cada dia novos adeptos com a proposta. No entanto, Silva explica que confecção das peças depende mais do que o esforço físico e emocional dos membros. O coletivo precisa de ajuda de material, adesão de novas impressoras e mão de obra para dar vazão à demanda crescente.

“O pico dos casos ainda não chegou ao Brasil. Portanto, estão crescendo os pedidos dos hospitais e a pressa para recebê-los. Precisamos de materiais ou de novas impressoras para imprimir mais peças, além de ajuda na logística para coletar as máscaras e distribuir aos hospitais”, diz.

Peças

As peças de proteção individual impressas foram desenvolvidas na Ásia, durante os primeiros esforços para conter a escalada de casos do novo coronavíurs, e aperfeiçoadas na Suécia. Na Baixada Santista, o modelo europeu passou por alguns ajustes, como a maior cobertura do rosto do usuário.

Isso fez com que o tempo de produção de cada unidade caísse de duas horas para 90 minutos. “O maquinário é bem complexo e cheio de truques. Cada um de nós aprendeu muito nesse pouco tempo de campanha”, continua Cavalheiro.

As máscaras são confeccionadas em plástico PLA (ácido polilático), um tipo de filamentos usado nas impressoras 3D (que funciona similar ao cartucho de tinta nas impressoras tradicionais). “Não somos diferentes das senhoras que costuram máscaras de pano”, finaliza o empresário. Para colaborar com o projeto, basta entrar em contato pelo endereço http://gg.gg/FaceShieldBaixadaSantista.

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